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Crédito: Bigstock.
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Defesa da Vida

O que os países europeus deveriam fazer para superar a crise de natalidade

Novo estudo sugere que investimentos dos governos no auxílio às mães é a melhor forma de aumentar o número de nascimentos num país

A Europa enfrenta uma crise demográfica. Países como a Alemanha, a Espanha e a Áustria veem suas taxas de natalidade caindo há décadas, desafiando os governos a encontrar soluções a longo prazo. Alguns oferecem subsídios para cada filho nascido, mas um novo estudo mostra que os montantes fixos de dinheiro não são a varinha mágica que os governos europeus estão procurando. Se realmente querem que os seus cidadãos tenham mais filhos, os governos têm que dar suporte às mães.

Em um novo estudo, dois economistas, um da Alemanha e outro dos Estados Unidos, apontaram algumas conclusões que, juntas, mostram como políticas que têm por alvo o cuidado das crianças podem realmente ajudar os países a aumentar as suas taxas de natalidade.

Matthias Doepke e Fabian Kindermann, respectivamente da Universidade do Noroeste dos Estados Unidos e da Universidade de Bonn, estudaram 19 países europeus e descobriram que as mulheres tendem a se opor a ter mais um filho se já têm dois em países com baixas taxas de natalidade. A partir disso, a dupla enxerga que casais com dúvidas sobre ter filhos, quando um cônjuge quer mais um e o outro acha que chega, são menos propensos a gerar mais uma criança. Os dois têm que estar de acordo para trazer um novo filho ao mundo.

Além disso, eles constaram, sem nenhuma surpresa, que nos países em que a mãe é mais responsabilizada pelo cuidado das crianças, as mulheres são muito mais propensas a não querer outro filho. Usando um banco de dados longitudinal de adultos dos 19 países estudados, chamado Generation and Gender Programme, Doepke e Kindermann analisaram as respostas dos homens a questões sobre o cuidado dos filhos: quem em casa veste as crianças, as põe para dormir, ajuda com a lição de casa. Assim, eles calcularam a média de participação dos pais no cuidado das crianças nos 19 países. “É justamente nos países em que os homens participam menos no cuidado dos filhos”, apontam eles, “ que as taxas de natalidade são as mais baixas”. Por outro lado, a França, a Bélgica e a Noruega, que têm taxas de natalidade relativamente altas, têm o maior índice de participação de homens no cuidado dos filhos.

Isso dá aos governos uma difícil tarefa: como aliviar o fardo do cuidado com os filhos das costas das mulheres. Doepke e Kindermann calcularam a eficácia de diferentes políticas. Eles constataram que políticas cujo objetivo específico é ajudar as mulheres a ter e a criar os filhos são duas vezes mais efetivas em elevar as taxas de natalidade do que subsídios por filho ou políticas oferecidas aos homens. Um exemplo citado pelos pesquisadores é a oferta de creches públicas, que ajudaria as mulheres a voltar ao trabalho e a não renunciar aos seus salários para ficar em casa.

Vale a pena notar que a França, a Bélgica e a Noruega já têm opções de creches públicas. A França até mesmo aprovou uma lei em 2014 que visa a ajudar as mulheres a voltar ao trabalho depois de ter filhos: o Ato pela Igualdade Real entre Mulheres e Homens estendeu a licença parental de seis meses para um ano, desde que os seis meses adicionais sejam usados pelo outro genitor.  A lei estimula o compartilhamento do cuidado com as crianças e das responsabilidades domésticas.

 

Com informações de Quartz

Colaborou: Felipe Koller.

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