Limpeza de vasos sanitários é importante para evitar possível forma de transmissão do coronavírus via fezes.| Foto: Matthew Argall/Wikimedia Commons
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Manter distância de pessoas infectadas, lavar bem as mãos e evitar tocar no rosto são algumas das principais medidas de prevenção contra o coronavírus. Mas, para reduzir ainda mais as chances de contágio, infectologistas têm recomendado outro cuidado simples: limpar bem os vasos sanitários.

Isso porque o coronavírus poderia estar afetando o sistema digestivo de alguns infectados, de acordo com pesquisas preliminares sobre a doença. Alguns pacientes ao redor do mundo reportaram sintomas como diarreia e náusea, por exemplo.

Em um estudo chinês, pesquisadores detectaram traços do vírus no intestino de doentes. Nos Estados Unidos, segundo uma especialista da Sociedade de Doenças Infecciosas da América (IDSA), o coronavírus estava presente nas fezes do primeiro portador da doença registrado no país.

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Transmissão pelas fezes ocorre com vírus semelhantes ao coronavírus

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As pesquisas sobre a transmissão do coronavírus pelas fezes ainda são preliminares, mas os infectologistas se baseiam na experiências com outros vírus semelhantes ao Covid-19 para recomendar atenção à limpeza de banheiros. Sanitários públicos merecem especial cuidado.

“A gente está usando, em relação ao coronavírus, toda a estratégia que a gente tem para vírus respiratórios”, diz Jamal Suleiman, infectologista do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

Mesmo que os estudos não sejam conclusivos sobre a relação entre as fezes e a transmissão do coronavírus, é importante não abrir espaço para essa possível forma de contágio. “É definitiva essa relação? Não é. Se não é definitiva, então a recomendação é higienizar todas as superfícies do banheiro, o que inclui o vaso sanitário. O que a gente faz para outros vírus, a gente faz para esse também”, explica.

Segundo a infectologista Maria Beatriz Dias, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, os cuidados com essa forma de transmissão da doença são especialmente importantes para profissionais de saúde como enfermeiros. “Nos hospitais, em que o pessoal de saúde pode estar exposto à manipulação de fezes dos pacientes, isso traz uma preocupação maior”, diz ela.

Apesar da preocupação necessária, ela recorda que essa via de transmissão é “provavelmente, pouco importante na cadeia epidemiológica”, se comparada a outras vias. Os principais cuidados devem continuar sendo o distanciamento social, a higiene das mãos e evitar toques no rosto.

Limpeza pode ser feita com produtos convencionais

A higiene dos vasos sanitários, segundo os infectologistas, pode ser feita com produtos convencionais de limpeza, como águas sanitárias e desinfetantes. “As águas sanitárias que estão no comércio servem perfeitamente para esse tipo de coisa”, diz Suleiman. Maria Beatriz acrescenta que o coronavírus “não é resistente” aos produtos habituais de limpeza.

O álcool 70, isto é, com concentração alcoólica de 70%, pode ser usado, mas, segundo Suleiman, não é necessário. Produtos de menor preço, como a própria água sanitária, têm eficácia semelhante na eliminação do vírus.

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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