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O país da Copa está abraçando a Educação Domiciliar

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Espere aí, negócio da Rússia ou negócio da China? Mas o homeschooling não é algo muito “americano” para ser adotado por lá? É no mínimo interessante observar que cresce na Rússia algo tão praticado nos Estados Unidos.

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Este grande crescimento já foi apontado por representantes russos em março de 2016 durante a realização da Global Home Education Conference (GHEC), ocorrida no Rio de Janeiro, e agora confirmado durante sua nova edição realizada no mês passado, desta vez sediada em São Petersburgo e Moscou, cenários de futuras apresentações da seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo.

Rússia, esta nossa desconhecida

Conhecemos pouco sobre a Rússia. Se lembrarmos das lições de geografia conseguiremos até localizá-la no mapa. Os mais velhos logo vão relacioná-la com a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS, e seu protagonismo nas guerras mundiais.

Também é difícil encontrar alguém que conheça uma pessoa de ascendência russa. Os Estados que concentram o maior número de filhos, netos e bisnetos de russos são Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás e Paraná, seguidos de Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pernambuco. Até mesmo quando alguém saboreia um strogonoff provavelmente não tem conhecimento da origem russa deste tão tradicional prato, criado em mesas nobres daquele país entre os séculos XVII e XVIII.

Em função da Copa do Mundo talvez até consigamos aprender algumas palavras em russo, especialmente se a seleção brasileira avançar até a final. “Brazília Chempión”, vá treinando, por via das dúvidas.

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Homeschooling na Rússia

O que muito nos interessa é o crescimento do homeschooling, como é mais conhecido internacionalmente, ou Educação Domiciliar, termo considerado mais adequado aqui no Brasil, assim como na Rússia, talvez até para fugir de um certo “americanismo”.

Em comparação aos demais países a Rússia é bastante favorável ao homeschooling. Lá não se observa, por exemplo, o evidente receio demonstrado por parte do governo alemão de que a condução familiar da educação dificulte o controle do estado sobre a formação das crianças, uma vez que a Rússia parece aprovar e incentivar a prática exatamente para proporcionar a liberdade que as famílias russas não experimentavam durante os terríveis anos do regime socialista soviético. Conceder condições para que aspectos como a religiosidade e moralidade, sejam conduzidos livremente pelos pais em conjunto com o aprendizado curricular, o que antes era rigidamente controlado pelo regime, atualmente é um objetivo considerado justo e merecido por parte das famílias, segundo os dirigentes de organizações russas de apoio ao homeschooling.

“A Rússia é um dos países mais livres do mundo em educação. Isso começou em 1990 quando se decidiu deixar para trás o sistema de doutrinação soviética”, afirmou Vitaly Matveev, professor de Direito Educacional da Universidade da Cidade de Moscou, no evento GHEC 2018, confirmando este panorama favorável.

Outro participante do evento, Jan de Groof, considerado o maior especialista mundial em direito educacional, disse em sua palestra que “a experiência internacional demonstrou conclusivamente que o monopólio estatal prejudica a qualidade da educação.”

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Lei de Homeschooling na Rússia

Em 1992 foi publicada a lei russa que permite a adoção de diversas formas de educação, e observe como dentre elas algumas são bastante semelhantes às condições que pretendemos que a educação domiciliar também receba por aqui:

A chamada educação domiciliar é semelhante ao que existe no Brasil para garantir o atendimento escolar a crianças acometidas por doenças graves ou que impeçam a frequência aos prédios escolares. Assim como ocorre aqui em ambientes hospitalares, os professores russos atendem as crianças em casa, e sem nenhum custo para as famílias.

A educação familiar é proporcionada quando a criança está matriculada em uma escola local, mas é educada por seus pais. Neste caso a família pode procurar ajuda na escola e os filhos podem participar de atividades extracurriculares, utilizar laboratórios e bibliotecas escolares. Esta relação entre a família e a escola é regulada através de um contrato, no qual está incluída a previsão da realização de testes e exames em todas as disciplinas. E ainda por cima pode haver o repasse de recursos financeiros à família optante por esta modalidade.

O estágio é um modelo muito parecido com a educação familiar. Neste caso o diretor da escola é quem regula o relacionamento com a família. Os filhos têm a possibilidade de participar de até doze exames por ano, podendo avançar mais rapidamente do que os alunos da escola. Mas nesta modalidade a família não recebe nenhuma ajuda financeira do Estado.

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Seja qual for a forma de educação escolhida, o “aluno domiciliar” faz regularmente os exames finais e ao final de todo o processo recebe um diploma correspondente ao ensino médio.

O fato é que muito do que estamos lutando para que aconteça no Brasil já é realidade na Rússia: a legislação estabelece que a educação geral pode ser obtida tanto em organizações que realizam atividades educativas quanto fora delas.

Diante disso tudo tenho certeza que além do hexacampeonato, precisamos também trazer da Rússia o exemplo de consolidação do direito e o incentivo à prática do homeschooling. Reconhecer, apoiar e incentivar a educação domiciliar é um ótimo negócio, um negócio da China, ou melhor, um negócio da Rússia.