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Crédito: Divulgação.
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Entrevista

Palavra Cantada: 20 anos dedicados à música infantil de qualidade

Paulo Tatit fala sobre a relação da Palavra Cantada com o mundo escolar, os fãs que cresceram e o que mudou em duas décadas de carreira

Vinte anos atrás, a vontade de Sandra Peres e Paulo Tatit de produzir música nova e de qualidade para crianças deu origem ao projeto inicialmente despretensioso da Palavra Cantada. Quase duas décadas depois do primeiro CD, Cantigas de Roda, de 1996, a dupla – e toda a equipe que a acompanha – é considerada por muitos como a maior referência contemporânea no país quando o assunto é música infantil.

São justamente as canções desse CD que compõem o DVD comemorativo dos 20 anos de carreira. São 10 clipes animados que têm o objetivo de mostrar a riqueza do repertório tradicional das cantigas de roda brasileiras.

Crédito: Divulgação.
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Cada clipe do DVD foi feito por um artista, que pôde usar o seu traço e teve liberdade para criar em cima das músicas. “Os personagens Pauleco e Sandreca aparecem algumas vezes, adaptados à linguagem de cada traço, inseridos no universo criado por cada artista”, acrescenta Cecília Esteves, coordenadora do projeto.

Numa iniciativa inédita, durante todo o mês de agosto, o novo trabalho terá pré-estreia exclusiva no Playkids, aplicativo que oferece atividades educativas e de entretenimento para crianças de até 5 anos.

Confira abaixo a breve entrevista concedida por Paulo Tatit ao Sempre Família sobre os 20 anos da Palavra Cantada:

 

Você pode citar quais foram as principais mudanças na Palavra Cantada nesses 20 anos de carreira?

Desde o início, quando eu e a Sandra resolvemos começar esse trabalho, nós sabíamos que queríamos lidar com humor e poesia, então os nossos quatro primeiros discos foram bastante focados nesse binômio.

Depois a gente resolveu fazer uma pesquisa por todo o Brasil para descobrir as músicas que as crianças do país cantavam. Foi uma pesquisa intensa que durou uns três anos. Nesse período nós percebemos algo muito presente em qualquer criança, de qualquer região, que é a energia. Criança tem muita energia e a relação dela com a música funciona melhor se a música tiver energia. Incorporamos, então, esse terceiro elemento às nossas produções. Isso quer dizer que passamos a usar mais o tambor e aquele tipo de canto bem rasgado. Mas é claro que esse foco não nos impediu de ainda lançar, eventualmente, obras mais poéticas, voltadas a bebês ou mesmo o disco de Natal.

E hoje, no que a Palavra Cantada se inspira?

Hoje em dia a gente mistura um pouco disso tudo e se preocupa menos com essas questões de adulto. Eu vejo que estamos olhando cada vez mais para a criança e menos preocupados em agradar aos adultos. Eu quero que a nossa música alcance direto a criança, que a ajude a colocar palavras nos sentimentos, que a ajude a pensar. É como um jogo de tentar adivinhar o que seria o mais útil para a criança, na visão dela, inclusive para aquela criança que é sozinha no mundo, que tem família desestruturada. A gente tenta dar elementos estéticos para essa criança se expressar.

Você e a Sandra, sendo músicos tão competentes, poderiam investir em praticamente qualquer público. O que os mantém fieis às crianças por tanto tempo?

Eu fui me aprofundando com essa coisa de criança aos poucos. Acho que a música infantil me motiva porque ela me permite ficar num campo de experimentação que satisfaz. Eu não gosto de ritmos prontos, não tenho afinidade com músicas radiofônicas. Gosto de construir aos poucos e ver no que dá, ver se fica com cara de Palavra Cantada, sem ter de definir se aquilo é samba ou é rock ou é maracatu. A música infantil permite isso, o mercado é mais aberto.

Hoje eu estou tão imerso nesse mundo que, quando componho, eu penso na música primeiro e depois na letra. Se eu acho que a música não está infantil, que está muito adulta, nem desenvolvo. Outras vezes eu penso que a música pode ficar de criança se eu mudar uma coisinha ou outra. Eu até tenho algumas músicas de adulto guardadas, mas confesso que nem sei o que fazer com elas.

Acontece de vocês encontrarem fãs que ouviam as músicas de vocês quando eram crianças, lá nos anos 90, e que hoje são adultos?

Sim, muito. Quem mixou várias das nossas canções, por exemplo, foi o João Milliet, que cantou com a gente em 1998 a música Pindorama. Era uma criança e depois virou um ótimo músico e um super produtor musical. Tocou com a gente por três anos.

Outro público que também é grande divulgador do trabalho de vocês são os professores. Como é a relação da Palavra Cantada com esse mundo escolar?

Desde que a gente surgiu houve muito contato com professores, eles sempre nos dizem que usam nossas músicas em sala. Eu acho que isso se intensificou em 1998, quando a gente gravou Pindorama. A música se espalhou para escolas de todo o país porque dois anos depois o Brasil completou 500 anos de descoberta e o tema foi muito trabalhado com os alunos do país todo. A música fala justamente desse acontecimento histórico.

Várias vezes ao longo da carreira, a Sandra e eu cogitamos fazer algo específico para professores até que uns seis anos atrás a editora Melhoramentos chegou com uma proposta prontinha para isso, envolvendo cinco livros e cinco DVDs que ganharam o nome de Brincadeirinhas Musicais, voltados principalmente para crianças de quatro e cinco anos. Agora, no mês de abril, acabamos de filmar um novo projeto, mais uma vez voltado a educadores, só que para trabalhar com crianças de 2 e 3 anos.

Tem data para sair?

Ainda está em produção, mas até outubro deve chegar às lojas.

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