HerForce é uma plataforma que conecta empresas e mulheres em busca da igualdade de gênero no mercado de trabalho
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Das boas experiências que vivemos podem surgir ótimas ideias. Mas, daquelas situações que complicam nossa vida e trazem certo desconforto, também é possível tirar lições importantes e até o estímulo que faltava para iniciar um projeto novo. Foi ao experimentar alguns dissabores no mercado de trabalho, por exemplo, que Silaine Stüpp, de 37 anos, decidiu criar a HerForce, uma plataforma que conecta mulheres a empresas que valorizam a equidade de gênero em seus quadros.

Silaine foi modelo internacional até os 28 anos de idade e aos 33 estava se formando no curso de Marketing, e começou a busca por um emprego. Foi aí que o comportamento de alguns recrutadores e mesmo donos de empresa chamou a atenção dela. “As empresas pareciam muito mais preocupadas com a possibilidade de eu engravidar em breve e até com a aprovação do meu marido sobre eu trabalhar fora”, lembra. Isso a incomodou bastante e a fez refletir sobre como o mundo corporativo recebe as mulheres.

Somado a esse questionamento, Silaine recebeu o diagnóstico de um câncer no útero, em 2017. Era o que faltava para que ela decidisse fundar a HerForce, que começou a ser planejada em janeiro de 2018 e em novembro do mesmo ano já contava com seu primeiro protótipo. “Depois daquela notícia mudei meu comportamento e prometi a mim mesma que nunca mais ficaria calada diante de qualquer situação. Ainda há muito a ser feito nessa área, mas era preciso começar de algum modo e nós começamos!”, celebra.

Panorama

Mas claro que a desigualdade de gênero no mercado de trabalho não era uma percepção apenas de Silaine. A comprovação disso se dá por meio de uma pesquisa online feita, em 2018, pela HerForce, com 1,2 mil mulheres de todo o país e que trouxe um panorama sobre essa questão. Silaine e sua equipe também entrevistaram 50 mulheres presencialmente ou por videoconferência.

Os dados colhidos mostraram que 72% das mulheres sentem que a maternidade poderia ameaçar ou que, pior ainda, já havia ameaçado seu crescimento profissional. Além disso, 83% das entrevistadas já haviam sofrido ou presenciado assédio moral no ambiente de trabalho e 57% entravam nas estatísticas do assédio sexual. E em quase todas (97%), havia o desejo de conhecer melhor as empresas antes de se candidatarem a qualquer vaga de trabalho dentro delas, e assim não terem qualquer problema relacionado à discriminação por serem mulheres.

Conectando empresas e mulheres

Para as mulheres, a plataforma possibilita avaliar uma empresa em que ela já tenha trabalhado e mesmo aquela em que ela está, e acessar vagas de trabalho. As avaliações são anônimas dando total liberdade para que as usuárias revelem de fato o que acontece de ruim no mundo corporativo, mas, também, mostrar as boas práticas em várias empresas brasil afora.

Já as empresas têm no site um espaço para divulgar suas oportunidades e deixar um perfil corporativo, mostrando de maneira clara às usuárias o que faz com que ela seja um ambiente que valorize as mulheres em seus postos de trabalho. A HerForce oferece às empresas, ainda, um pacote de serviços para ajudar as marcas a se aperfeiçoem no campo da equidade de gênero.

Na trilha para a transformação daquele ambiente, a empresa passa por um diagnóstico, um treinamento para líderes e funcionários, o incentivo à mudança de cultura corporativa e o trabalho de atração e recrutamento de profissionais mulheres. As marcas que completam o percurso de aperfeiçoamento recebem um selo digital. “Até agora temos 4 mil mulheres cadastradas mais de 10 empresas clientes”, diz Silaine.

“A ideia de uma plataforma com toda uma segurança para a mulher é incrível, precisamos ter pessoas que pensem mais no mercado de trabalho para as mulheres”, diz anonimamente uma das usuárias da HerForce. “Nos processos seletivos percebo que preferem homens, ou pessoas que não tenham filhos. As empresas deveriam pensar mais em todas as soft skills que as mulheres adquirem ao se tornarem mães. Todos sairiam ganhando”, argumenta outra.

A chegada de um milagre

O câncer no útero descoberto por Silaine em 2017 fez com que ela tivesse de passar por uma cirurgia e se comprometer a acompanhar o problema durante toda a vida. Mas eis que, apesar de toda a preocupação acerca do problema, em 2019 Silaine engravidou. A gestação de risco fez com que ela ficasse bastante em repouso, para que não houvesse qualquer complicação para o bebê. Ainda assim, ela pôde coordenar a HerForce e há dois meses têm em seus braços o pequeno Vito, um milagre em sua vida.

semprefamilia

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