Pandemia

Novo coronavírus entrou no Brasil de forma distinta pelo menos cem vezes

    • Estadão Conteúdo
    • 23/07/2020 17:07
    Cientistas brasileiros e europeus determinaram as origens das cepas dominantes do novo coronavírus no Brasil
    Cientistas brasileiros e europeus determinaram as origens das cepas dominantes do novo coronavírus no Brasil| Foto: Bigstock

    O novo coronavírus entrou no Brasil de forma distinta pelo menos cem vezes – na grande maioria das vezes vindo da Europa. A maior parte dessas introduções foi identificada nas capitais com maior incidência de voos internacionais como São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro.

    Apenas uma pequena parcela dessas introduções, no entanto, resultou nas linhagens que se dispersaram por transmissão comunitária no país. Um novo estudo revela que 76% dos vírus detectados até o final de abril se agrupam em três grandes grupos que foram introduzidos entre o final de fevereiro e o início de março e se espalharam rapidamente pelo país antes que as medidas de controle de mobilidade fossem iniciadas.

    Os resultados foram obtidos por uma força-tarefa composta por pesquisadores de 15 instituições brasileiras (em conjunto com instituições britânicas), que realizaram o sequenciamento de 427 genomas do novo coronavírus Sars-CoV-2 de 21 estados no país. O estudo foi publicado na revista Science, nesta quinta-feira (23), com a análise de amostras colhidas de pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus entre os meses de março e abril em 85 municípios. Trata-se do maior estudo de vigilância genômica da Covid-19 na América Latina.
    Nesse estudo, os pesquisadores combinaram dados genômicos de Sars-CoV-2 com dados epidemiológicos e de mobilidade humana para investigar a transmissão da Covid-19 em diferentes escalas e o impacto das medidas de intervenção não farmacêuticas (INFs) no controle da epidemia no país.

    Os resultados demonstram que as INFs, como fechamento das escolas e comércio no final de março, embora insuficientes, ajudaram a reduzir a taxa de transmissão do vírus (o número esperado de casos que surgem a partir de cada pessoa infectada) que foi estimada no início do período em superior à 3 para valores entre 1 e 1,6 tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro.

    As amostras foram sequenciadas e processadas no Laboratório de Bioinformática do Laboratório Nacional de Computação Científica LNCC/MCTI, coordenado por Ana Tereza Vasconcelos. Atualmente, o Brasil tem o segundo maior número de casos confirmados de Covid-19 no mundo, com mais de 2,2 milhões de infectados. Destes, mais de 82,7 mil morreram em decorrência da doença e 1,5 milhão se recuperaram.

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