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Artigo, Educação dos filhos

Criança é coitadinha?

A desconcertante proteção que se vem concedendo às crianças nas últimas décadas decorre de um equívoco educativo sem precedentes

Lélia Cristina de Melo é diretora de Formação da Escola do Bosque Mananciais. Contato: lelia@escoladobosque.org.br

De onde vem o insistente conceito de que as crianças são tão frágeis? Essa visão não é muito antiga, as crianças de décadas atrás eram naturalmente maduras, autônomas e mais preparadas para a realidade e as exigências da vida, considerando-se, claro, cada etapa cronológica.

A desconcertante proteção que se vem concedendo a elas nas últimas décadas decorre de um equívoco educativo sem precedentes. Muitas crianças de 10 anos parecem ter 7, as de 4 parecem ter 2, as de 6 têm comportamentos de 4, isso na área afetiva, social e moral, porque intelectualmente são muito dotadas.

Verifica-se que os pais tratam igualmente os seus filhos durante uns 3 ou 4 anos, não percebendo que a criança de 0 a 6 anos avança em questão de semanas, requerendo gradativas exigências, uma vez que as novas fases pedem novas conquistas.

Em uma sociedade que insiste no conceito de limites em educação, na verdade deveria se preocupar em alavancar todas as quase ilimitadas potências que toda criança traz consigo. Poupar não ajuda o seu desenvolvimento, o que ela pede (sem falar) é uma apropriada exigência, porque naturalmente tem muito para dar e aprender.

Crianças precisam de pais suficientemente bons, não infinitamente bons, porque, neste caso, roubam a parte que cabe aos filhos empreender.

Filhos fortes são fortes porque são motivados a ter responsabilidades, a se esforçarem, a pensar nos outros e a colaborar com eles.

A medida da educação, que não tem receita nem manual, é perceber que você “puxa para cima” a criança, de modo que ela vai avançando aos estágios subsequentes esperados.

Educar é exigir e motivar, assim, e só assim, uma criança cresce e amadurece. A energia da infância é para ser aproveitada, construída e otimizada.

Criança estimulada aprende idiomas, aumenta o vocabulário, raciocina, brinca, memoriza, interpreta, tem compaixão, ajuda, não chora muito, é autônoma, conversa. Não subestimemos as suas potencialidades, ela não é bibelô, não é fraquinha e está longe de ser coitadinha.

Aos pais que amam com um amor sadio, não esquecer que educar é mais exigir que conceder e que o contrário disso é um equívoco do amor, porque expõe os filhos à fragilidade e ao despreparo.

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