| Foto: Phil Goodwin/Unsplash

Pisar na grama, mexer na terra e na areia, sentir o cheiro das flores e subir em árvores eram ações comuns para as crianças em outras épocas. Hoje, o contato com as telas, como celular, tablet, computador, televisão ou videogame, ganha a preferência dos pequenos – que ficam entediados com a ausência de outras atividades interessantes. Muitas vezes, os próprios pais incentivam a permanência no mundo digital, seja por falta de tempo ou pela comodidade.

Silvia Cristina Salomão, professora de Pedagogia da Unimetrocamp Wyden, enfatiza que as mídias estão banalizadas na rotina. “As crianças se apropriaram dessa cultura e passam mais tempo nas telas do que em atividades que exigem o desenvolvimento dos aspectos sensoriais, motores, sociais, físicos e afetivos”, destaca.

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Limites no uso das telas

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Para limitar o acesso aos dispositivos eletrônicos, além de estabelecer regras e combinados, os pais devem oferecer outras atividades. O contato com a natureza, por exemplo, traz experiências enriquecedoras, que estimulam o desenvolvimento global do indivíduo.

“A vida ao ar livre é um dos melhores antídotos contra a intoxicação digital que ameaça as crianças e adolescentes. O hábito de brincar sem telas ajuda a encontrar o equilíbrio entre o uso saudável da tecnologia e a conexão com o mundo natural”, observa Laís Fleury, coordenadora do Programa Criança e Natureza do Instituto Alana e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Benefícios de estar em contato com a natureza

Segundo Silvia Cristina, brincar ao ar livre promove o desenvolvimento global da criança, com aprimoramento dos movimentos amplos, percepções visuais, auditivas e do tato. Também é uma oportunidade para educá-la a interagir adequadamente com os diferentes espaços, a preservar o meio ambiente, a descartar o lixo corretamente, a admirar os diferentes elementos da natureza, a conhecer novas culturas e suas peculiaridades e a dialogar com a família, os amigos e as pessoas ao seu redor. “O adulto também precisa se reeducar para estar de fato presente nestas atividades infantis, pois estas experiências lhe requerem maior energia e participação”, enfatiza.

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Laís afirma que diversas pesquisas sugerem que o brincar livre ajuda a fomentar a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança, a capacidade de escolha, de tomar decisões e de resolver problemas. Outros benefícios estão ligados à ética e sensibilidade, como o sentimento de pertencimento, empatia, humildade e encantamento. “A qualidade sistêmica da natureza oferece à criança a noção de complexidade e interdependência, valores fundamentais para pensar sua ação no mundo e as próprias relações sociais”, explica. A saúde física também é beneficiada, com aumento da vitamina D, redução da miopia e aumento da prática de atividades físicas.

Estimule seu filho a brincar ao ar livre

As especialistas dão dicas de atividades na natureza que não necessitam de grandes investimentos e podem ser adaptadas de acordo com o tempo disponível dos pais para brincar com os filhos durante a semana ou nos fins de semana.

  • Visitar áreas naturais durante as férias em família, como trilhas, cachoeiras ou praias.
  • Acampar, mesmo que seja no quintal de casa.
  • Fazer um piquenique na sombra das árvores e aproveitar para subir nelas.
  • Tomar banho de chuva.
  • Cultivar uma horta.
  • Criar esculturas a partir de elementos da natureza, como galhos, folhas, terra e pedras.
  • Promover experiências sensoriais com elementos da natureza, como barro, água e plantas.
  • Passear e brincar em parques ou praças.
  • Observar aves e insetos.
  • Andar a pé ou de bicicleta para conhecer os espaços ao seu redor.
  • Convidar outras crianças ou famílias para participar de momentos de lazer ao ar livre.