Prevenção

Como usar, limpar e produzir a máscara caseira de forma certa

Apesar da liberação do uso da máscara pelas autoridades de saúde, dúvidas sobre como e quando usar persistem

  • Por Moreno Valério
  • 06/04/2020 10:23
Guia de como fazer, limpar e usar a máscara contra o coronavírus
| Foto: Bigstock

Está liberado, e inclusive é recomendado, o uso das máscaras de pano, feitas em casa, para tentar conter a disseminação do novo coronavírus. O próprio Ministério da Saúde divulgou na última semana um tutorial de como produzir o item em casa. Ele também inseriu um vídeo novo para ajudar a fazer em casa de forma bem simples.

Ainda assim, dúvidas sobre como e quando usar, como fazer uma higienização adequada e as especificações sobre a produção desse produto persistem. Pensando nisso, a Gazeta do Povo preparou esse guia com todas as informações sobre a máscara caseira. Confira:

Por que e quando usar?

Antes de começar a cortar o tecido da camisa velha para transformar em máscaras para toda a família, tenha em mente o seguinte fato: as máscaras não vão protegê-lo de se infectar pelo novo coronavírus.

Especialistas da área reforçam que a proteção não é para quem está usando a máscara, mas sim para que essa pessoa não transmita, por meio das gotículas de saliva, o vírus que possa estar ali presente. Assim, o item deve ser usado sempre que for necessário sair de casa e, nesse trajeto, encontrar outras pessoas.

"A ideia por trás de todo mundo usar a máscara caseira, que serve como barreira segurando essas partículas, vem dos estudos que mostraram que uma grande parcela da população pode se infectar com sintomas leves ou até nenhum sintoma", afirma Lucy Ono, professora de microbiologia e virologia do Departamento de Patologia Básica da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Como não é possível realizar o teste na maior parte da população para saber quem, de fato, foi infectado ou não, o item reduziria o contágio por uma barreira física. Outro ponto para se compreender, é de quem deve usar. "Tem que entender que essa mascara nao é para profissional de saúde, não é uma recomendação para ser usada em hospitais, é recomendação para ser feita em casa", aponta Viviane Macedo,  infectologista e professora do curso de Medicina da Universidade Positivo

Quais tecidos são indicados?

Uma pesquisa realizada em 2013 pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, avaliou vários materiais que poderiam ser utilizados para a confecção de máscaras de proteção facial. Vários tecidos foram testados, como algodão de camiseta, toalha de cozinha e até mesmo o filtro do aspirador de pó.

Embora cada um tivesse uma pontuação significativa, para os especialistas, o mais recomendado é o tecido de algodão. "O que a gente tem estudado na comissão do controle do novo coronavírus, os tecidos de algodão (100%) têm se mostrados mais eficientes em barrar a liberação dessa partículas no ambiente", esclarece Lucy Ono, que também faz parte de uma comissão especial na UFPR que faz o acompanhamento e controle da propagação do coronavírus na universidade.

"[O Ministério da Saúde] Orienta utilizar qualquer tecido, com dupla camada. Mas de estudo que já foram feitos, o melhor seria o algodão ou uma mistura que tenha algodao, já que oferecem uma proteção um pouco melhor", concorda Macedo.

Quais as medidas da máscara?

A máscara caseira, para ser funcional, precisa seguir as mesmas normas de uso da máscara cirúrgica. Ou seja, para se ter a maior eficiência, é preciso que o encaixe diminua as áreas expostas.

Regiões do nariz e boca devem estar totalmente cobertos pelo tecido, e é importante deixar duas fitas do material, ou incluir depois elásticos, para fazer a amarração adequada na cabeça.

Confira aqui um passo a passo de como montar a máscara em casa.

Ainda assim, algumas áreas ainda ficarão descobertas e é preciso manter a atenção. "Ficam brechas, como na região perto do nariz fica um vão, onde podem entrar gotículas contendo vírus", avisa Edvaldo Antonio Ribeiro Rosa professor titular de microbiologia na Escola de Ciências da Vida da PUC-PR.

Outra atenção é para a colocação e retirada da máscara. É necessário higienizar as mãos com água e sabão antes de colocar e antes de retirar. "A pessoa não deve tocar na máscara, principalmente na região frontal, porque essa região tem maior probabilidade de contaminação", aconselha a professora da UFPR.

A máscara molhou, e agora?

Um cuidado específico com as máscaras feitas em casa é quando elas umedecerem. Assim que elas ficarem úmidas na parte frontal, é preciso realizar a troca. Por isso, o Ministério recomenda a utilização por no máximo duas horas, mas o tempo pode variar conforme o tecido.

"A máscara quando se torna úmida não faz mais a barreira dessas gotículas para o ambiente. A duração do uso vai depender do tecido que a pessoa confeccionou para fazer a máscara. Pode não durar duas horas e aí é necessário trocar", alerta Lucy Ono.

Como lavar?

As máscaras precisam ser lavadas logo após o uso. A indicação do Ministério da Saúde é que se deixe de molho o item em uma solução de água e água sanitária. A medida certa para tal mistura é de:

  • Duas colheres de sopa de água sanitária em um litro de água, por 30 minutos.

Após esse período de espera, pode-se lavar normalmente com água e sabão e, se possível, secar ao sol. Caso não seja possível a lavagem logo após o uso, guarde a máscara em uma sacola plástica – visto que ela pode estar contaminada – e realizar o procedimento de higienização o quanto antes.

Re-Utilização?

Apesar de não serem descartáveis, as máscaras têm um uso limitado recomendado. Isso porque, a cada lavagem e secagem, as fibras do tecido vão se separando, deixando espaços cada vez maiores.

"Depois de lavar quatro ou cinco vezes, a fibras estão muito abertas. Por isso que máscaras de pano não poderiam ser usadas repetidamente e precisariam ser descartadas depois de duas ou três lavagens. A capacidade dela em reter as gotículas contendo o coronavírus perde a eficiência. O que antes era filtro com baixa retenção vira uma peneira", alerta Edvaldo Rosa, professor de microbiologia.

Outros cuidados

A maior preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos especialistas é a falsa sensação de segurança que a máscara pode trazer. Sejam elas caseiras ou cirúrgicas, os itens são mais um método de prevenção e que não devem substituir nenhum outro.

Ou seja, a atenção deve permanecer a mesma com relação à higienização das mãos e ao isolamento social, bem como em evitar tocar o rosto com as mãos (mesmo com a máscara), mesmo que esteja usando a máscara.

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