Sempre Família - Porque cuidar é fundamental

Conecte-se ao Sempre Família

Siga-nos:
PUBLICIDADE
Sonia Bermudez em frente ao cemitério particular em que enterra imigrantes venezuelanos
Reprodução/BBC Brasil
Virtudes e Valores

Colombiana enterra imigrantes venezuelanos que morrem na miséria, em cemitério particular

Famílias de imigrantes chegam até o cemitério de Sonia Bermudez por não terem condição de pagar pelo sepultamento de seus familiares

No norte da Colômbia, um modesto cemitério tem se tornado o consolo para muitos venezuelanos que partem em busca de uma vida digna em terras estrangeiras, mas que acabam se deparando com o descaso das autoridades e a morte. Sonia Bermúdez, de 64 anos é a responsável pelo “Gente como você”, um espaço onde independente da nacionalidade, haverá um final digno.

Após 40 anos trabalhando como cientista forense na cidade de La Guajira, agora Sonia dedica seus dias a enterrar corpos de homens mortos pela violência, mães e bebês que não resistiram ao parto, crianças que morreram por desnutrição, idosos que morrem de desgosto e um grande número de indigentes que têm em comum a nacionalidade: são venezuelanos em sua maioria.

De acordo com número da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível que o número de venezuelanos vivendo na Colômbia tenha ultrapassado os 850 mil. Muitos deles estão em situação de vulnerabilidade e reclamam do abandono por parte do consulado da Venezuela e do apoio de alguns órgãos colombianos. “Fomos ao consulado e nos disseram que não havia fundos para repatriar meu filho. No gabinete do prefeito nos ofereceram um caixão, mas não o espaço para enterrá-lo”, contou à BBC Brasil, Valbuena Sanchez, que perdeu o filho em julho deste ano.

E é graças ao trabalho de Sonia, que Valbuena e tantos outros venezuelanos estão conseguindo enterrar seus mortos com dignidade. “Quando as famílias chegam até mim, estão em uma situação muito precária”, lamenta Sonia. Seu trabalho costuma ser solitário, mas vez ou outra recebe ajuda para colocar os corpos nas gavetas de concreto feitas por ela mesmo, e fechá-las com cimento. O dinheiro gasto sai de seu próprio bolso, porque para ela esse é um trabalho divino. “Sinto que estou cumprindo uma lei divina, que é enterrar os mortos dignamente, como manda a lei de Deus”, explica.

No futuro, Sonia diz que gostaria que seu cemitério particular se tornasse uma espécie de parque com árvores e que tivesse um espaço coberto para que as pessoas possam visitar seus familiares com mais tranquilidade. Por enquanto ela busca maneiras de cercar o local para que ladrões não ameacem a paz de quem ali está enfim descansando.

***

Recomendamos também:

***

Curta nossa página no Facebook e siga-nos no Twitter.

 

Leia também