Sintomas como os cardiorrespiratórios envolvem risco de trombose, como falta de ar, batedeira ou dores em membros.| Foto: Unsplash
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O secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara Medeiros, sugeriu nesta sexta-feira (16) que as mulheres adiem a gravidez até que haja uma melhora na pandemia do novo coronavírus.

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"Caso possível, postergar um pouco a gravidez, para um melhor momento, em que você possa ter a sua gravidez de forma mais tranquila. É óbvio que a gente não pode falar isso para alguém que tem 42, 43 anos, mas para uma mulher jovem, que pode escolher um pouco o seu momento de gravidez, o mais indicado é esperar um pouquinho até a situação ficar um pouco mais calma", disse ele.

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O secretário, que é médico e tem doutorado em ginecologia, explicou que a gravidez é condição que favorece o surgimento de coágulos no sangue, mecanismo semelhante ao da Covid-19, o que poderia tornar a doença ainda mais perigosa durante a gestação. Principalmente no pós-parto, no período chamado puerpério, quando o organismo luta para interromper hemorragias e fazer o útero voltar ao seu volume original, os mecanismos pró-trombóticos são necessários.

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Trombose e pós-gravidez

Além do provável risco maior durante a gravidez, no pós-parto podem ocorrer eventos trombóticos, cujos sinais devem ganhar a atenção da família nas primeiras semanas. Apesar de poucos frequentes, sintomas cardiorrespiratórios, que envolvem risco de trombose, como falta de ar, batedeira ou dores em membros, devem acender um alerta, como explica Roseli Nomura, membro da Comissão Nacional Especializada em assistência ao abortamento, parto e puerpério da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

O risco maior de trombose grave e mais frequente no pós-parto está ligado a quem teve trombose prévia, tem história familiar da doença, tem hipertensão arterial mais grave ou é obeso mórbido. “Essas mulheres necessitam de acompanhamento específico”, diz ela.

Sintomas de tromboembolismo

O tromboembolismo pulmonar geralmente aparece como uma falta de ar súbita e grave, que exige atendimento imediato. “O organismo de gestantes e puérperas exige um estado pró-trombótico para interromper o sangramento importante que ocorre após o nascimento do bebê e a saída da placenta. O útero precisa voltar ao seu volume original e ter substâncias pró-trombóticas circulantes é necessário, ainda que perigoso, nesta fase”, diz a ginecologista e obstetra Mariana Drechmer Romanowski, do Hospital Santa Cruz.

Os inchaços preocupam nesse período quando muito intensos, localizados em apenas um membro, ou quando apresentam vermelhidão e dor, diz Mariana. “Isso levanta a suspeita de trombose e deve ser investigado, especialmente no período de puerpério, seis semanas após o parto”, diz ela.

Se a mulher tiver uma doença no coração, aí o inchaço vai ser sim um problema importante, podendo significar até uma propensão à trombose. “Um inchaço em uma das pernas somente é muito grave, então tudo depende de cada caso”, diz Roseli.

Vacinação de grávidas

O secretário afirmou ainda nesta sexta-feira que o Ministério da Saúde considera incluir todas as grávidas e puérperas na campanha nacional de vacinação contra a Covid-19. Pelas regras atuais, gestantes que apresentem comorbidades estão no plano de vacinação.

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