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A irmã Elisabeth Franke, do Mosteiro do Encontro, em Mandirituba (PR), conduz um momento de meditação na oficina. Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo
A irmã Elisabeth Franke, do Mosteiro do Encontro, em Mandirituba (PR), conduz um momento de meditação na oficina. Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo
Religião

Com o olhar voltado para a interioridade, universidade oferta oficinas de meditação aos alunos

A PUCPR lançou um Observatório de Educação para a Interioridade, que promove oficinas de meditação em diversas modalidades.

A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) está investindo em um projeto ousado para uma universidade: um programa de meditação. Lançado em abril, o projeto oferta oficinas semanais em três modalidades: meditação monástica cristã, meditação oriental e meditação ativa e relacional. É uma iniciativa do recém-inaugurado Observatório para a Educação da Interioridade, ligado ao Instituto Ciência e Fé (ICF), um organismo que a universidade criou em 2013 no intuito de reforçar a sua identidade institucional.

O evento de abertura do programa não foi estrelado por nenhum cantor ou celebridade, mas ainda assim foi um sucesso que surpreendeu os organizadores. Os 700 ingressos, gratuitos, esgotaram-se em oito horas, com divulgação apenas pelo Facebook. Outros 700 interessados ficaram em uma fila de espera. Uma multidão entusiasmada para assistir a um diálogo sobre meditação, espiritualidade e saúde protagonizado por um abade trapista, um especialista em mindfulness e uma monja budista: Bernardo Bonowitz, Gilberto Gaetner e Coen Roshi.

Para Daniela Eltermann, de 19 anos, aluna do curso de Direito da PUCPR, o grande trunfo do observatório foi oferecer modalidades diversas de meditação em vez de se limitar a atividades confessionais. De família luterana, ela já praticava meditação oriental há alguns meses quando se inscreveu na modalidade de meditação ativa e relacional, ministrada pelo psicodramatista Armando Celia Júnior. “Eu encontrei na meditação um meio para me acalmar. Comecei a testar como eu me sentia. No início é difícil se concentrar, mas estou aprendendo”, diz.

Henry Milleo/Gazeta do Povo
A monja beneditina portuguesa Teresa Paula Perdigão é uma das condutoras da oficina de meditação monástica cristã. Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo

“A prática proporciona foco interior e tranquilidade e assim possibilita estar mais presente, tanto para si quanto para o outro, porque na meditação ativa você está em contato com outras pessoas. É toda uma visão de mundo diferente”, explica Daniela. Seu colega Caio Stonoga, de 17 anos, concorda: “Nos dias em que faço meditação fico mais tranquilo, me organizo melhor e consigo olhar as coisas com um pouco mais de distância, sem enxergá-las maiores do que são”, relata.

Caio, que é católico, participa da oficina de meditação oriental, que é conduzida pelo padre indiano Joachim Andrade e ensina técnicas de meditação de religiões asiáticas. “A meditação permite que você se conecte consigo mesmo e, dessa forma, também com Deus. Quando você consegue silenciar, consegue se ouvir e também ouvir o que Deus tem para te falar. Isso vale muito mais a pena do que ficar escutando música alta esperando que aconteça alguma coisa”, diz o jovem.

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Já a também católica Elaine dos Santos Takeuti, de 33 anos, formada em Economia e aluna do curso de Teologia, participa da oficina de meditação monástica cristã. Ministrada principalmente por monges trapistas da Abadia de Nossa Senhora do Novo Mundo, localizada em Campo do Tenente (PR), e por monjas beneditinas do Mosteiro do Encontro, de Mandirituba (PR), a modalidade oferece aos alunos simpáticos à espiritualidade cristã uma experiência muitas vezes negligenciada pelas paróquias. “Algumas paróquias oferecem grupos de estudo da Bíblia, mas o foco é a formação e não a meditação”, avalia Elaine.

“Muitas vezes as paróquias se restringem à formação para atuação nas pastorais”, diz. Do ponto de vista da tradição cristã, essa lacuna é problemática. No evento de abertura do observatório, dom Bernardo explicou que a leitura orante da Bíblia é a própria “vivência da salvação”. “Cada vez que me deixo ser penetrado pela Palavra viva, sou posto à prova, julgado pelo meu egoísmo e pela minha indiferença à vida dos outros. Ao mesmo tempo, abrindo-me ao novo horizonte que a Palavra me manifesta, sou liberto dos meus limites para dedicar-me mais plenamente à adoração de Deus e à comunhão com todas as criaturas”, disse o abade.

Meditação na universidade?

Para estabelecer o programa de meditação, a equipe do ICF precisou enfrentar a questão: a universidade é o local propício para uma atividade como essa? “A universidade é de certa forma um universo. Aqui na PUCPR temos uma população maior que a de muitas cidades do Paraná. Ao olhar para dentro da universidade, temos um mapa do que acontece lá fora”, considera o professor Fabiano Incerti, diretor do ICF. De fato, com seus mais de 28 mil alunos, a PUCPR é mais “populosa” que 314 dos 399 municípios paranaenses.

“A vida universitária gera níveis de ansiedade, pressão e estresse altos, porque todos estão preocupados em dar conta do recado, ir bem no curso e ter sucesso”, avalia Incerti. “Também notamos que de modo geral na sociedade a interioridade começou a entrar em debate, sobretudo diante desse diagnóstico do mundo de hoje: estresse, pressa, um mundo fragmentado, transtornos de ansiedade”.

A monja Coen, dom Bernardo Bonowitz e o professor Gilberto Gaetner protagonizaram um diálogo sobre meditação, espiritualidade e saúde na abertura do projeto. Foto: Edjane Madza/Diretoria de Identidade Institucional da PUCPR
A monja Coen, dom Bernardo Bonowitz e o professor Gilberto Gaetner protagonizaram um diálogo sobre meditação, espiritualidade e saúde na abertura do projeto. Foto: Edjane Madza/Diretoria de Identidade Institucional da PUCPR

Com isso, surgiu a ideia do programa de meditação, que atende a dois principais enfoques. “Oferecida pela universidade, a meditação contribui para que as pessoas possam continuar estudando numa universidade de qualidade sem perder qualidade de vida”, diz Incerti. “Ao mesmo tempo, trabalha a relação com o transcendente, que é fundamental em tempos como o de hoje. No fundo, o ser humano está em busca de si mesmo. É possível trabalhar interioridade com os estudantes sem necessariamente tocar em religião”.

Esses enfoques se refletem na procura dos alunos, colaboradores e comunidade externa pelo programa – cujas vagas também se esgotaram rapidamente. “Muita gente quer responder a esses sintomas do mundo de hoje. Outros já meditam em casa, querem aprofundar a sua fé ou estão em busca de sentido”, diz o diretor do ICF. “Queremos mostrar que a universidade pode ser um espaço em que ciência e humanidade caminham juntas. Ciência e interioridade podem conversar. Uma ajuda a outra a desenvolver pessoas melhores – é isso que a gente quer”.

Além do programa de meditação, o Observatório para a Educação da Interioridade está ofertando neste semestre outros dois programas: as oficinas de filosofia e interioridade, na qual professores da casa trabalham textos de filósofos em perspectiva meditativa; e o programa de acompanhamento espiritual, que oferece direção e orientação espiritual e confissão sacramental. Com a intensa procura, o ICF não tem dúvidas: no próximo semestre, pretende dar prosseguimento a essas atividades e lançar novas iniciativas para atender à amplitude e à diversidade da demanda.

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