Coronavírus

Persistência dos sintomas do novo coronavírus indica a hora certa de buscar ajuda

Para evitar saídas desnecessárias e aglomerações, especialistas indicam qual é o momento certo de buscar ajuda

  • Por Amanda Milléo
  • 17/03/2020 10:39
Agravamento dos sintomas deve chamar atenção de quem suspeita estar com o Covid-19
Agravamento dos sintomas deve chamar atenção de quem suspeita estar com o Covid-19| Foto: Bigstock

Tosse, febre e mal estar são alguns dos sintomas do novo coronavírus, causador da doença Covid-19. Esses são também indicativos da gripe (influenza) ou mesmo de um resfriado, que não necessitam de um auxílio médico para o tratamento, de forma geral. Como saber, então, qual é a hora certa de ir ao médico?

A dúvida é comum, e mesmo os especialistas ainda não sabem qual é a melhor decisão. Ir precocemente pode abarrotar o sistema de saúde, mas demorar a buscar ajuda também impõe riscos, especialmente entre os idosos.

Em uma entrevista, o secretário da Secretaria de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, orienta a população a buscar ajuda quando alguns sintomas se destacarem, especialmente a febre com a tosse.

"Pessoas que tenham um quadro muito leve, e quadro muito leve é uma coriza, um mal estar momentâneo, nessas condições, aguardem. Não vão para a unidade de saúde só por causa de uma coriza achando que está com coronavírus. Vá ficar em casa, vá se hidratar, alimentar-se bem, dormir bem. Quando muda? Quando essa pessoa apresentar febre e tosse. Não deve esperar ficar grave", explica o secretário, cuja fala foi publicada pelo Ministério da Saúde no perfil da pasta no Twitter.

Oliveira destaca ainda que casos graves contam também com outro sintoma importante, que é a falta de ar. "Falta de ar não se espera. Com febre ou sem febre", diz o secretário.

Ainda assim, um dado importante que deve ser destacado é que, em 80% a 85% dos casos do Covid-19, os pacientes tiveram sintomas leves, que podem ser tratados em casa como um resfriado: com descanso e muito líquido.

Dificuldade de respirar

Caso a pessoa apresente dificuldade para respirar, sinta uma falta de ar mesmo em deslocamentos curtos, esse é um dos principais sinais de preocupação dos especialistas. Associado aos demais sintomas, a falta de ar indicaria um acometimento maior da saúde geral do paciente.

"Se você começar a ter falta de ar, dificuldade para respirar, e a febre retornar antes de seis horas, esses são sinais de alerta. A febre, mesmo medicada, que volta antes de seis horas, chama atenção", explica Myrna Campagnoli, médica endocrino-pediatra, diretora médica do Frischmann Aisengart.

Conforme orientações do Ministério da Saúde, febre se caracteriza por temperaturas acima dos 37.8°C. Abaixo disso, não é considerado febre. Abaixo de 38,5°C é visto como uma febre leve. Acima desse valor, alta.

"Mas não é porque eu tenho uma febre alta que a infecção é pior. Febre persistente é mais grave que uma febre alta. Por exemplo, se eu tiver 38°C de febre que não abaixa com medicação, ou reduz um pouco, mas volta em poucas horas, essa situação é muito pior do que uma febre de 40°C uma vez no dia" - Myrna Campagnoli, médica endócrino-pediatra.

Onde buscar ajuda?

Na dúvida, evite aglomerações. Isso significa não ir aos pronto atendimentos de hospitais caso queira tirar dúvidas ou confirmar o diagnóstico para o novo coronavírus. Prefira os consultórios médicos, ambulatórios ou as unidades básicas de saúde, locais com menor quantidade de pessoas.

Algumas cidades estão disponibilizando números de telefones em que a população pode sanar algumas dúvidas, e o Ministério da Saúde recomendou, na última sexta-feira (13) que as unidades de saúde, sejam elas públicas ou privadas, iniciem triagens rápidas, que reduzam tanto o tempo de espera de atendimento quanto a possibilidade de transmissão do vírus dentro desses locais.

"O ideal é que a pessoa vá para o consultório e a unidade básica de saúde e não para o pronto atendimento. E o sintoma de falta de ar é o divisor de águas. E isso vale para qualquer paciente, de qualquer idade. Existem testes interessantes, como prender o ar por 15 segundos e esse seria um parâmetro indireto, embora a falta de ar seja subjetivo", reforça Rafael Mialski, médico infectologista, membro da Associação Paranaense de Infectologia, que também atua no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR).

Caso tenha a possibilidade, entre em contato com o seu médico e tire suas dúvidas.

Atenção aos idosos

Idosos não têm febre, em geral. Assim, um dos sinais de alerta para o novo coronavírus acaba não se destacando entre esse grupo considerado de risco. Dados de pesquisas realizadas na China indicam que pessoas acima de 80% teriam um risco de mortalidade de quase 15% pelo Covid-19.

O sintoma mais importante entre essa população, portanto, é a dificuldade respiratória. "E, no idoso, essa dificuldade é difícil de ser percebida. Junto vem, normalmente, um quadro de desidratação leve, com a boca seca, falta de saliva. Isso pode indicar que esse idosos esteja com dificuldade respiratória", explica Myrna Campagnoli, médica endócrino-pediatra.

A procura por ajuda médica, entre os idosos, deve ser cautelosa, mas ainda mais precoce que em outras idades. "Se o quadro gripal iniciou e em 48 horas você notar que não teve uma melhora, ou se teve uma piora, claro, deve se buscar ajuda médica antes", reforça.

Quando buscar ajuda?

Teve febre (persistente), acima de 37,8°C, com sintomas respiratórios, como tosse seca e dor de garganta, ou outros sintomas como dores musculares, dores de cabeça e, principalmente, dificuldade para respirar: procure um médico.

A dificuldade para respirar é um sinal importante, mesmo quando não venha acompanhada de febre.

Esses indicativos são ainda mais importantes se a pessoa teve contato com alguém com a doença confirmada, ou suspeito, ou viajou para outros países (especialmente aqueles que registram a circulação do vírus) nos últimos 14 dias.

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