O slow living é a busca pela presença e ele pode ser vivido por qualquer pessoa, sem restrição de classe social.| Foto: Alexandra Fuller/Unsplash
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Cada dia é mais comum nos depararmos com pessoas com a agenda lotada, com o sentimento de que o tempo nunca é suficiente para todas as tarefas que precisa fazer e que sempre está correndo contra o tempo. Mas, ao mesmo tempo, se vê mais crescente a busca de uma melhor qualidade de vida, de forma a desacelerar essa corrida.

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Nessa perspectiva, o movimento slow living, conhecido também como slow life, propõe a busca a qualidade de vida na maneira como o indivíduo viverá frente as suas escolhas, ao seu dia a dia e suas prioridades. Este movimento se configura mais como um estilo de vida, longe de ser uma religião ou uma doutrina.

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Originado na década de 80, o movimento derivou-se do slow food, em contraposição ao fast food, na luta pela valorização do ato de comer com a consciência da produção ao consumo do alimento. “O chamado para rever nossos hábitos relacionados à cadeia da mesa foi expandindo para outras áreas como a da beleza, das viagens, da Medicina, das finanças, e do urbanismo, até chegar numa concepção mais ampla, que é a slow life, que se propõe a acomodar todas as esferas da nossa vida”, explica Valéria Chociai, empreendedora, estudiosa da slow life e criadora do projeto “365 convites para desacelerar”.

E por ser algo tão contrário ao que por muito tempo foi pregado como sinônimo de sucesso (dar conta de diversas demandas, vivendo de forma acelerada), o slow living não é fácil de ser praticado instantâneamente. “É um estilo de vida, e a gente não muda do dia para a noite. Existe o que é possível fazer agora, que são pequenas mudanças, e o que a gente se programa para fazer a longo prazo, como, por exemplo, uma transição de carreira profissional", comenta Valéria.

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Escolha diária

“Eu gosto de falar que a gente transforma tudo como se fosse um ritual: tomar banho e se alimentar são rituais de bem-estar, por exemplo. Inclusive trabalhar pode ser um ritual. Se é para estar com a família depois de um dia corrido, esteja presente ali, com atenção. Se vai passear com o animal de estimação, aprecie o passeio sem levar o celular para não ficar ansioso respondendo as mensagens. Se vai praticar atividade física, acalme tua mente e viva o momento", exemplifica Maitê César de Carvalho, médica generalista com área de atuação em medicina preventiva e funcional, e idealizadora do Programa Saúde em Equilíbrio.

Maitê conta que há cinco anos foi diagnosticada com uma doença autoimune (alopecia areata) por conta do estilo de vida que seguia, com plantões, residência médica, trabalho com mais de 12 horas por dia e dormindo pouco. “Minha alimentação sempre foi boa, mas o estresse era tão intenso que mesmo me alimentando super bem, eu adoeci. Resolvi mudar o meu estilo de vida e fui totalmente contrária ao movimento da medicina em geral. Tive que escolher um estilo de vida que eu queria, mesmo que fosse contrário a muitos ideais estabelecidos.”, conta ela

Nunca será fácil, acredita a médica, considerando que há uma percepção equivocada de que, para alterar o estilo de vida é necessário possuir condição financeira e profissional privilegiada. Mas, considerando que o slow living é a busca pela presença, ele pode ser vivido por qualquer pessoa, sem restrição de classe social. “Justamente por ser uma escolha, eu sei que muitas pessoas por trabalharem em horários comerciais não têm possibilidade de alterá-los, mas por ser um movimento de pequenas coisas podem aplicá-las, seja em acordar um pouco mais cedo para ter um momento de silêncio, seja ir caminhando para o trabalho, apreciando o momento”, destaca Maitê.

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Slow living e pandemia

Para amenizar os momentos de preocupação, estresse e agitação que estamos vivendo em meio à pandemia, mais do que nunca se faz importante viver no estilo slow. “Já temos muitas notícias ruins. A realidade já está péssima com milhares de mortes no mundo por dia e não vai mudar ficar olhando para o negativo", diz ela.

"Vai fazer alguma diferença na realidade? Não. Vai fazer a diferença se a gente for proativo, se a gente tentar viver com mais harmonia perto das pessoas, falar de coisas boas e aplicá-las, e atuar de maneira mais positiva tentando trazer bem-estar para os outros”, aconselha Maitê que destaca a frase de Madre Teresa de Calcutá: “Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

A médica alerta que isso não é minimizar o sofrimento, considerando que todos têm sofrido com preocupações, ansiedades e demais dores, mas é focar numa ótica positiva e evitar entrar no ciclo vicioso do negativismo. "Eu acho que é um papel nosso, quase como uma obrigação nesse momento, de fazer um esforço para que a gente tente melhorar um pouco essa situação.”