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Religião

Papiro sobre a esposa de Jesus é uma farsa, diz professora que o divulgou em 2012

Revista norte-americana revela que proprietário do documento teria falsificado a escritura e queria escrever romance ao estilo Dan Brown

Uma professora de Harvard que causou polêmica ao revelar um pequeno fragmento de papiro que faria referência a Jesus ter-se casado mudou de ideia e diz que o documento parece ser uma fraude.

Karen King, da Harvard Divinity School, revelou o papiro, em 2012, na Itália. O fragmento, escrito em copta, inclui a frase: “Jesus lhes disse: ‘Minha esposa…’”. O documento gerou controvérsia e debate assim que foi divulgado e imediatamente surgiram dúvidas sobre a sua autenticidade. Investigadores apontaram aparentes incongruências, incluindo erros gramaticais e outros sinais que apontavam a possibilidade de cópia.

King diz agora que o fragmento parece ser uma falsificação moderna. Ela cita um artigo investigativo publicado em junho no site da revista The Atlantic que levanta questões sobre o proprietário do papiro, o empresário Walter Fritz, da Flórida.

“Se você me perguntar hoje à qual direção me inclino mais – se é um texto antigo ou uma falsificação moderna – baseada nessa nova evidência, me inclino a considerar que seja uma falsificação moderna”, disse a professora à Associated Press.

Falsificação

A The Atlantic descobriu inconsistências na história de Fritz sobre como ele chegou a adquirir o papiro e no documento que ele apresentou a King para alegar a sua autenticidade. Assinada por Ariel Sabar, que havia sido o único jornalista presente na conferência em Roma, em 2012, a reportagem desvenda um longo trilho de mentiras e falsificações.

King sempre disse que estava impedida de revelar o nome do dono do fragmento, que lhe tinha sido cedido, mas os documentos mostram que o documento já tinha pertencido a um alemão residente na Flórida. Ao tentar saber mais sobre o personagem, já falecido, Sabar descobriu Fritz, um ex-parceiro de negócios do proprietário original, que admitiu, depois de ter negado várias vezes, ser o atual dono do papiro.

Fritz é, porém, uma figura que levanta suspeitas: desistiu de um curso de egiptologia e estudou copta, logo após a queda do Muro de Berlim, conseguiu ser nomeado responsável do museu da Alemanha Oriental, onde permaneceu apenas alguns meses antes de desaparecer e reaparecer na Flórida, onde esteve metido em vários negócios. Entre estes empreendimentos encontrava-se uma série de sites pornográficos com imagens e vídeos da sua própria mulher tendo relações sexuais com outros homens, tudo filmado e fotografado pelo próprio Fritz.

Sabar diz ter se encontrado com o empresário e recebido dele um convite para escreverem juntos um romance ao melhor estilo de Dan Brown, insistindo que não poderiam se limitar aos fatos, uma vez que será necessário “inventar muitas coisas” para prender os leitores, e que “a verdade não é absoluta, depende das perspectivas”.

Em um e-mail enviado à Associated Press, Fritz anexou uma carta que enviou à revista, na qual nega ter forjado, alterado ou manipulado o papiro ou sua inscrição.

King disse que sempre sustentou a posição de que o fragmento não era uma evidência sobre se Jesus era ou não casado. Ela acrescentou que “não está feliz” por ter sido enganado, mas que se sentiu “estranhamente aliviada” após a leitura do artigo. “Eu não fazia ideia sobre esse cara, é óbvio”, disse. “Ele mentiu para mim”.

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