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João Pedro da Luz Neto

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#Resenha: “O americano tranquilo” – Graham Greene

O incrível triângulo amoroso que tem como pano de fundo a guerra da Indochina

Bigstock

Histórias de guerra tendem a nos comover – pelo menos aos corações mais sensíveis – já que a guerra produz um cenário horroroso de ódio, desespero, desconfiança, instabilidade, morte e de miséria, social e sobretudo humana. O americano tranquilo, romance do inglês Graham Greene, considerado um dos maiores autores do século XX, nos apresenta um incrível triângulo amoroso que tem como pano de fundo a Guerra da Indochina ocorrida entre 1946 e 1954 e que nos mostra um pouco do horror da guerra ao tratar das disputas políticas e das misérias humanas de um modo particular.

Thomas Fowler é um repórter de guerra que conhece em Saigon Alden Pyle, um americano enviado ao Vietnã para uma missão misteriosa. Pyle é um jovem idealista, ingênuo e que encontra em Fowler um bom amigo, que se simpatiza com esse “americano tranquilo”. No entanto, a amizade entre os dois começa a ser abalada quando Pyle se apaixona por Phuong, a amante vietnamita de Fowler que deixara sua esposa em Londres.

A história é narrada pela boca de Fowler, um repórter já experiente, cético e que luta o tempo todo para não tomar partido em meio as disputas, mas não consegue esconder como tudo o que vê o afeta e como gostaria de que todo aquele sofrimento fosse extirpado. Fowler vive um casamento de fachada, Phuong, é sua nova paixão, seu sentido de vida, a tranquilidade que busca para o final de sua vida. Phuong é uma mulher delicada, submissa ao seu amante e que sonha com um casamento. Ela não é o tipo de mulher apaixonada – até parece que o amor, tal qual como o concebemos, não tem espaço em sua vida – o que busca é segurança e proteção, como uma criança. Pyle tenta conciliar suas teorias aprendidas em manuais com a dura realidade da guerra e sem ter nenhuma experiência “prática”.

O triângulo amoroso em que estão metidos os três personagens não apresenta, ao fim das contas, um drama puramente sentimental desses que encontramos em qualquer banca de jornal, mas tem a capacidade de penetrar a complexidade dos desejos e sentimentos humanos, dos estratagemas que as ambições humanas são capazes de criar, de lidar com questões que inquietam o coração humano desde sempre: o medo da morte, o problema do mal, a visão do outro que é totalmente diferente de mim. Creio que é isso que torna o romance maravilhoso: a contraposição dos conflitos políticos com os conflitos pessoais que, no entanto, se apresentam como um espelho capaz de refletir também a nossa condição humana.

O americano tranquilo Graham Greene Trad.: Cássio de Arantes Leite Biblioteca Azul 228 págs.
O americano tranquilo
Graham Greene
Trad.: Cássio de Arantes Leite
Biblioteca Azul
228 págs.

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