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Reprodução/G1 Piracicaba e Região
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Defesa da Vida

Mãe que escolheu ficar cega para não abortar ganha foto em 3D e ‘vê’ a filha pela primeira vez

Ideia de proporcionar essa experiência única partiu da ONG onde a mãe faz curso de braile e da empresa parceira que fornece soluções para a alfabetização de cegos

Quando Carla Andressa Framthi Neves ficou grávida, há cinco anos, ela passava por um tratamento contra diabetes e precisou fazer uma importante decisão: interromper a gravidez ou continuar enxergando. Ela optou por ter a filha Vitória nos braços e, só agora, aos 30 anos, ela conseguiu “ver” a filha pela primeira vez, graças a uma fotografia impressa em 3D. A ideia de homenageá-la com o presente foi da professora de braile da ONG Avistar, de Piracicaba, onde ela faz curso.

A experiência vivida por Carla foi emocionante. O vídeo divulgado pelo G1 Piracicaba e Região, mostra a mãe chegando para mais uma aula na ONG e recebendo o presente de sua professora. Ela então começa a explicar para a aluna quem são as pessoas na fotografia 3D e Carla começa a chorar. “Quando eu passei a mão para ‘ver’ a foto e eu senti o rostinho dela, eu me emocionei muito. Foi a primeira vez que eu passei a mão nela e também em mim, então eu fiquei muito emocionada”, contou ela.

Mulher escolhe ficar cega para não abortar a filha

Ter um filho era o sonho de Carla e o marido, mas por conta do tratamento contra a diabetes, eles haviam sido avisados de que naquele momento, aos 25 anos, ela não poderia engravidar. Carla enfrentava a diabetes desde a infância e naquele momento havia começado mais um tratamento, agora para tentar impedir a cegueira que já começava a tomar de seus olhos. Então Vitória veio e Carla ouviu do médico: “Você tem uma escolha a fazer: ou a gravidez ou a sua visão”. O laser utilizado afetaria o bebê.

Na época trabalhando como técnica de enfermagem na Santa Casa de Piracicaba, Carla conta como foram aqueles dias que se seguiram: “A escolha que eu tinha que fazer ia mudar tudo, a rotina. O recomeço é difícil – é começar tudo de novo, só que de outra forma. É tentar esquecer aquela Carla que enxergava e viver a Carla que não enxerga hoje”, lembrou. Mas ela seguiu com a gestação. “Tem muita gente que fala que no meu lugar não teria coragem. Mas é por outra vida né? E uma que eu gerei. É um ato de amor”.

Do quinto para o sexto mês de gravidez, os olhos de Carla foram deixando rapidamente de ver o mundo e a vida mudou completamente. Após o nascimento da filha, ela chegou a fazer uma cirurgia para corrigir o descolamento da retina, para tentar impedir a perda permanente da visão. Ela teria dois anos para ver como seria a reação após o procedimento, mas infelizmente a visão não voltou. “Se você me perguntar, a cirurgia foi um sucesso pelo pouco que eu enxergo”, contou rindo, ao G1. Ela tem hoje somente 5% de visão no olho direito, o que permite que ela veja ao menos um pouco de luz.

Aceitação e busca por ajuda

Agradecida com o presente, Carla contou que só aceitou sua condição de fato, e foi em busca da ajuda da Avistar, três anos após perder a visão. Mariana Turrioni, professora de braile da Carla e quem sugeriu que ela ganhasse a fotografia 3D, explicou que Carla sempre lhe perguntou como era Vitória. Das mães que participam das atividades na ONG, ela é a única que teve um filho, mas nunca viu o rosto da criança. “Quando a empresa falou da impressora, na hora surgiu essa ideia, para trabalhar a noção de espaço, detalhes do rosto, e a coordenação motora para identificação e reconhecimento da foto”, disse Mariana. “Como ia ser o Dia das Mães, a gente pensou de fazer a surpresa”.

Foi assim que Mariana procurou uma fotografia no Facebook de Carla e combinou com Mateus de Souza Rocha, dono da empresa que faz doações de materiais em 3D para alfabetização em braile, e é parceira da ONG, para que a surpresa acontecesse. “Foi o primeiro que fizemos para essa finalidade, por isso, não sabíamos se funcionaria”, comentou Mateus. Mas ao ver a emoção da mãe em sentir os traços da filha impressos, toda dúvida foi sanada.

 

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