Cuidado

Por que o distanciamento social é a melhor arma que temos para combater o coronavírus

É possível transmitir o coronavírus por pelo menos cinco dias antes de os sintomas aparecerem

  • PorThomas Perls*
  • The Conversation
  • 18/03/2020 11:45
É possível transmitir o coronavírus por pelo menos cinco dias antes de os sintomas aparecerem
| Foto: Cody Doherty/Unsplash

O distanciamento social é um recurso que os especialistas em saúde pública recomendam com o fim de diminuir o alcance de uma doença contagiosa. Para dizer de modo simples, significa que as pessoas se mantêm a uma boa distância umas das outras de maneira que o coronavírus – ou qualquer outro patógeno – não se espalhe.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo norte-americano delineiam o distanciamento social como a abolição de eventos de massa e a preservação de uma distância de dois metros de qualquer pessoa. Em muitos lugares, por exemplo, os cinemas estão fechados, congressos foram cancelados e escolas suspenderam as aulas.

Eu deixei de pegar o metrô durante o horário de pico. Agora, trabalho de casa ou vou ao trabalho de carro com minha esposa – ou pego o metrô em horários de pouco movimento, de modo que possa manter esses dois metros de distância.

O distanciamento social também significa não tocar outras pessoas, e isso inclui apertos de mão. O contato físico é a maneira mais provável de pegar o coronavírus e o modo mais fácil de espalhá-lo. Então lembre-se: mantenha dois metros de distância e não toque em outras pessoas.

Esse recurso não é capaz de prevenir 100% as transmissões, mas por meio dessas simples regras nós podemos desempenhar um papel fundamental na desaceleração da disseminação do vírus. Se o número de casos não for mantido abaixo da capacidade do sistema de saúde, os hospitais podem ficar sobrecarregados, causando óbitos e sofrimentos desnecessários.

Há alguns outros termos que você pode ter ouvido por aí, além de distanciamento social. Um deles é autoquarentena. Isso significa isolar-se dos outros quando há uma possibilidade razoável de você ter sido exposto a alguém com o vírus. Outro termo é “quarentena compulsória”. Isso ocorre quando autoridades governamentais dizem que uma pessoa deve permanecer em um lugar – por exemplo, sua casa – por 14 dias.

Por que o distanciamento social funciona?

Se realizado corretamente em larga escala, o distanciamento social quebra ou desacelera a cadeia de transmissões de pessoa a pessoa. É possível transmitir o coronavírus por pelo menos cinco dias antes de os sintomas aparecerem. O distanciamento social limita o número de pessoas com as quais uma pessoa infectada entra em contato – e potencialmente contagia com o vírus – antes mesmo de que ela perceba que está com o coronavírus.

É muito importante levar a sério a possibilidade de ter se exposto ao vírus e praticar a autoquarentena. De acordo com uma pesquisa publicada recentemente, a autoquarentena deve durar 14 dias, de modo a cobrir o período de tempo durante o qual uma pessoa pode apresentar os sintomas da Covid-19, a doença causada pelo coronavírus. Se depois de duas semanas os sintomas não aparecerem, então é razoável encerrar a quarentena.

Por que o distanciamento social é tão crucial

Mesmo que não haja a necessidade de autoquarentena devido à possibilidade de ter se exposto ao vírus, convém adotar o distanciamento social. No momento, é a única arma à disposição para lutar contra a disseminação do coronavírus. Os especialistas estimam que uma vacina contra o vírus pode demorar de 12 a 18 meses para estar disponível. Tampouco há medicamentos que atuem contra uma infecção pelo coronavírus.

Sem uma forma de tratar quem contraiu a Covid-19 ou de imunizar a população contra o coronavírus, a única tática efetiva é garantir que cuidados hospitalares estejam à disposição de quem precisar. E o caminho para fazer isso é parar ou retardar a disseminação do vírus e assim diminuir o número de casos simultâneos da doença.

Quem deve adotar o distanciamento social?

Todos devem praticar o distanciamento social de modo a prevenir um tsunami de casos. Sou geriatra, ou seja, cuido das pessoas mais vulneráveis: frágeis idosos. Certamente, esses indivíduos devem fazer todo o possível para proteger a si mesmos, praticando diligentemente o distanciamento social e mudando a forma de se expor publicamente até que a pandemia passe.

As pessoas que não são tão frágeis precisam fazer tudo o que podem para proteger as que são mais frágeis, ajudando a minimizar a exposição ao coronavírus. Se a população como um todo levar a sério o distanciamento social, poderemos evitar o colapso do sistema de saúde. Boa parte de como essa pandemia vai se desdobrar está nas mãos de escolhas individuais.

*Professor de Medicina da Universidade de Boston, nos Estados Unidos.

©2020 The Conversation. Publicado com permissão. Original em inglês.

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