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Jônatas Dias Lima

Dinossauros e Princesas

Notícias e opinião sobre entretenimento infantil

Os melhores filmes da Marvel para promoção de virtudes e valores morais

Quando a história é bem contada, super-heróis podem despertar nos nossos filhos mais do que a vontade de ter super poderes

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Atualizado em 02 de maio de 2018.

Nas últimas semanas, em preparação à estreia de Vingadores: Guerra Infinita, e muito motivados por meu filho Inácio, eu e minha família fizemos uma maratona de filmes da Marvel, assistindo novamente os 17 filmes anteriores – um por dia -, em ordem de lançamento. Além de refrescar em nossas memórias detalhes importantes da história desse universo que acaba de completar 10 anos, a oportunidade me permitiu avaliar melhor o potencial formativo de cada obra no que diz respeito à promoção de valores morais. Esse é um critério que passa longe da análise da maioria dos sites de entretenimento, mas deveria ser o primeiro da lista para pais responsáveis.

Considero os super-heróis muito úteis como recurso lúdico no desenvolvimento de virtudes como coragem, compaixão e prudência no reconhecimento do bem e do mal, mas os personagens por si só não são o bastante para isso. Sempre é preciso uma boa história, com situações em que o comportamento heroico ou sábio seja colocado à prova. Esse foi o principal critério que usei para estabelecer o ranking a seguir.

Reforço, contudo, que a lista não corresponde ao que considero os melhores filmes da Marvel, de forma geral, levando em conta aspectos técnicos e tudo o mais. Esse é o meu ranking no quesito promoção de virtudes e valores morais.

 

1º) Capitão América: o Primeiro Vingador (2011)

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Incomparável para fomentar a coragem, a disposição para o sacrifício na defesa dos inocentes e a humildade. É o sólido caráter do raquítico Steve Rogers que chama a atenção do doutor Abraham Erskine, o cientista que o convida a participar da experiência que o transformará no “super soldado”. São vários os momentos que revelam essa robustez moral de Steve, mas o ápice é a cena da granada falsa lançada no meio dos soldados pelo até então cético Coronel Chester Phillips. Ele queria provar ao dr. Erskine que Steve não era apropriado, mas acabou gerando a maior evidência de que tinha de ser ele. Ao contrário de todos os outros recrutas, que correram para se esconder, o frágil e humilde Steve deitou-se sobre a granada, a fim de receber a explosão e salvar todos os outros.

O próprio Erskine merece uma menção. Foi ele quem teve a sabedoria de procurar o mais forte moralmente, ainda que fosse o mais fraco fisicamente. Steve e Erskine são verdadeiros gigantes nesse filme.

 

2º) Pantera Negra (2018)

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Desde sua primeira aparição, em Capitão América: Guerra Civil, o rei de Wakanda já chamou atenção pela seriedade de seu personagem no meio de uma dezena de heróis piadistas. T’Challa é sério, mas não num nível carrancudo. Ele é contemplativo. É sua prudência determinada que impõe respeito e também é ela que gera a comovente compaixão do herói, tão bem desenvolvida em seu próprio filme.

Se em Guerra Civil ele poupa a vida de Zemo após se dar conta de como o sentimento de vingança o tinha envenenado, em Pantera Negra ele se compadece primeiro do rival M’Baku, a quem derrota no desafio tribal, mas de quem poupa a vida, e depois demonstra a mesma virtude na relação com o vilão Killmonger, por compreender toda injustiça e sofrimento pelos quais o adversário havia passado. Uma das cenas mais bonitas do universo Marvel ocorre justamente por causa da misericórdia do Pantera, que resolve conceder a Killmonger, antes da morte certa, seu último desejo: vislumbrar toda a beleza de Wakanda sob a luz do pôr do sol.

Pantera Negra é uma obra incrível para motivar um honesto exame de consciência e uma consequente mudança de atitude, quando isso se revela o correto a ser feito.

 

3º) Homem-Aranha De Volta ao Lar (2017)

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A Marvel acertou em cheio ao criar o primeiro Homem-Aranha realmente adolescente do cinema e o filme solo do herói explora de um jeito muito inteligente o gradual e necessário amadurecimento de Peter Parker. Está lá, no começo do filme, toda a ansiedade juvenil de quem se sabe poderoso, quer mais e acaba fazendo besteiras por conta dessa pressa. Depois, vem a culpa, as dolorosas consequências do erro e a consequente correção do caminho a ser trilhado, dessa vez sem a arrogância de se achar acima dos colegas sem poderes. A coroação dessa tomada de consciência é o inesperado “ainda não” dado ao convite de Tony Stark para se juntar aos Vingadores, no fim do filme.

Aqui convém também destacar o excelente vilão vivido por Michael Keaton, o Abutre. Na ameaçadora conversa que tem com Peter, dentro do carro, é colocado na boca dele a frase que expressa uma verdade poderosa e a melhor das motivações – ainda que seus métodos sejam muito discutíveis: “nada é mais importante do que família”.

 

4º) Guardiões da Galáxia 2 (2016)

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Guardiões da Galáxia é a franquia da Marvel que mais faz uso do humor, e pode parecer estranho constar numa lista sobre virtudes e valores morais. Mas é só se lembrar do papel que Yondu tem nesse filme que logo se percebe o que pretendo destacar. Guardiões da Galáxia 2 é uma história sobre redenção, aos moldes do Filho Pródigo. O anti-herói azul que gastou anos de sua vida acumulando crimes, alguns hediondos, resolve dar tudo de si para salvar aquele que considera seu único acerto: Peter Quill, o menino que sequestrou para entregar ao pai alienígena cruel, mas com o qual resolveu ficar ao se dar conta do que aconteceria com o garoto.

Yondu morre por Peter, fazendo com que o líder dos Guardiões, já desiludido com seu pai biológico, finalmente dê valor àquele que o criou e que acabou se tornando a única figura paterna em sua vida.

A relação entre Gamora e Nebulosa também merece atenção. Em Nebulosa está todo o rancor acumulado de uma irmã atormentada pelas humilhações impostas pelo pai (Thanos), em detrimento da filha favorita, Gamora. É uma relação de inveja e vingança, mas também de amor. Tanto que nenhuma das duas está realmente determinada a matar a outra. Tudo se resolve após uma delas finalmente se abrir à outra – após muita pancadaria – numa discussão intensa, porém honesta.

 

5º) Doutor Estranho (2016)

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O primeiro filme da Marvel a tratar de realidades “espirituais”, traz uma interessante reflexão sobre o mal da arrogância. No início do filme, o então médico Steven Strange demonstra prazer em humilhar os colegas menos competentes e desdenha da função de sua amiga, doutora Palmer, que atende no pronto-socorro “remendando viciados e devolvendo-os à sociedade”, conforme ele mesmo diz num de seus arroubos de soberba.

A base da completa falta de caridade de Strange estaria no rígido materialismo no qual baseia sua forma de pensar e agir. Esta base, contudo, desmorona depois que um grave acidente afeta gravemente o controle que tem das mãos, lançando-o numa busca desesperada pela cura, sem encontra-la na medicina, não importando quanto dinheiro gaste.

Doutor Estranho certamente é o filme da Marvel em que o protagonista muda de forma mais radical sua forma de pensar, desde o início do filme até o seu término. Ótimo para combater ceticismos petulantes.

 

 6º) Thor (2011)

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O primeiro filme do deus do Trovão traz elementos que se assemelham com o desenvolvimento moral de personagens como Homem de Ferro e do Doutor Estranho: o arrogante que se torna humilde após um período de sofrimento. No caso de Thor, ele é apresentado, de início, como um jovem brigão e irresponsável que preocupa-se demais em exibir suas vitórias, chegando ao ponto de ser banido de Asgard por seu pai, Odin. A relação de Thor com o martelo é que dá à história um diferencial. A ideia de “ser digno” para poder levantá-lo é poderosa, e de certa forma torna concreta a superioridade da virtude (dignidade, honra) em relação ao vício (arrogância).

A cena em que ele tenta e não consegue erguer seu martelo é intensa. Quem assiste consegue se compadecer da agonia do herói diante da derrota, causada não por algum inimigo, mas por causa da própria fraqueza moral.

A previsível redenção vem no final, quando o martelo retorna sozinho às suas mãos depois de um corajoso ato de sacrifício. É aí que Thor volta a ser digno.

  

7º) Homem Formiga (2015)

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A disposição para o sacrifício em prol daqueles que ama é o elemento virtuoso que merece destaque em Homem-Formiga. Claro que isso é meio que um padrão para todos os super-heróis, mas trata-se de uma realidade que sempre ganha destaque quando envolve laços familiares. Nesse caso, Scott Lang é um ex-presidiário que só quer ficar próximo da filha e, para isso, arrisca primeiro a própria reputação, depois, a vida, já que para derrotar o vilão que a ameaçava ele ignora as orientações de segurança que recebeu e diminui de tamanho até “nível molecular”, correndo o risco de nunca mais voltar ao tamanho normal.

 

***

O pior

Paro por aqui, mas reforço que considero que há algo de positivo em todos os filmes da Marvel. Um deles, contudo, merece a observação negativa e o título de pior filme da Marvel no quesito promoção de virtudes e valores morais: Thor Ragnarok.

No terceiro filme do personagem asgardiano, o estúdio cometeu o erro de entrega-lo a um diretor preocupado demais em emplacar os temas de sua própria agenda ideológica, moralmente liberal. Mesmo sendo um filme com classificação indicativa de 12 anos, o diretor Taika Waititi recheou o filme com piadinhas sujas de cunho sexual, envolvendo orgias (!!!) e nomeando um grande portal da história com o nome de “ânus do demônio”, termo citado várias vezes no decorrer do filme.

Além disso, Taika desfigurou completamente a personagem Valquíria, que nos quadrinhos é uma guerreira honrada, transformando-a numa desertora irresponsável e bêbada. Nos bastidores, aliás, foi ele quem plantou na imprensa de entretenimento a tese de que a personagem era bissexual, apesar de não ter conseguido autorização para emplacar no filme uma cena que tornasse essa orientação sexual explícita.

Por tudo isso, apesar das cenas de ação alucinantes, considero Thor Ragnarok um filme horroroso e preciso dizer que me alegrei ao ver que os filmes que vieram depois abandonaram completamente essa linha escrachada. Foi um tiro no pé.

 

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