Coronavac

Estudo com 50 mil pessoas aponta segurança de vacina chinesa, diz Doria

  • PorEquipe Sempre Família e Estadão Conteúdo
  • 23/09/2020 19:43
Os testes da vacina experimental contra Covid-19 da companhia chinesa Sinovac Biotech estão sendo feitos no Brasil em parceria com o Instituto Butantã
Os testes da vacina experimental contra Covid-19 da companhia chinesa Sinovac Biotech estão sendo feitos no Brasil em parceria com o Instituto Butantã| Foto: Governo de São Paulo / AFP

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 23, que a Coronavac, candidata a imunizante contra a Covid-19, apresentou segurança e eficácia na fase 3 dos testes com 50 mil voluntários na China. O estado prevê ter 60 milhões de doses do produto até fevereiro de 2021. As primeiras cinco milhões devem chegar em outubro e, até o fim do ano, a expectativa é ter 46 milhões.

Segundo Doria, os testes na China indicaram aproximadamente 5,3% de pacientes com efeitos adversos, todos de baixa gravidade. A eficácia, ainda de acordo com o governador, foi de 98%. Os estudos ainda não foram apresentados pelo governo e os seus resultados não foram publicados em periódicos científicos. A previsão é de que sejam necessárias duas doses do produto para garantir a proteção. A vacina da Sinovac ganhou autorização para uso emergencial na China, assim como outros imunizantes desenvolvidos no país.

A Sinovac, que está conduzindo estudos de fase 3 no Brasil de sua candidata a vacina, foi uma das primeiras a chegar a essa etapa dos ensaios clínicos, assim como o imunizante que está sendo desenvolvido pela Universidade de Oxford e AstraZeneca. No entanto, ainda é cedo para saber se essas vacinas são eficazes, segundo Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). "Não houve tempo hábil até agora para termos algum dado de eficácia das vacinas em fase 3", apontou.

Estudos para comprovar se uma vacina é eficaz contra determinada infecção exigem tempo prolongado de acompanhamento. "É preciso ter a ocorrência de casos de Covid na população do estudo e comparar o grupo que recebeu a vacina com o que recebeu placebo para estimar a eficácia", explicou Kfouri.

Essa eficácia é então estimada para diferentes faixas etárias e condições de saúde. "[A vacina] pode funcionar muito bem em adultos e não tão bem em idosos, ou não tão bem em diabéticos", exemplificou o diretor da SBIm. A eficácia de uma vacina também pode ser estimada para os seus desfechos - ou seja, se ela é boa para prevenir hospitalizações e quadros mais graves ou se funciona bem para prevenir casos mais leves.

Kfouri ressalta que o tempo das pesquisas científicas precisa ser cumprido. "A vacina precisa demonstrar, para não corrermos o risco de licenciarmos produtos que não sejam seguros e eficazes, colocando em risco a credibilidade das demais vacinas contra a Covid-19 assim como as demais vacinas", comentou.

Acordo

O acordo firmado com a Sinovac permite a transferência de tecnologia ao Butantã, que poderá também produzir a vacina. Nove mil voluntários, todos profissionais de saúde, de seis estados brasileiros, participam da testagem da Coronavac. Até o fim de setembro, todos terão tomado as duas doses. No fim de agosto, o governo paulista também pediu pelo menos R$ 1,9 bilhão do Ministério da Saúde para ampliar a previsão de entrega da vacina Coronavac no próximo ano, de 60 milhões para 120 milhões de doses. Doria disse que o governo federal prometeu liberar o primeiro lote de R$ 80 milhões para apoiar o processo de produção.

Especialistas têm apontado que, além da comprovação da eficácia e da segurança da vacina, a imunização em massa também terá desafios logísticos, como estratégias de distribuição e aplicação do produto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já disse não prever imunização em massa antes de 2022.

Já o governo federal assinou acordo com a farmacêutica AstraZeneca, que desenvolve com a Universidade de Oxford (Reino Unido), um imunizante que também está na fase 3 dos ensaios clínicos, com humanos. Esse contrato prevê transferência de tecnologia, para a fabricação de doses no Brasil. Os governos de Paraná e Bahia fecharam parceria com a Rússia para testar a vacina Sputnik V, também em fase final de testes. Ainda segundo infectologistas, ter mais de um imunizante contra a doença pode ser necessário para garantir proteção mais ampla da população.

Imunizante também será testado na Turquia

A Sinovac anunciou esta semana que vai iniciar o teste da vacina também na Turquia. De acordo com nota da empresa, em um primeiro momento, 1,3 mil profissionais de saúde entre 18 e 59 anos serão voluntários no país, nesta etapa considerada a de teste da eficácia do imunizante. Em um segundo momento, 12 mil pessoas da população em geral receberão uma dose da vacina ou um placebo, no intervalo de duas semanas.

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