Em 2022 entraram em vigor as alterações no Ensino Médio. Os adolescentes passam a ter mais liberdade no currículo escolar.| Foto: Jeswin Thomas/Unsplash
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É uma decisão importante e que muitos jovens precisam tomar cedo demais: escolher qual curso fazer ao terminar o Ensino Médio é uma escolha fácil e natural para alguns, mas muito difícil para outros.

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E embora haja uma lei prevendo alterações nas diretrizes do ensino, para promover formas diferentes de ingresso no Ensino Superior, ainda assim, tudo começa com autoconhecimento e maturidade.

Aos 14 anos, Julia Born Monteiro já tem muito interesse por fotografia e cultura. Ela escolheu desenvolver as habilidades cursando aulas de espanhol e escrita criativa, ofertadas pela escola, além de participar de um projeto em que frequenta, também, aulas no Centro Universitário. Isso tudo com o objetivo de começar a desenvolver a autonomia necessária para tomar uma importante decisão na vida.

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Escola pode ajudar

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“Acho que a escola pode ajudar bastante porque você vê o que você gosta enquanto escolhe como vai ser seu futuro para ser um bom profissional”, explica a adolescente, aluna da primeira série do Ensino Médio, no Colégio Bom Jesus, em Curitiba.

A metodologia de ensino adotada pela escola da Julia é uma exigência da lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. A partir de agora os alunos terão mais liberdade para definir como passarão pelos três anos que precedem o ingresso em Curso Superior.

A ideia é dar mais autonomia aos estudantes, que, além da formação básica geral, comum a todos, poderão escolher áreas específicas. “O trabalho em sala de aula, dentro do componente curricular, permite que os alunos passem a desenvolver condições para decidir o futuro pessoal e profissional. Eles têm contato com diversos tipos de saberes, como sociologia, filosofia e valores humanos, e com isso o passam a tomar decisões mais assertivas”, esclarece Marcus Rogério Batschke, coordenador do Ensino Médio do Centro e Estudos e Pesquisas (CEP) do Colégio Bom Jesus.

Ao longo dos três anos, serão diferentes abordagens para que, ao fim desse processo, os estudantes possam estar mais seguros da escolha profissional. “Na primeira série trabalhamos fortemente o autoconhecimento. O aluno passa a reconhecer suas potencialidades e é orientado a trabalhar suas limitações”, explica Marcus.

Depois disso, o estudante começa a compreender um pouco do mercado de trabalho, sobre as profissões e a ação dele na sociedade como um todo. Por fim, no terceiro ano o aluno é orientado a participar de trilhas formativas na área de exatas, de biológicas e de humanidades, explica o coordenador.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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Papel da família

A psicóloga Luana Cavicion Gomes lembra, porém, que nem sempre a maturidade vem no momento esperado. “Tudo é um processo e nem sempre acontece no tempo previsto socialmente. Alguns vão conseguir fazer isso nessa fase, outros vão demorar um pouco mais. A gente precisa aprender a respeitar cada um”, reforça ela.

A psicóloga destaca ainda a importância do papel da família nesse período. “A primeira forma de ajudar é dar afeto e acolhimento, dialogar sobre isso. A comunicação vai muito além do escutar o outro. É perceber, estar aberto”, afirma. E conclui: “O maior legado é ensinar que o adolescente deve ter análise crítica sobre as coisas”.