Comorbidades

Doenças ligadas a quadros graves da Covid-19 aumentam no Brasil

  • Por Equipe Sempre Família
  • 01/05/2020 08:50
Hipertensão é presença em grande maioria dos casos de óbito
Hipertensão é presença em grande maioria dos casos de óbito| Foto: Bigstock

As piores doenças que uma pessoa pode ter ao ser contaminada pelo novo coronavírus estão crescendo em prevalência no Brasil. A pesquisa Vigitel, publicada na última semana pelo Ministério da Saúde, aponta que uma das doenças de base relacionadas a mortes por Covid-19, a obesidade, passou de 11,8% em 2006 para 20,3% dos brasileiros em 2019, uma alta de 72%.

Entre outras condições crônicas mais incidentes no país, 24,5% dos brasileiros apresentam ainda hipertensão e 7,4% têm diabetes. Ambas são comorbidades de alto risco quando a pessoa se infecta com o novo coronavírus.

Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre a doença, da segunda-feira (27), 67% dos óbitos ocorreram com portadores de pelo menos um fator de risco. Entre essas mortes, 82% delas são de indivíduos portadores de cardiopatias (incluindo hipertensão arterial), 34% tinham o diagnóstico de diabetes e/ou obesidade.

Riscos do sobrepeso

A pesquisa Vigitel 2019 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) mostrou ainda que 55,4% da população brasileira está em sobrepeso, condição de risco para diversas doenças crônicas. A obesidade visceral promove a resistência à ação da insulina e uma inflamação sistêmica crônica, condição denominada de síndrome metabólica.

"Essa condição predispõe a mais doenças metabólicas como hipertensão e diabetes tipo 2 e a eventos cardiovasculares como infarto e derrame", diz a endocrinologista Cintia Cercato, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo. Por ser uma doença multifatorial, que atinge vários órgãos, a obesidade desencadeia ainda depressão imunológica, doenças pulmonares e até mesmo asma.

Segundo Mário Carra, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, um adulto jovem com obesidade ou excesso de peso tem a mesma característica inflamatória de alguém com mais de 65 anos. "Esta condição facilita a ação de qualquer doença, pela diminuição de fatores que combatem a inflamação e pelo aumento da produção de substâncias inflamatórias", diz ele.

O indivíduo obeso está em estado permanente de inflamação, o que altera o equilíbrio pulmonar, como evidenciam estudos com animais, diz Cíntia. "Quando há infecção viral, a resposta inflamatória promove a quebra da barreira do epitélio pulmonar, aumentando o fluxo de líquido para o espaço que deveria ser ocupado pelo ar. Assim, em animais obesos, há maior dano pulmonar e maior edema, levando à piora da capacidade respiratória e maior mortalidade", fala.

Mulheres diabéticas

A pesquisa Vigitel mostrou ainda que, no período entre 2006 e 2019, a prevalência de diabetes passou de 5,5% para 7,4% e a hipertensão arterial subiu de 22,6% para 24,5%. Em relação à diabetes, o perfil de maior prevalência está entre mulheres e pessoas adultas com 65 anos ou mais. O mesmo perfil se aplica a hipertensão arterial, chegando a acometer 59,3% dos adultos com 65 anos ou mais.

O excesso de peso tende a aumentar com a idade, conforme apontam os dados divulgados. Para os jovens de 18 a 24 anos, a prevalência foi de 30,1% e entre os adultos com 65 anos e mais, a condição foi vista em 59,8%.

O Vigitel é uma pesquisa telefônica realizada com maiores de 18 anos, nas 26 capitais e no Distrito Federal, sobre diversos assuntos relacionados à saúde. O objetivo é conhecer a situação de saúde da população para orientar ações e programas que reduzam a ocorrência e a gravidade de doenças, melhorando a saúde da população.

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