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Felipe Koller
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Religiosa martirizada em 2006 na Somália será beatificada

Leonella Sgorbati será a pessoa que viveu mais recentemente a se tornar beata – posto antes ocupado por João Paulo II.

O papa Francisco aprovou hoje (09/11) o decreto reconhecendo o martírio de Leonella Sgorbati, uma religiosa do Instituto das Missionárias da Consolata morta em 2006 em Mogadíscio, na Somália. Com o reconhecimento de seu martírio, Leonella será beatificada e se tornará assim a pessoa que viveu mais recentemente a ter a sua santidade reconhecida pela Igreja – posto antes ocupado por São João Paulo II, que morreu em 2005.

Nascida em 9 de dezembro de 1940 em Gazzola, no norte da Itália, com o nome de Rosa Maria, ela ingressou no Instituto das Missionárias da Consolata em 1963, professando os votos perpétuos em 1972. Ela estudou enfermagem na Inglaterra e, em 1970, foi designada para trabalhar no Quênia. Lá, tornou-se em 1985 a tutora principal da escola de enfermagem adjunta ao Hospital Nkubu e em 1993 a superiora regional do seu instituto.

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Em 2001, transferiu-se para Mogadíscio a fim de estudar a possibilidade de abrir uma escola de enfermagem na cidade, o que aconteceu no ano seguinte. Em 2006, os primeiros 34 enfermeiros se graduaram, com diplomas expedidos pela Organização Mundial de Saúde, devido à situação política conflituosa da Somália. Eram jovens somális, a maioria muçulmanos.

A irmã Leonella partiu para a África aos 30 anos e lá consumou a sua vida.

Ela ainda retornou brevemente ao Quênia, com três das novas enfermeiras, e voltou a Mogadíscio em 13 de setembro de 2006, com alguma dificuldade, já que a capital agora era controlada por facções islâmicas.

No dia 17, um domingo, enquanto atravessava a rua depois de dar aula no hospital, ela foi assassinada a tiros por dois homens que a esperavam escondidos atrás de táxis e quiosques. Suas últimas palavras, já no hospital, onde se tentou salvá-la, foram: “Perdoo, perdoo, perdoo”. O muçulmano Mahamud Mohammed Osman, um guarda que a escoltava, também foi morto. Os suspeitos foram presos. Seu corpo foi levado a Nairóbi, no Quênia, onde está sepultado.

O papa Bento XVI referiu-se a ela no Ângelus do domingo seguinte, dia 24. “É com a paz que uma colheita de justiça é semeada pelos obreiros da paz” (Tg 3, 16-18). Estas palavras fazem pensar no testemunho de muitos cristãos que, com humildade e no silêncio, consomem a própria vida ao serviço dos outros, pela causa do Senhor Jesus, trabalhando concretamente como servos do amor e, por isso, ‘artífices’ da paz. A alguns se pede o supremo testemunho do sangue, como há poucos dias aconteceu também com a religiosa italiana irmã Leonella Sgorbati, que morreu vítima da violência”, disse o papa.

“Esta religiosa, que desde há muitos anos servia os pobres e os pequeninos na Somália, expirou pronunciando a palavra ‘perdão’: este é o mais autêntico testemunho cristão, sinal pacífico de contradição que demonstra a vitória do amor sobre o ódio e o mal”, completou o papa.

Leonella no dia em que professou os votos simples.
Leonella no dia em que professou os votos simples.

Uma cruz que pertencia a Leonella está desde 2008 na Basílica de São Bartolomeu, em Roma, dedicada aos mártires dos séculos XX e XXI. Seu processo de beatificação foi aberto em 2013. Agora, basta que aconteça a celebração da beatificação para que ela seja chamada Beata Leonella Sgorbati. Depois disso, se for reconhecido um milagre acontecido por sua intercessão, ela será canonizada.

É possível que o seu assassinato tenha sido uma retaliação de fundamentalistas islâmicos ao discurso de Bento XVI em Regensburg, cinco dias antes, sobre a relação entre fé e razão. No texto, que gerou reações polêmicas em todo o mundo, o papa citou – sem concordar com ele – um comentário ao islã feito pelo imperador bizantino Manuel II Paleólogo no século XIV. “Mostre-me o que Maomé trouxe de novo e você vai encontrar apenas coisas más e desumanas, como o seu mandamento de difundir pela espada a fé que ele pregou”, dizia o imperador.

Decretos

O papa Francisco também reconheceu o martírio de János Brenner, um presbítero diocesano morto em 1957 na Hungria, aos 25 anos de idade, a mando da ditadura comunista. Assim, Brenner também deve ser beatificado em breve.

Além disso, foram reconhecidas as virtudes heroicas de cinco servos de Deus, incluindo o papa João Paulo I. Os cinco precisam ainda que seja reconhecido um milagre atribuído à sua intercessão, para que então possam ser beatificados.

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