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O Sempre Família já publicou ótimos textos expondo o grave problema moral com o filme “Como eu era antes de você” que, com uma embalagem romântica, sugere que a deficiência física é justificativa suficiente para suicidar-se, promovendo essa sordidez como se fosse um gesto nobre e corajoso. Se você ainda não leu, confira lá a resenha no blog Além da Tela e as duas análises publicadas no blog Reginas.

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No último fim de semana, foi a vez da Gazeta do Povo publicar um excelente artigo assinado por Emily Murtagh, do Conselho Escocês de Bioética Humana. Ela vai além de criticar a história em si e destaca por que a promoção de ideias como essa em blockbusters pode ser tão nociva. Confiram um trecho e depois leiam a íntegra no site da Gazeta do Povo:

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Quando o cinema diz que não é bom ser você mesmo

“…As representações que vemos na literatura e nos filmes são muito importantes. Somos seres que processam o mundo por meio de histórias, e adquirimos recursos para seguir de forma mais efetiva pela vida através das lições aprendidas com as histórias alheias. Pelas histórias, tomamos consciência das alegrias e desafios daqueles que têm experiências de vida muito diferentes das nossas. As histórias nos ajudam a perceber que não estamos sozinhos no mundo. Às vezes, podemos ver nos personagens e suas experiências o nosso reflexo, e pensar “é bom ser eu mesmo”.

Mas e se a única representação da sua identidade que você vê na telona proclama em alto e bom som que não é bom ser você mesmo? E se uma das raras histórias que você vê protagonizadas por um homem paralisado tem seu ápice em um suicídio romantizado?

Como eu era antes de você termina com as palavras de Will, depois de ter tirado a própria vida, pedindo que Louisa viva com gosto, com audácia. Antes, no filme, ele já lhe havia dito que “é sua obrigação viver sua vida tão intensamente quanto for possível”. Essa mensagem inspiradora, no entanto, contradiz o caminho que ele escolhe trilhar. Como podemos concluir qualquer outra coisa, a não ser que a capacidade de andar é uma condição sine qua non para viver uma vida plena, gratificante, que vale a pena? Como eu era antes de você não oferece um personagem com deficiência que faça o contraste. O filme não dá pistas sobre o que é viver uma vida plena quando as circunstâncias mudam radicalmente – algo que tantas e tantas pessoas fizeram e seguem fazendo todo dia.”

Leia a íntegra do artigo no site da Gazeta do Povo.