Organizar o tempo de forma que a família toda possa interagir é fundamental para que as crianças aprendam a encarar o mundo lá fora.| Foto: National Cancer Institute/Unsplash
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A interação social é algo que faz parte do ser humano. Estar em contato com outras pessoas e pertencer a um grupo é natural do homem. E essas primeiras noções do convívio em coletividade iniciam em casa, no seio familiar. Por isso organizar o tempo de forma que a família toda possa interagir é fundamental para que as crianças aprendam a encarar o mundo lá fora.

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Para a psicóloga parental Andreia Coelho a palavra que melhor define essa necessidade é rotina. “Ter rotina organiza a vida e facilita o sono. Horário pra acordar, pra tomar café, pra almoçar é bom pra todos, desde bebês até idosos”, defende ela. A questão da organização dos horários ajuda a visualizar os momentos juntos e pra isso, ela orienta que se faça uma planilha, até com cartolina se precisar. Para que todos possam ficar a par dos planos.

Ter tempo de qualidade em família é o que busca a Andressa Vanso, mãe da Valentina, de 4 anos. Ela e o marido, afirma, são muito participativos para brincar com a filha e realizar atividades juntos. Tanto que muitas vezes os dois esperam a Valentina dormir para darem conta dos afazeres domésticos. “Eu e o meu marido estamos sempre junto com ela. A gente brinca de esconde-esconde, pega-pega, interagimos o tempo todo”, conta.

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A Valentina é filha única, por isso os pais procuram usar muito a palavra compartilhar. “Pra ela ter um senso de coletividade quando está com outras crianças e dividir os brinquedos”, revela Andressa. Esses exemplos vividos no dia a dia são fundamentais para criar a noção de cordialidade que se espera de um adulto. E no caso da pequena, parece estar funcionando. “A Valentina pede licença, sempre diz obrigada, por favor. Chega na casa da avó e diz bom dia pra todo mundo”, diz mãe, orgulhosa.

Os adultos também podem incluir os filhos nas tarefas domésticas até para dar uma noção de que as obrigações existem para todos. Angelita Divino, instrutora de yoga e terapeuta integrativa, colocou o filho mais velho pra ajudar em casa. “Ele fala que é um saco lavar a louça, que não tem sentido, mas faço ele fazer mesmo assim”. É uma das coisas que ela colocou na rotina deles, que tem hora pra tudo: para estudar, jogar, assistir TV, ficar no celular, e, no caso dela e do marido, trabalhar.

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E trabalhando de casa, Angelita precisa se organizar. O filho mais novo tem 2 anos, então exige atenção constante. “Não tenho como me isolar completamente. Estou sempre com a babá eletrônica ligada”, diz ela, que acredita ser a convivência familiar o melhor caminho para ensinar qualquer coisa para as crianças.

Conversar em casa e expor os problemas também é uma forma de fazer com que as os filhos encarem diversas situações de forma mais amena, destaca a psicóloga. Não precisa expor completamente a situação, mas permitir que eles lidem com adversidades auxilia na formação do caráter. “Contar que existem conflitos, que a raiva existe, mas que tem formas de resolver. Diálogo e exemplo são os melhores caminhos”, defende ela.

Angelita também é dessa opinião. Ela revela que as tensões fazem parte do dia a dia. “É nos momentos de crise que a gente cresce. Eu digo que são três opções: campo de batalha, em que você só luta; escola, em que você aprende e evolui; ou parque de diversões, em que você só se diverte. A gente escolhe”, conclui.