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Saúde

O amor pode ser a cura do estresse

O Sempre Família conversou com um médico especialista para entender de que forma o amor e o cuidado podem ser fontes de saúde mental e qualidade de vida para os indivíduos

Um levantamento realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que o estresse, em suas mais variadas formas, atinge cerca de 90% da população global. De acordo com Gláucio Luiz Bachmann Alves, psiquiatra e psicoterapeuta, doutor em Medicina pela Universidade de Genebra e especialista em clínica médica, os maiores estresses que o ser humano pode sofrer são o abandono e os conflitos emocionais crônicos. Eles podem acontecer no matrimônio ou no ambiente de trabalho e estão relacionados à hostilidade manifesta ou contida e à frieza emocional ou à indiferença.

O Sempre Família conversou com o médico para entender de que forma o amor e o cuidado podem ser fontes de saúde mental e qualidade de vida para os indivíduos. Confira:

 

Quais são as substâncias liberadas quando estamos próximos de quem amamos e qual a ação delas em nosso corpo?

As substâncias liberadas quando estamos perto de quem amamos e nos sentimos seguros e confiantes ativam o sistema parassimpático e liberam o grupo dos chamados opioides internos. O cérebro também os sintetiza, e são responsáveis pelo reflexo do relaxamento. O sistema oposto, chamado simpático, é responsável pela reação de luta-fuga. Acontece quando estamos em perigo ou assim imaginamos. É a reação do estresse. Em casos de abandono, rupturas, agressões físicas ou verbais, o sistema de segurança é bloqueado e, em vez dos opioides internos, vem a adrenalina, a noradrenalina, o cortisol etc.

Isso acontece em qualquer fase da vida? As ações são diferentes em crianças e adultos?

Acontece em qualquer fase da vida. No bebê a manifestação é mais concreta, pois ele necessita da presença da mãe para sua sobrevivência. No adulto e no idoso, quando acham que podem ser abandonados, agredidos, criticados etc. acontecem as reações. Há pessoas que sofrem muito pela possibilidade de não terem ninguém, ficarem sozinhas, serem abandonadas. E aí são os mesmos sistemas que entram em jogo – o parassimpático nos casos de segurança (vínculo estável e satisfatório) e o simpático em casos de ameaça (vínculo inseguro, com rupturas frequentes etc.).

Como médico, qual sua opinião sobre o papel do amor e da família para a manutenção da boa saúde das pessoas?

Como médico especialista na área, estudei todos os tipos da reação do estresse: aqueles decorrentes das relações humanas disfuncionais são os chamados estresses de abandono, de crítica, de ameaças etc. Por outro lado, onde há a presença amorosa, a educação construtiva, onde as regras são ensinadas com amor e firmeza, existe boa saúde, bom desenvolvimento do sistema nervoso e crescimento adequado.

Quando não há amor, acolhimento e união, quais são as consequências para o indivíduo?

O indivíduo adoece mais (qualquer doença), não tem bom aproveitamento escolar ou laboral, tem tendências a usar álcool e drogas, não consegue se relacionar bem com os pares, entre outros males.

Todos precisam ser tocados, olhar nos olhos, assim como os recém-nascidos? Por quê?

Recentemente estive com o professor da Universidade de Derby, na Inglaterra, Paul Gilbert, criador da terapia focada na compaixão. Ele me contou que o pior de todos os estresses do bebê é não ser tocado o suficiente ou ser tocado de uma maneira tensa ou grosseira. Por quê? Porque todos os sistemas orgânicos do ser humano respondem ao toque suave, ao reforço da segurança, a presença tranquilizadora; e respondem a isso se desenvolvendo bem. O contrário também acontece: os órgãos e sistemas do corpo humano e a própria mente adoecem se o bebê ou criança é mantida isolada, sozinha ou maltratada.

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