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Felipe Koller

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Bispo renuncia e pede ao papa que o envie como missionário

Decisão de Gianfranco Todisco, de 71 anos, se assemelha à de cardeal canadense após o Concílio Vaticano II.

Gianfranco Todisco esteve à frente de sua diocese por 15 anos. Foto: Centro di Riferimento Oncologico di Basilicata.
Gianfranco Todisco esteve à frente de sua diocese por 15 anos. Foto: Centro di Riferimento Oncologico di Basilicata.

Um bispo italiano de 71 anos anunciou na última sexta-feira (21/04) a sua renúncia ao governo de sua diocese para voltar à vida de missionário em regiões de periferia. Gianfranco Todisco, bispo de Melfi-Rapolla-Venosa, uma diocese do sul da Itália, se diz inspirado pela pregação do papa Francisco.

O bispo escreveu ao papa em novembro, dizendo: “Nunca sonhei nem desejei esta função. Aceitei-a, porque sempre vi nas decisões dos superiores a vontade de Deus”. Membro da Congregação dos Pios Operários Catequistas Rurais, Todisco foi nomeado bispo em 2002, por São João Paulo II. Antes disso, tinha vivido 21 anos como missionário no Canadá e na Colômbia.

“Estou disposto a ir onde quer que Vossa Santidade considere oportuno me enviar, mesmo nos lugares mais distantes e necessitados, nas ‘periferias’ da Igreja que continuamente Vossa Santidade nos pede que não sejam negligenciadas”, escreveu o bispo a Francisco. Ele disse que, com o passar dos anos, cresceu cada vez mais a sua inquietude de “voltar à missão, mesmo como simples presbítero”.

Poucos dias depois, o papa lhe respondeu com um breve bilhete: “Querido irmão, li hoje a sua carta do último dia 7. Muito obrigado. Ela me fez bem. Pensarei nisso, rezarei e buscarei uma resposta ‘concreta’”.

Em dezembro, Francisco telefonou a Todisco e lhe perguntou se ainda estava disposto a partir. Em fevereiro, ficou acertada a data da sua renúncia ao cargo de bispo de Melfi-Rapolla-Venosa. Ele agora espera o anúncio de seu destino – provavelmente, Todisco vai para Honduras.

Todisco renunciaria ao governo de sua diocese em 2021, quando completasse 75 anos, como pede o direito canônico. Recentemente, ele ganhou certa notoriedade ao suspender temporariamente o papel de padrinhos e madrinhas em celebrações do sacramento da crisma em sua diocese.

Um antecedente: o cardeal Léger

O caso de Todisco lembra o do cardeal canadense Paul-Émile Léger (1904-1991). Membro da Sociedade dos Padres de São Sulpício, Léger foi arcebispo de Montreal de 1950 a 1968, quando renunciou ao ofício para partir como missionário para os Camarões. Lá, trabalhou junto a leprosos e crianças com deficiências.

O cardeal Léger, em sua missão em Yaoundé, no começo dos anos 1970. Foto: Ken Bell.
O cardeal Léger, em sua missão em Yaoundé, no começo dos anos 1970. Foto: Ken Bell.

Elevado ao cardinalato em 1953 pelo papa Pio XII, Léger teve um papel proeminente no Concílio Vaticano II (1962-1965). Em seu período em Yaoundé, ele trabalhou como um simples padre, sob a direção do arcebispo local. Léger morreu de pneumonia, aos 87 anos, em Montreal.

“Por que deixar o navio no momento em que ele enfrenta a tempestade?”, questionou o cardeal na conferência de imprensa em que anunciou a sua decisão, referindo-se ao período instável que se seguiu ao concílio. “É justamente esta crise religiosa que me incita a deixar um posto de comando para voltar a ser um simples padre missionário”.

“No Sínodo dos Bispos de 1967, durante a discussão sobre o problema da fé e do ateísmo, vivi um verdadeiro drama de consciência. O Senhor exige de mim atos, muito mais do que palavras”, explicou. O Beato Paulo VI não tardou em lhe enviar uma carta expressando a sua “emoção e íntima participação na séria e nobre decisão” de Léger.

“Agora que, respondendo a um chamado do alto, escolhestes, no seguimento e a exemplo de nosso Mestre e Senhor e segundo uma vocação muito especial, vos tornardes pobre com os pobres, enfermo com os enfermos e fraco com os fracos, nós nos sentimos ainda mais estreitamente unidos a vós e àqueles que continuam sendo os filhos prediletos de nosso Pai Celestial e membros privilegiados da Santa Igreja: os sofredores, os pobres, os infelizes, ou seja, todos aqueles que, na sociedade humana, têm particular necessidade de compreensão, de apoio e de ajuda”, escreveu Paulo VI.

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