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Crédito: Bigstock.
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Terceira idade

Como levar a aposentadoria numa boa

É fundamental ter uma atitude positiva, analisar as vantagens e não apenas as desvantagens dessa fase e encará-la como uma recompensa

A aposentadoria pode ser encarada como uma fase superprodutiva, com novas descobertas uma vida cheia de significado. Para isso é fundamental ter uma atitude positiva, analisar as vantagens e não apenas as desvantagens dessa fase e encará-la como um prêmio, uma recompensa, a oportunidade de recomeçar e de fazer aquilo que sempre quis fazer e não teve tempo.

Para Armelino Girardi, consultor e palestrante na área de desenvolvimento e gestão de pessoas, essa é a oportunidade de olhar para o passado com orgulho e sentimento de dever cumprido. De reconhecer suas conquistas e agradecer. “É hora de virar a página, olhar para frente e não ficar reclamando do passado, de como as coisas poderiam ter sido diferentes, ou então ficar lastimando eventuais perdas materiais ao se aposentar”, conta Armelino, que rejeita o kit do aposentado: pijama, chinelos, cadeira de balanço, jornal, tevê, palavras cruzadas, baralho, crochê, como se fossem as únicas opções disponíveis.

Estar ativo é importante, mas isso não significa continuar a trabalhar no mesmo ritmo e função. “A origem da palavra trabalho vem do latim tripalium, instrumento de tortura. Quais os sinônimos que popularmente damos à palavra? Eu vou para a luta, batalha, guerra, vou suar a camisa, vou dar o sangue. Trabalho lembra horário, cartão-ponto, compromisso, obrigações, necessidade de cumprir ordens, agenda cheia, cobranças, pressão, chefe, falta de liberdade, necessidade de pedir para marcar férias, para emendar feriados, etc. Imagino que ninguém queira isso para o segundo tempo da vida”, completa Armelino. A ideia é substituir a palavra trabalho por atividade prazerosa.

Toda essa adaptação pode ser difícil no começo, já que a maioria das pessoas é criada para trabalhar sob uma forte influência da escola formal e empresarial, ambas voltadas para a preparação cultural e profissional, dando pouco valor à formação da pessoa. Portanto é preciso reciclar-se para continuar a viver despertando para outras dimensões da vida, além da profissional. Na família também podem aparecer algumas dificuldades, principalmente com a esposa, já acostumada a ter uma rotina sem a presença constante do marido. Neste caso Armelino aconselha a redescobrir os prazeres da vida e respeitar a individualidade e estilo de vida de cada um. “A pessoa precisa desenvolver a sensibilidade, prestar mais atenção no outro, saber ouvir, ser paciente, tolerante, compreensivo e amoroso”, finaliza.

 

História pessoal

“Eu sou um desaposentado, criador e mantenedor do site www.desaposentado.com.br, idealizador e catalisador do Clube dos Desaposentados. Atuo hoje como palestrante/consultor na área de desenvolvimento de pessoas, com ênfase em programas de preparação para a aposentadoria/reserva. Depois de uma longa carreira profissional na área de RH de um conglomerado financeiro e, após ter ouvido a famosa frase ‘Armelino, não temos mais lugar para você’, descobri, depois de uma longa caminhada, um mundo que eu não conhecia, com novas atividades e ocupações prazerosas, e um novo significado à minha vida. Descobri um mundo diferente, possível e fascinante, com novas formas de viver, na vida pessoal e no trabalho.

Sem qualquer mágoa e ressentimento da empresa onde trabalhava, posso afirmar que, hoje, estou mais feliz e realizado, cheio de energia. Descobri o quanto vivia fechado dentro de mim, aparentemente protegido, deixando alguns sonhos de lado, abandonando valores essenciais e não percebendo quantos mundos existem dentro de um mesmo mundo. Sou catarinense, nascido de uma família humilde de agricultores, de origem italiana, com 14 irmãos. Moro em Curitiba, estou com 65 anos, casado há 39 com a Isabel, tenho três filhos e três netos. Participo de movimento de casais e atuo, como voluntário, em pastorais da Igreja Católica, na Associação Brasileira de RH e num grupo Escoteiro.

E aqui vai um testemunho que julgo importante. Eu vivenciei esse momento de transição de vida e carreira, de perda de um sobrenome empresarial que era motivo de orgulho, reconhecimento e valorização na sociedade. Estão certos os que dizem que é preciso que uma crise ou algo de impacto aconteça para que a pessoa acorde e perceba outros mundos à sua volta. No meu caso, foi como o despertar de um sono confortável e preguiçoso e passar a enxergar outras realidades disponíveis que melhoraram a qualidade e a intensidade da própria vida.”

Armelino Girardi

 

Clube dos Desaposentados

O Clube surgiu como um canal de comunicação com os aposentados ou pessoas que estão se preparando para a aposentadoria. Trata-se de um espaço virtual para troca de experiências, sugestões e dicas úteis para esta nova fase de vida e com o objetivo de reciclar, aprofundar e manter vivos os temas ligados a esse assunto, com abordagens sempre voltadas para o campo da humanização e suas variantes. Para inscrever-se, basta acessar www.desaposentado.com.br e inserir seu e-mail.

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