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autor do Prosopon
João Pedro da Luz Neto

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# Resenha: Os muitos livros de “O Leitor do trem das 6h27”

Como os livros podem alterar a vida das pessoas? Como obras de literatura condenadas à destruição podem transformar e unir tantas histórias?

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Romance de estreia do francês Jean-Paul Didierlaurent, “O leitor do trem das 6h27” é uma daquelas histórias que parece não prometer muita coisa ao início, mas que a cada capítulo te surpreende e enche o coração. O romance conta a história de Guylain Vignolles, um funcionário de uma usina que destrói encalhe de livros, nada contente com sua profissão, e até mesmo com sua vida.

Mesmo sendo um amante da leitura, todos os dias Guylain Vignolles tem a terrível tarefa de enfrentar a monstruosa Coisa, a grande máquina de destruição de livros. Porém, ao final de cada dia ele resgata algumas páginas da grande máquina e as lê no caminho de ida para o trabalho, justamente no trem das 6h27. A leitura é sempre em voz alta e parece não resultar indiferente aos ouvidos dos diversos “expectadores” que o trem lhe oferece. Dois ouvidos em especial são atraídos pela sua leitura: as irmãs Delacôte que todas as segundas e quintas pegam o trem apenas para ouvir a leitura de Vignolles.

Em uma manhã fria de março, o apaixonado leitor encontra um pendrive cheio de textos no assento retrátil do trem onde costuma se sentar para a sessão de leitura.  Os textos misteriosos que descobre farão a sua vida tomar um rumo inesperado, enchendo de cor e sentido a rotina do triste leitor.

O romance é permeado de leveza e até comicidade mesmo entrelaçando histórias de sofrimentos de pessoas também solitárias que fazem parte da vida de Vignolles. O mais interessante dessa história é ver a generosidade que brota desses corações e o sentido que suas vidas, aparentemente insignificantes, dão umas para as outras. É curioso notar que esse sentido se dá por meio da literatura: a paixão pelas letras está presente, a seu modo, em cada personagem dessa história que encontra na literatura o alento que lhes falta no dia a dia.

Para mim essa foi sempre a “função” (se é que precisa mesmo de função) da literatura: dar sentido à nossa vida cotidiana, trazer cor para nossa rotina cinza, pesada, que deixa de ter um olhar de gratidão às pequenas coisas que nos cercam e que nos fazem felizes, que não nos faz perceber, muitas vezes, as pessoas que realmente dão sentido às nossas vidas. Por isso escolhi este livro para inaugurar o Prosopon: desejo que as resenhas aqui publicadas inspirem boas leituras que tragam novo fôlego para nossas vidas e que desperte em cada leitor um amor ainda maior pelos livros.

Jean-Paul Didierlaurent Trad.: Adalgisa Campos da Silva Intrínseca 176 págs.

O leitor do trem das 6h27
Jean-Paul Didierlaurent
Trad.: Adalgisa Campos da Silva
Intrínseca
176 págs.

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