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Saúde

Vacinação contra a gripe reduz em até 45% internamentos por pneumonia

OMS registra todos os anos até 5 milhões de casos graves da doença e até 500 mil mortes

O inverno está chegando e com ele o aumento do número de pessoas que acabam adoecendo por causa da gripe e dos resfriados. Todas as faixas etárias estão sujeitas a ter essas doenças, mas normalmente são as crianças pequenas as mais afetadas. Mas não é preciso se preocupar ao primeiro espirro. Com um pouco de conhecimento e de atitudes preventivas, é possível diminuir as chances de contágio e lidar melhor com a doença caso ela apareça.

Embora tenham sintomas em comum, como dor no corpo, tosse, coriza (nariz escorrendo), resfriado e gripe são doenças distintas, causadas por tipos diferentes de vírus. Mas, enquanto o resfriado tem duração menor, com os sintomas desaparecendo em poucos dias, e febre baixa ou inexistente, a gripe pode se prolongar por mais de uma semana, com febre alta (mais de 38°) e duradoura. E nos casos mais graves a gripe pode evoluir para problemas respiratórios complexos e levar à morte, o que não acontece quando se trata de um resfriado.

A campanha gratuita de imunização feita pelo Ministério da Saúde é voltada para grupos vulneráveis (crianças entre 6 meses e 5 anos, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, idosos a partir dos 60 anos, indígenas, profissionais da saúde, doentes crônicos e população carcerária)

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos são registrados até 5 milhões de casos graves da doença e até 500 mil mortes. No Brasil, no ano passado 326 pessoas morreram por causa da gripe, mas o número pode ser bem maior, pois nem todos os casos de mortes são investigados com testes que identificam a gripe, sem contar que muitas mortes decorrentes de complicações da doença acontecem em períodos em que não é mais possível identificar a presença do vírus.

É por isso que normalmente os resfriados não precisam ser motivo de grande preocupação. Em pessoas saudáveis, os sintomas desaparecem em poucos dias sem deixar sequelas. Como não há um remédio específico para eles, os tratamentos buscam combater os sintomas através do uso de analgésicos e antitérmicos. Uma boa hidratação e repouso podem ajudar a contornar o período de maior mal-estar.

Já a gripe deve ser tratada com mais atenção. “É importante destacar que o impacto [da gripe] não é só individual, pois a pessoa gripada se torna um transmissor da doença até quando não tem sintomas aparentes. Além disso, ela pode afetar o ambiente de trabalho, a família e os amigos, e gerar ônus para os sistemas público e privado de saúde”, explica a médica Nancy Bellei, coordenadora do Comitê de Influenza da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Universidade Federal de São Paulo.

Uma doença cosmopolita

Os três tipos de vírus causadores da gripe (A, B e C) estão presentes no meio ambiente o ano todo. Os do tipo A são os mais comuns e incluem o conhecido H1N1, responsável pela pandemia de gripe de 2009. Os do tipo B (com duas linhagens distintas, Yamata e Victoria) ocorrem com menor frequência, mas podem causar epidemias localizadas. Já os do tipo C têm pouco impacto na saúde humana, sendo por isso desconsiderados em caso de elaboração de vacinas.

De ano para ano, a incidência de gripe (também chamada de influenza) varia geograficamente, assim como a dominância de determinados subtipos e linhagens dos vírus. Esses dados são levados em conta na hora de preparar as vacinas contra a doença para o ano seguinte e na organização de campanhas de imunização.

Independentemente do tipo de vírus, sua capacidade de mutação é muito grande. É essa característica que faz com que mesmo pessoas que já tiveram gripe possam voltar a ter a doença. O processo é distinto de outras doenças causadas por vírus, como o sarampo, em que a pessoa após ser contaminada (ou vacinada) acaba criando anticorpos que protegem o organismo.

“Isso não acontece com o vírus da gripe e, por isso, é preciso se vacinar todos os anos contra ela”, explica o médico infectologista e pediatra Marco Aurélio Safadi. Ele lembra que as vacinas protegem as pessoas apenas para alguns dos subtipos de vírus existentes, aqueles identificados com maior potencial de risco para determinado ano. Isso significa que mesmo vacinados podem contrair gripe causada por outros subtipos de vírus ou mutações não previstas. Mesmo assim, a vacinação é considerada pela Organização Mundial da Saúde como a única forma realmente eficaz de se prevenir contra a gripe.

Vacinas

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação contra a gripe pode reduzir em até 45% o número de internamentos por pneumonia, uma das complicações que a gripe pode causar e em até 75% o índice de mortalidade pela doença.

No Brasil, a vacina mais comum contra a gripe é a do tipo trivalente, a mesma usada na campanha do Ministério da Saúde. Ela protege a pessoa contra dois subtipos de vírus A (H1N1 e H3N2) e um de vírus B. Existe também a vacina tetravalente, que protege contra os dos subtipos do vírus B.

Nos casos mais graves a gripe pode evoluir para problemas respiratórios complexos e levar à morte, o que não acontece quando se trata de um resfriado

Atualmente, a campanha gratuita de imunização feita pelo Ministério da Saúde é voltada para grupos vulneráveis (crianças entre 6 meses a menos de 5 anos, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, idosos a partir dos 60 anos, indígenas, profissionais da saúde, doentes crônicos e população carcerária). Mas as vacinas também estão disponíveis na rede privada, incluindo a tetravalente. A mais recente é a do laboratório Sanofi Pasteur, a única tetravalente autorizada para aplicação em crianças a partir dos 6 meses de idade. O laboratório mantém inclusive um Serviço de Informação sobre Vacinação gratuito pelo telefone 0800-148480.

As vacinas podem ser aplicadas em qualquer pessoa, menos em casos de alergia a ovos (usado na produção das vacinas) ou contraindicação médica. No caso de crianças, as vacinas podem ser dadas a partir dos seis meses de idade. Se na família há uma criança menor de seis meses, a recomendação médica é que todos os familiares sejam imunizados, diminuindo o risco de contágio do bebê. As grávidas também podem e devem ser vacinadas, como explica Safadi. O infectologista lembra que a febre alta, sintoma comum da gripe, pode levar a problemas graves não apenas para a mãe, mas também para o bebê em formação.

Cuidados essenciais

  1. Crédito: Bigstock.
    Crédito: Bigstock.

    Além da vacinação, algumas ações podem ajudar a diminuir o risco de contágio, embora não tenham eficiência comprovada. A mais conhecida delas é manter os ambientes ventilados. O acúmulo de pessoas em recintos fechados é um dos maiores meios de disseminação da doença. É justamente por isso que os casos aumentam durante o inverno.

  2. Caso você esteja com gripe, pode ajudar a evitar a disseminação do vírus cobrindo o nariz e a boca sempre que tossir ou espirrar. E, quando for fazer isso, use o antebraço como anteparo e não as mãos, principais veículos de contaminação.
  3. Os lenços de papel devem ser os preferidos por serem descartados após o uso. Lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel para higienização são outras medidas importantes.
  4. Cuidar da saúde em geral, com uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, boas noites de sono e acompanhamento médico regular também ajudam a diminuir a incidência de casos de gripe e resfriado por ajudarem na resistência do organismo.

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