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Defesa da Vida

“Não vivo a doença, mas celebro sua vida”, diz mãe sobre filho com metade do coração

Junto ao marido ela tomou a decisão de seguir com a gestação, com o desejo de que João Pedro pudesse ter a chance de viver em família

Laura Padua recebeu durante a gravidez de seu primeiro filho, uma notícia que mudaria para sempre a rotina da família. Em um exame foi detectado que o bebê tinha apenas metade do coração funcionando e pouca chance de sobreviver. Junto ao marido, Vinícius Rodarte, ela tomou a decisão de seguir com a gestação. O desejo sempre foi de que João Pedro pudesse ter a chance de viver em família. E há dois anos tem sido assim.

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João Pedro tem Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE) e logo após o nascimento foi submetido a uma cirurgia de urgência. Aos três meses precisou ser operado outra vez. Apesar de, provavelmente, precisar de um transplante de coração no futuro, ele vive uma infância saudável. “Fiquei muito abalada quando descobrimos, mas sempre tive a certeza de que ele ia ficar bem”, disse Laura ao Sempre Família.

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Com dois anos de idade, João Pedro precisa tomar remédios diariamente, em uma rotina de adulto. Mas o quanto consegue ser criança, é. Quem o vê assim hoje, não consegue imaginar quantos desafios ele já superou. “Ele ainda precisa fazer mais uma cirurgia. Não procuro viver a doença dele e sim a vida mesmo. Tenho fé que esse meio coração dele vai bater no mínimo uns 90 anos” anseia a mãe coruja.

Uma batalha familiar

Quando o casal recebeu o diagnóstico, não considerou nenhuma vez desistir da vida do João Pedro. Foi no hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, que a batalha familiar começou. “O tratamento levou quatro meses e meio e foi apenas aos 23 dias que peguei meu filho no colo pela primeira vez”, lembra Laura.

Esse tipo de síndrome só é detectado no ultrassom por volta da vigésima semana de gestação. “Fiz um exame de rotina e viram que ele tinha essa deformação no coração”, conta. “Quando soubemos de fato que meu filho não tem a metade do lado esquerdo do coração, a mais importante, precisamos nos unir”.

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Uma das possibilidades durante uma gestação nessa condição é tratar o bebê intra-útero na esperança dele desenvolver e nascer com uma condição melhor, mas no caso de Laura não foi possível. “Como era muito grave, não tinha como fazer dessa maneira, sendo necessário então fazer qualquer procedimento apenas após o nascimento dele”, esclarece.

Um bebê com SHCE sofre ainda nas primeiras horas de vida por causa da falta de fornecimento de sangue para o corpo, podendo entrar em choque, o que coloca em risco o funcionamento de órgãos como rins, cérebro e fígado. Durante procedimentos como esses é comum recém-nascidos não resistirem, mas João Pedro superou tudo isso.

João Pedro nunca teve uma intercorrência grave, ou ainda parada cardíaca e AVC, o que geralmente acontece em outros casos por causas das complicações da doença. Mas, algumas cenas jamais serão esquecidas por esta mãe, como na vez em que durante um procedimento, João Pedro ficou com o peito aberto por seis dias e o coração ligado a fios. “Via o coração dele pulando fora do corpo literalmente”, recorda. Para a família, o menino é um milagre.

Um reforço para a família: Felipe

Laura sentiu medo de engravidar novamente e ter outro filho cardiopata, mas, no aniversário de um ano do João Pedro, ela descobriu que estava grávida do Felipe, com seis meses hoje. O segundo filho nasceu com um coração completo. “Confesso que tive medo dele nascer cardiopata, mas eu não trocaria nada do que eu vivi com o João Pedro”.

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Com tanto carinho que João Pedro oferece ao irmãozinho até parece que seu coração, mesmo com a falta do lado esquerdo, é tão grande e se faz semelhante ao de Laura que optou pela vida do primogênito. “Os dois são muito amigos. Se ficam muito tempo longe um procura pelo outro. Essa ligação entre os dois é um presente”, diz Laura.

A família incentiva outras a darem uma chance aos filhos que vivem a mesma condição. “Crescemos na fé, como casal e como família. Se não fosse esse coração do João Pedro eu não conseguiria ver a bondade nas pessoas”, conta a mãe. “Para todas aquelas que receberem esse diagnóstico, deixem seus filhos viverem, mesmo que a vida dele tenha 10 segundos, porque ela vai sentir que foi muito amado”, finaliza.

 

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