| Foto: Reprodução/ Facebook Empowerment Plan
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Veronika Scott era aluna de desenho industrial na College for Creative Studies (CSS), de Detroit, no estado norte-americano do Michigan, quando foi motivada por um de seus professores a criar algo que pudesse contribuir significativamente com sua cidade. Ela percebeu então, que havia muitas pessoas dormindo do lado de fora de abrigos, ainda que pudessem estar dentro deles. Surgiu então a ideia de criar um produto que os aquecesse durante o dia, mas fosse útil também nas noites frias.

Foi aí que nasceu o projeto de um casaco que se transforma em saco de dormir. Para isso ela fez uma pesquisa com um grupo de 30 homens sem-teto que estavam nos abrigos da região, afim de ser aconselhada sobre suas necessidades. “No começo eles ficaram com raiva por que eu estava incomodando, mas aos poucos se interessaram pela conversa”, contou ela ao The New York Times em 2012.

Cinco meses mais tarde Veronika produziu sua primeira jaqueta impermeável, que se transforma em um saco de dormir e ainda pode ser transportada facilmente ao se tornar uma espécie de mochila. “O protótipo era horrível. Levou 80 horas para ficar pronto e no fim pesava 20 quilos e cheirava mal”, disse ela ao site The Great Discontent. Apesar do desastre inicial, ela percebeu ali um aprendizado importante e tentou novamente. Foram três versões até que o casado ideal ficasse pronto.

O projeto foi elogiado por seu professor e colegas, mas não parou por aí. Quando aquele semestre terminou ela continuou a aprimorar seu produto e aquilo que era apenas um trabalho de faculdade se tornou, em 2012, uma organização sem fins lucrativos chamada de Empowerment Plan. “Um dos homens do abrigo acabou se tornando meu porta-voz e espalhou a notícia do casaco a todos que podia”, lembrou ela ao The Great Discontent.

Para manter a organização e produzir os casacos resistentes ao frio de Detroit, Veronika conseguiu o apoio de empresas de vestuário e especializadas em materiais para isolamento térmico. Até hoje algumas dessas empresas a mantém e assim ela pode entregar gratuitamente os casacos aos moradores de rua. O número de casacos já ultrapassou os 15 mil.

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Empregabilidade

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Mas além de ajudar os moradores de rua de Detroit a se manterem aquecidos, Veronika também tem ajudado muitos deles a sair da situação de vulnerabilidade em que se encontram. Tudo começou quando uma mulher sem-teto parou Veronika e lhe disse que eles não precisavam de casacos, mas, sim, de empregos.

Foi aí que ela decidiu contratar essas mulheres para que produzissem os casacos. O trabalho em período integral é uma maneira de tirar essas famílias do ciclo vicioso de pobreza e torna-las financeiramente estáveis. “Fazemos um trabalho intensivo de dois anos, focado no treinamento para o mercado e atuamos no apoio à nossa força de trabalho auxiliando-os em transporte e educação”, explica Veronika no site da organização. “Por causa desse modelo de cuidado e da força de vontade daqueles que empregamos que todas as pessoas saíram dos abrigos nas primeiras 4 ou 6 semanas de trabalho conosco, e ninguém voltou mais para lá” finaliza.