"Paciente de Berlim"

Primeiro homem a ser considerado curado do HIV enfrenta agora um câncer terminal

  • Por Equipe Sempre Família
  • 28/09/2020 12:23
Conhecido por "paciente de Berlim", o homem recebeu, há 12 anos, o transplante que permitiu a cura do HIV. Agora enfrenta um câncer
Conhecido por “paciente de Berlim”, o homem recebeu, há 12 anos, o transplante que permitiu a cura do HIV. Agora enfrenta o retorno de um câncer| Foto: Reprodução / Twitter

A primeira pessoa a ser considerada curada do vírus HIV, o causador da aids, o norte-americano Timothy Ray Brown, de 54 anos, anunciou o retorno de um câncer, que está em fase avançada.

Conhecido como "paciente de Berlim" (local onde morava na época do tratamento contra o HIV), Timothy afirmou, em entrevista à agência Associated Press, que quando recebeu o transplante de medula de um doador com uma resistência natural ao vírus, há 12 anos, esperava-se que o procedimento tivesse curado tanto a infecção pelo HIV quanto a leucemia que enfrentava na época.

Embora ele não tenha mais sinais da infecção pelo vírus até o momento, o câncer retornou em 2019 e se espalhou pelo corpo. Hoje, Timothy recebe tratamento em um hospice na cidade de Palm Springs, na California. Hospices são instituições que fornecem tratamento paliativo aos pacientes cujas doenças não têm cura.

Timothy, o "paciente de Berlim", enfrenta uma leucemia avançada e está recebendo tratamentos paliativos em um hospice nos Estados Unidos. Foto:  Michael Louella / AFP.
Timothy, o "paciente de Berlim", enfrenta uma leucemia avançada e está recebendo tratamentos paliativos em um hospice nos Estados Unidos. Foto: Michael Louella / AFP.

Cura do HIV

Quando descobriu que estava infectado pelo HIV, Timothy trabalhava como tradutor em Berlim, na década de 1990. Em 2006, quando descobriu que estava com leucemia, o médico Gero Huetter, especialista em câncer hematológicos (do sangue) da Universidade de Berlim, acreditava que um transplante da medula seria a melhor alternativa para o tratamento do câncer, além do HIV.

Para isso, porém, seria necessário um doador com uma mutação genética que fosse resistente ao vírus, o que é muito raro. Além disso, o próprio procedimento seria arriscado, visto que o sistema imunológico do paciente deveria ser destruído com quimioterapia e radioterapia para que as células do doador fossem transplantadas e um novo sistema imune fosse criado.

À agência AP, Timothy disse que está feliz de ter passado por esse procedimento, ainda que o câncer tenha retornado. "Abriu portas que não existiam antes", disse o paciente, fazendo referência aos cientistas que achavam não ser possível uma cura para o vírus e que, por conta do sucesso do transplante, passaram a acreditar.

Paciente de Londres

Recentemente, em 2016, um segundo homem, conhecido como "paciente de Londres", também se acredita ter sido curado do vírus HIV com um procedimento similar ao que foi feito por Timothy.

Adam Castillejo, venezuelano que vive em Londres, que revelou a própria identidade há pouco tempo, no início de 2020, foi diagnosticado com o vírus em 2003. O homem fez uso dos medicamentos já disponíveis, mas descobriu um câncer em 2011. O transplante foi feito em 2016.

Ainda em 2020, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo verificaram que um coquetel de medicamentos foi capaz de eliminar o vírus em um paciente brasileiro de 34 anos. Depois da medicação, o paciente ficou dois anos sem o vírus ser detectado no organismo.

Além dos medicamentos antirretrovirais, o paciente brasileiro recebeu outros remédios e vitaminas, como uma forma da B3, a nicotinamida, durante 13 meses.

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