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Educação dos filhos

Bebês no trabalho: alternativas para manter funcionárias próximas de seus filhos

Conheça empresas que tiveram sucesso em investir na conciliação da rotina profissional com as exigências da maternidade

Em todo o mundo, a chegada de um bebê é um dos principais motivos que levam grandes profissionais a se afastarem do trabalho. Seja por falta de creches, preços exorbitantes ou prestação de serviços pouco confiáveis na rede pública, muitas mães escolhem abrir mão de seus rendimentos para cuidar de seus filhos em seus primeiros anos de vida. Mas não precisa ser assim. Algumas grandes companhias britânicas e norte-americanas têm considerado satisfatórios os resultados da implantação de creches dentro das empresas para atender aos funcionários com filhos pequenos. Retenção dos bons funcionários e lealdade de suas equipes são os principais benefícios.

Uma reportagem do jornal inglês The Guardian, publicada neste mês, conta que o banco de investimento Goldman Sachs, por exemplo, abriu a primeira creche na empresa de Londres, em 2003. Foi inaugurada para oferecer inicialmente a todos os funcionários com filhos vinte dias de creche grátis por ano, que poderiam ser agendados ou suprir uma urgência quando houvesse necessidade.

Em 2010 eles expandiram o serviço e ofereceram uso livre do berçário por quatro semanas para auxiliar com a transição de volta ao trabalho dos funcionários que estavam em licença-maternidade ou paternidade. Além disso, disponibilizou creche paga a tempo integral.

“Não há nada mais estressante que correr atrás de creche”, explica ao jornal uma diretora cujo filho utilizou o serviço dos seis meses aos três anos. “Eu não conseguia nem me concentrar no meu trabalho quando me preocupava se a babá estava bem ou se tinha chegado na hora certa. Foi incrível ter a oportunidade de ter o meu filho por perto. Eu sabia que ele estava feliz – eu podia ir até lá a qualquer momento.”

Nos lugares em que não é possível oferecer esse serviço, a Goldman Sachs tenta subsidiar uma creche local para que os funcionários a utilizem.

Para os gestores, a oferta desse tipo de serviço tem parecido atraente. Sally Boyle, uma parceira que comanda internacionalmente a divisão de gerenciamento de recursos humanos da Goldman Sachs, contou ao The Guardian que muitas colaboradoras da companhia estavam já prontas para voltar da licença-maternidade, mas estavam tendo dificuldades em arrumar uma creche. Ela percebeu então que o berçário na empresa poderia ser uma ótima ferramenta de retenção.

Fomentar a lealdade

Carla Moquin, fundadora da organização norte-americana Parenting in the Workplace Institute, concorda que os maiores benefícios para os negócios são a retenção e o recrutamento. Ela diz que a flexibilidade e o equilíbrio na vida profissional são fatores decisivos para as pessoas escolherem um lugar para trabalhar e que colaboradores são muito mais propensos a permanecer leais a uma companhia se percebem que estão sendo apoiados também na vida familiar. Ela alerta que substituir funcionários devido a compromissos familiares tem um alto custo, especialmente se for um colaborador há muito tempo na empresa que a conhece bem e construiu relações importantes com contatos e clientes.

O alto custo de prover uma creche na empresa, contudo, faz com que muitas nem cogitem um serviço desses. A creche da London’s Goldsmiths College, uma universidade na Inglaterra, foi recentemente fechada. Ela custava 70 mil libras por ano, ainda que só oferecesse 23 vagas.

Bebês no escritório

Para empresas que não podem oferecer creches, permitir que os funcionários tragam os seus filhos ao local de trabalho, a reportagem do The Guardian traz uma alternativa. Cerca de 200 empresas e organizações dos Estados Unidos têm uma política de “bebês no trabalho”, de acordo com o Parenting in the Workplace Institute. Em 2012, a empresa de táxi Addison Lee, do Reino Unido, também experimentou a ideia. A chefe de recursos humanos da empresa, Clare Bishop, disse que apesar de uma queda inicial na produtividade, ela espera um aumento na lealdade e na retenção.

Inevitavelmente, teme-se que trazer bebês ao escritório possa ser um incômodo não só para o trabalho dos pais como também para o dos colegas. Moquin insiste que não precisa ser assim. O mais importante, diz ela, é ter uma estrutura clara e uma programação formal desde o começo. Para garantir o êxito, ela sugere medidas como ter certeza que os pais respondem rapidamente aos choros e reservar uma “zona livre de bebês” para colegas que se incomodam. Designar colegas que ficam felizes em ajudar com as crianças ajuda a ter as necessidades do bebê constantemente atendidas. Os pais devem também se comprometer formalmente a não permitir que o cuidado do filho interfira no seu rendimento.

O Parenting in the Workplace Institute publicou diretrizes no seu site para empresas interessadas em começar algo assim. Lá, aconselha-se aos chefes a limitar a medida a crianças que ainda não se locomovem e que estejam confortáveis em um ambiente de trabalho.

Preconceito

Se são tão grandes os benefícios para uma empresa em oferecer esses serviços inovadores, por que mais companhias não entram no barco? Moquin diz que a maior barreira é cultural.

“Há uma grande distância entre o que as pessoas esperam que vai acontecer e o que de fato acontece”, diz ela. “Então, o nosso maior obstáculo é a conscientização – dar às empresas informações e convencê-las de que essas medidas funcionam com diferentes tipos de empregos e de organizações e beneficiam tanto o chefe quanto o funcionário; convencê-las de que vale a pena tentar.”

 

Colaborou: Felipe Koller

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