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Pais e filhos

Os perigos da paternidade centralizada nos filhos

As consequências de avançar uma etapa e, ainda pequena, a criança ser colocada no nível do adulto são uma falsa sensação de poder e uma falsa autonomia, que podem torná-la um adulto inseguro

Ao longo da história, o lugar da criança no seio familiar sofreu profundas modificações e hoje, em pleno século 21, quem entra como vitoriosa é a criança. Para a psicanalista e psicóloga clínica, Camila Corsato, vivemos um tempo em que a felicidade e o prazer são os imperativos que regem o sucesso de um sujeito. “Temos, então, adultos e crianças que precisam ter todos os seus desejos satisfeitos, exigem a felicidade e não toleram a mínima frustração. O resultado disso na família e na educação são pais culpados pela necessidade de frustrar seus filhos e impotentes por não conseguirem satisfazer os desejos dos pequenos, que insistem em se atualizar em um novo desejo, cada vez que é atendido”, completa.

Mas como perceber que a paternidade está centralizada nos filhos? Alguns pontos a considerar são:

  • Quando as atividades da família passam a ser definidas em função dos filhos. Por exemplo: o cardápio, a música do carro, o canal da tevê;
  • Quando os pais não conseguem conversar ou estabelecer uma mínima relação quando os filhos estão acordados, pois a criança exige ser o centro das atenções e não suporta que na vida dos pais aconteçam coisas das quais ela não participa;
  • Quando pais e/ou mães abrem mão de seus sonhos, de sua vida profissional, de sua vida pessoal em nome de projetos futuros que sonham para seus filhos.

Diante deste contexto é importante ressaltar que a criança não é o centro da família porque quer, mas sim porque há um adulto que permite. “Muitas vezes os pais nem se dão conta disso, só vão perceber quando o social sinaliza que há algo errado. A escola, em geral, é a primeira a constatar o problema, tem em sala uma criança que não respeita as regras, apresenta dificuldade na socialização, não consegue fazer amigos”, conta Camila que alerta para os possíveis problemas conjugais resultados dessa relação: o afastamento e o esquecimento das figuras marido e mulher que dão lugar apenas às figuras pai/mãe.

Entre o final do primeiro ano e a chegada do segundo ano de vida, o bebê deve ser “destronado”, e acabará por concluir algo que já vem desconfiando há algum tempo: ele não é o centro das atenções e sua mãe tem outros interesses que não apenas ele, sendo que um dos interesses é seu pai

No que diz respeito à criança, as consequências de avançar uma etapa e, ainda pequena, ser colocada no nível do adulto são uma falsa sensação de poder e uma falsa autonomia, que podem torná-la um adulto inseguro e com significativas complicações na autoestima.

Para evitar que isso aconteça é importante e necessário entender que o bebê pode reinar na família nessa fase, algo fundamental para construção do alicerce de sua personalidade. Mas, entre o final do primeiro ano e a chegada do segundo ano de vida, o bebê deve ser “destronado”, e acabará por concluir algo que já vem desconfiando há algum tempo: ele não é o centro das atenções e sua mãe tem outros interesses que não apenas ele, sendo que um dos interesses é seu pai.

“Para que a chamada infantolatria não aconteça é preciso que os desejos dos pais se desloquem da criança e que ela não seja o objeto de satisfação dos desejos dos pais. É preciso que pai, mãe ou qualquer outro cuidador tenham outros interesses e outros projetos que não apenas a criança. E, ainda, que essa criança se sinta pertencente, que tenha um lugar, uma história, um desejo que a faça dizer: eu sou filho de fulano de tal!”, finaliza Camila.

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