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Mitzi Aylor/Aylor Photography
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Defesa da Vida

Mãe decide levar gravidez até o fim e doar órgãos da filha ao saber do diagnóstico de anencefalia

“Eva vai ter uma vida, ainda que seja curta. Ela vai doar tudo que puder e vai fazer mais durante seu tempo na Terra do que eu jamais farei”.

Diante do sonho de ter um filho, um diagnóstico grave como o de anencefalia chega como um balde de água fria. Mas nesse momento de dificuldade e sofrimento, ainda há espaço para o amor, a generosidade e a opção pela vida. Foi essa a decisão de Keri Young, de Oklahoma City, nos Estados Unidos: ao saber que sua filha, Eva, nasceria com anencefalia, ela decidiu levar a gestação até o fim e ainda destinar para doação os órgãos da pequena.

“Eva vai ter uma vida, ainda que seja curta. Ela vai doar tudo que puder e vai fazer mais durante seu tempo na Terra do que eu jamais farei”, escreveu a mãe em um post no Facebook, depois que soube do diagnóstico, na 19ª semana de gestação, em dezembro de 2016.

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Keri decidiu imediatamente que levaria a gestação adiante e doaria os órgãos de sua filha. “Eu me lembro do momento em que nós descobrimos que Eva não era perfeita e como literalmente trinta segundos depois de a nossa médica nos contar que nosso bebê não tem cérebro, de alguma forma em meio a tanto choro, Keri olhou para cima e perguntou, “Se eu levar a gestação até o fim, nós podemos doar seus órgãos?”, contou o esposo de Keri e pai de Eva, Royce.

Eva às 27 semanas de gestação. Facebook/Keri Young
Eva às 27 semanas de gestação. Facebook/Keri Young

“Eu lembro da nossa médica colocando a mão no ombro da Keri e dizendo: ‘Querida, você é tão corajosa por dizer isso’. Como se quisesse dizer: ‘Que legal, mas por favor, não’. Keri estava falando sério”, relatou Royce. “Literalmente no pior momento da vida dela, ao descobrir que sua filha vai morrer, ela levou menos de um minuto para pensar em outras pessoas e em como ela poderia ajudá-las. É uma das coisas mais poderosas que eu já vivi”.

“Tem outra família por aí sofrendo e esperando que um milagre aconteça com seu bebê, sabendo plenamente que, para isso, um bebê de outra família precisa morrer antes. Eva pode ser esse milagre”, afirmou o pai, que também disse: “Entendemos que Eva está viva e que nossa filha merece encontrar sua mamãe e seu papai, e isso nos deu um propósito para continuar”.

Doação

O nascimento de Eva estava marcado para dia 2 de maio de 2017. A doação aconteceria a partir do momento em que o coraçãozinho de Eva parasse de bater. Então, seria possível doar seus rins, fígado, pâncreas e as válvulas do coração. Mas, duas semanas antes, aconteceu uma reviravolta na vida da família: Keri começou a ter complicações, foi para o hospital e descobriu que o coração de Eva tinha parado.

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O casal descreve esse momento como o mais triste da sua vida. Todo o desejo de segurá-la viva nos braços, nem que fosse por cinco segundos, e os planos de doação de órgãos tinham ido por água abaixo. Os órgãos não poderiam ser aproveitados nem sequer para a pesquisa – um plano B que também contentaria os pais. Foi aí – cinco minutos depois de Keri dar à luz Eva – que eles receberam uma notícia surpreendente da organização que os acompanhava no assunto da doação de órgãos, a LifeShare.

Eles, que já sabiam que Eva não tinha aguentado até o fim, telefonaram para dizer que tinham encontrado um receptor para os olhos de Eva. O medo e o desespero deram lugar a um pouco de esperança e alegria. Eva tinha se tornado a primeira pessoa no estado de Oklahoma a doar um olho inteiro – aliás, foram os dois. A LifeShare, com isso, começou a dar mais atenção à doação infantil de olhos e traçou planos junto a outras entidades para multiplicar ações como essa. O projeto se chama Protocolo Eva.

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“Ela não está salvando vidas como eu tinha sonhado, mas está mudando a vida de uma pessoa. Sempre soubemos que a doação de órgãos, no caso de Eva, era apenas uma possibilidade, e uma possibilidade pequena. Mas quisemos assumir o risco”, escreveu Royce após a morte da filha. “De certa maneira, porém, estou entusiasmado com o fato de que são os olhos dela que se tornaram o seu legado. Fico pensando em poder olhar para eles um dia, mas mais do que tudo, no fato de que seus olhos verão sua mãe, seu pai e seu irmão”.

Laços

“Nós dissemos olá e adeus para a nossa doce Eva ontem”, escreveu o casal em um post no Instagram, um dia depois do nascimento e da morte da filha, em 17 de abril. A família postou uma foto em que aparecem todos juntos: Royce, Keri, Eva e o pequeno Harrison, de dois anos, o irmão mais velho de Eva. “Ela era perfeita do seu jeitinho”, disse Keri. Em todos os posts sobre a filha no Facebook, Keri pedia: “Este não é um post triste. Então, por favor, não reaja com o botão de ‘triste’”.

Mitzi Aylor/Aylor Photography
Mitzi Aylor/Aylor Photography

“Muitas pessoas dizem coisas como ‘eu não mudaria nada’ depois de uma situação difícil, mas eu não vou dizer isso. Sem dúvidas eu mudaria isso se eu pudesse”, desabafou Royce em dezembro de 2016, quando soube do diagnóstico. “Eu quero que minha filha seja perfeita. Eu quero que ela apague as velas do seu primeiro aniversário. Quero que ela bata a cabeça na mesa do café tentando aprender a andar. Quero que ela tenha uma conta de telefone para mandar mensagens para os garotos. Eu quero levá-la ao altar. Eu quero tanto, tanto mudar isso. Mas eu não posso. Essa é nossa realidade. E não tem como detê-la”.

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A história e a decisão de Keri estreitou os laços entre o casal. “Em oito anos de casamento (e 15 anos juntos), houve vários momentos que me fizeram parar e pensar: ‘Caramba, que sorte ser casado com essa mulher’. Mas dessa vez foi diferente. Eu percebi que não só estou casado com minha melhor amiga, como com um ser humano verdadeiramente especial”, disse Royce. “Ela é forte. Ela é corajosa. Ela é incrível. Ela é notável. Ela é feita de um material diferente que combina inteligência, beleza, coragem, doçura, caráter e integridade em uma mulher espetacular. E, de alguma forma, ela é minha esposa”.

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