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5 critérios equivocados que podem prejudicar o seu discernimento vocacional

Você está andando em círculos no seu discernimento vocacional? Talvez alguns desses critérios errados estejam te impedindo de caminhar para a frente.

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Às vezes passamos meses ou anos andando em círculos no discernimento vocacional, sem registrar o menor amadurecimento, porque nos deixamos levar por critérios errados. Não estamos atentos ao que verdadeiramente se passa dentro de nós e cedemos a qualquer vento que passa, montando armadilhas para nós mesmos. Isso quando não mascaramos algum desses critérios equivocados com lindas frases sobre busca da santidade e coisas assim.

Leia também: Como NÃO fazer discernimento vocacional? O padre Amedeo Cencini responde

O discernimento vocacional é um caminho que exige paciência, acompanhamento, serenidade e consciência de que o mais importante é estar com Cristo, imerso na misericórdia do Pai, agora e em cada momento. Fique atento a essas dicas para não deixar que algumas distrações façam você perder o seu tempo ou tomar a decisão errada:

  1. Uma vocação não é mais bela que a outra

Um católico que vive no Espírito sabe apreciar a beleza de todas as vocações que ele suscita na Igreja, desde a vida monástica na cartuxa até a solteirice de alguém que passou toda a vida adulta cuidando de seus pais idosos. Não se opta por um caminho vocacional porque ele é mais bonito que outro. Um celibatário que não souber ver a beleza do matrimônio será um péssimo celibatário, ainda mais se for pastor. Apreciar uma vocação não é critério para o discernimento vocacional – e, além disso, pode criar a ilusão de romantizar aquele caminho vocacional. Como orientava Santo Inácio de Loyola, uma saudável indiferença em relação às diversas opções que estão diante de nós é necessária para o discernimento (cf. Princípio e fundamento, Exercícios Espirituais).

  1. O seu temperamento não é um critério importante para o discernimento da vocação

Há quem veja um rapaz mais expansivo, comunicativo, e ache que ele deva seguir a vocação de missionário. Ou uma moça quietinha, comportadinha, e sugira que ela vá para o convento. Mas isso não ajuda em nada. Já ouvi abades e monges dizendo que uma tendência introspectiva não é, de maneira nenhuma, sinal de vocação à vida monástica, por exemplo. Se assim fosse, o que dizer de uma viúva que se tornou religiosa ou de um homem casado que foi ordenado presbítero (entre os católicos do Oriente ou de origem anglicana ou luterana)? São bipolares? O temperamento deveria ser um critério apenas em casos limite – ou melhor, não o simples temperamento, mas uma verdadeira condição psicológica que a pessoa possa ter desenvolvido.

  1. Você não é o salvador do mundo

Fique alerta para não cair na armadilha da soberba. Em nenhum caso, se opta por uma vocação para mostrar para os outros como é que se faz. Se você vive indignado com a situação do clero, da vida religiosa ou do matrimônio, não ache que você é a salvação da humanidade enviada por Deus como o único que sabe fazer as coisas direito. Uma vez ouvi um leigo consagrado dizendo que tinha terminado um namoro e optado pelo celibato porque não conseguia dedicar todo o seu amor a uma pessoa só: em seu coração cabia todo mundo. É preciso tomar cuidado com esse tipo de leitura da própria vida. Se você não consegue se entregar verdadeiramente a uma pessoa, por que imagina que conseguirá se entregar a dez, cinquenta ou cem? Não se entregará: passará apenas “roçando” pela vida das pessoas, ajudando um pouquinho, mas nunca fazendo uma experiência verdadeira de humilde renúncia de si mesmo e entrega por um rosto concreto.

  1. A vocação não vai isentar você do caminho de amadurecimento da sua sexualidade

Existem muitos casais católicos que estão casando cedo para evitar o sexo antes do casamento – como se a perseverança em Cristo pudesse ser resolvida magicamente com uma cerimônia na igreja: em um momento, a relação sexual é um ato completamente pecaminoso; no dia seguinte, um ato completamente santo. Essa é uma concepção de moralidade que passa completamente à margem do que verdadeiramente importa: o crescimento interior, o amadurecimento afetivo, o reconhecimento da dignidade do outro e a integração de toda a nossa sexualidade em uma vida vivida a partir do amor. Aliás, isso não vale apenas para o matrimônio: nenhuma opção vocacional resolve problemas de uma sexualidade imatura, que não está em um caminho de integração no amor de Cristo. A opção pelo celibato não elimina a sexualidade da sua vida.

  1. Fique atento para que a sua decisão não seja uma fuga

Um jovem descontente com a faculdade ou o emprego, uma garota que está tendo problemas de relacionamentos com seus familiares em casa ou com o namorado ou, às vezes, uma decepção com a vida em geral. Superados, esses podem ser momentos de grande amadurecimento, mas é preciso tomar muito cuidado para não fazer deles a ocasião de tomar uma decisão sobre a vocação, transformando o convento, o seminário, a comunidade de vida ou o mosteiro – e mesmo o casamento – em uma fuga. Assim como a decisão vocacional não resolve problemas de sexualidade, também não resolve problemas com o estudo, a família e o trabalho. Se você está passando por um momento de desolação como esses, espere o tempo passar e ponha a sua esperança em Cristo e não em um sonho de uma vida diferente. A pressa é inimiga de todo discernimento, sobretudo quando se trata de decisões definitivas.

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