O ideal, correto e seguro, segundo especialistas e entidades de saúde, como Fiocruz e OMS, é evitar reuniões fora da família.| Foto: Bigstock
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Muita gente tem feito o teste RT-PCR da Covid-19 para ter alguma garantia de que não está infectado e poder curtir a ceia de Natal em família, réveillon ou mesmo férias com um pouco mais de segurança. O ideal, correto e seguro, segundo diversos especialistas e entidades de saúde, como a Fiocruz e a OMS, é evitar reuniões fora do núcleo familiar habitual.

Segundo Myrna Campagnoli, diretora médica do Frischmann Aisengart, laboratório da Dasa, fazer o teste é algo bastante arriscado, principalmente se o resultado acarretar relaxamento das medidas de proteção. "O PCR é uma fotografia do momento, ele diz que no momento da coleta ou eu tenho, ou eu não tenho o vírus, em quantidade infectante, dentro do meu corpo. Isso não dá garantia de que amanhã ou depois de amanhã a pessoa possa ter a doença", diz ela. "Então, realizar o PCR pra se sentir 'liberado' para tudo isso é um risco", afirma.

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Um pouco mais de segurança

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Mas fazer o PCR ajuda a dar mais segurança em uma possível visita próxima? Segundo Myrna, em viagens internacionais, por exemplo, a companhia aérea exige que tenha sido realizado PCR nas 24 horas que antecedem o embarque. "Se o resultado for negativo, é pouco provável que essa pessoa esteja levando o vírus, pelo menos em quantidade contaminante, para dentro da aeronave. Se a gente extrapolar isso para uma visita, se o PCR for feito nas 24 horas que a antecedem, sim, a gente pode ter alguma segurança em relação a isso", diz ela.

Não existe nenhum outro exame mais seguro para esse objetivo, diz ela, pois que o PCR é o exame de escolha para diagnóstico da Covid-19, sempre. "A sorologia, por outro lado, não traz nenhum tipo de segurança. O PCR mostra infecção na fase aguda, ou seja, no momento da proliferação do vírus dentro do organismo, quando ela está contaminante", explica.

E isso, segundo ela, prescinde de sintomas, pois há pessoas que recebem resultado positivo no PCR, que são contaminantes, mas que são totalmente assintomáticos.

Myrna diz que não existe falso positivo para o PCR e o falso negativo também é bastante raro. "O que pode acontecer é que ou o PCR possa ter sido coletado em um momento muito precoce após o contato com o vírus e que ainda não tenha carga suficiente para ser identificado, ou em momento muito tardio, no final da infecção, quando também a quantidade de vírus não é suficiente", diz ela.

Teste não é passaporte para nada

Quem enxerga que o resultado negativo desse tipo de teste serve como passaporte para se descuidar com as medidas de prevenção, segundo Myrna, está cometendo algo temerário e quase 'criminoso'. "Mesmo com PCR negativo não se pode descuidar da máscara e de outras medidas, especialmente a título de proteção pessoal, porque o PCR negativo diz só que você não tem o vírus, mas não quer dizer que você não esteja suscetível a pegá-lo a qualquer momento", diz ela.

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Depois do resultado, o correto é se isolar

Se o indivíduo, mesmo com todas as orientações, lançou mão do teste para tentar dar mais segurança à próxima reunião, ela precisa seguir medidas mais rígidas de proteção no período entre a coleta do teste no laboratório e o evento do qual pretende participar.

"O ideal é que o PCR seja feito dentro das 24 horas que antecedem o evento e que, lógico, o resultado saia nessas 24 horas, para que ele possa ter ciência desse resultado. Depois da coleta a pessoa deve efetivamente permanecer em isolamento domiciliar, sem se expor a risco, para que não seja contaminado nesse intervalo. Como é um intervalo pequeno, as chances de contágio, pelo menos para o evento em questão, acabam sendo diminutas", finaliza Myrna.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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