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Religião

Bastante divididos e sem a Rússia, ortodoxos fazem seu primeiro sínodo em 1200 anos

O patriarca de Moscou resolveu boicotar o encontro 48 horas antes do início; aproximação com a Igreja Católica estaria no centro da polêmica

A histórica tentativa de reunir todos os líderes das Igrejas Ortodoxas pela primeira vez em mais de 1200 anos sofreu um forte baque com a desistência da Igreja Russa e de outras três Igrejas, às vésperas do início do encontro. O “Santo e Grande Concílio”, iniciado neste domingo (19/06) na ilha de Creta, na Grécia, seria o primeiro a reunir todos os líderes ortodoxos desde o ano de 787, quando ocorreu o último concílio aceito tanto por católicos quanto por ortodoxos, antes do cisma.

O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, presidiu ontem as orações que deram início ao encontro, que durará toda a semana. Mesmo depois de décadas de preparação, o sínodo acabou acontecendo com ausências notáveis, que levaram por água abaixo sua aura de “pan-ortodoxo”.

O patriarca de Moscou, Kirill, não participa da reunião, alegando que a preparação foi inadequada. O líder da Igreja da Sérvia está participando, mesmo tendo laços muito estreitos com a Igreja Russa, mas os patriarcados da Geórgia, da Bulgária e de Antioquia se ausentaram.

Dois temas exigem uma maior busca de unidade entre as Igrejas Ortodoxas: a relação com a Igreja Católica e áreas de influência que ultrapassam as atuais fronteiras de cada país.

Ainda antes de anunciar a sua ausência no sínodo, a Igreja Ortodoxa Georgiana, por exemplo, uma das mais antigas e tradicionais, adiantou que não assinaria nenhuma proposta de declaração que se refira às “relações da Igreja Ortodoxa com as outras Igrejas cristãs do mundo”, nem nenhuma outra que implique que, para alcançar a unidade dos cristãos, os ortodoxos tenham que concordar com outros grupos cristãos.

Em uma declaração na última sexta-feira, Kirill disse que espera que os líderes presentes em Creta possam se preparar para um encontro completo mais à frente. O patriarca esteve na Grécia no mês passado, acompanhando o presidente russo Vladimir Putin em uma visita ao histórico monastério do monte Athos.

Os líderes reunidos na cidade de Iraklio, em Creta, ressaltaram a necessidade de unidade entre as Igrejas. Alguns deles demonstraram publicamente o apoio à organização de outra reunião, dessa vez com a presença russa.

“Estamos em um caminho sólido em direção a um grande sínodo e enviando a mensagem de que os nossos povos precisam”, disse Crisóstomos II, arcebispo do Chipre. “A ortodoxia mostrou que pode ser unida”. Diferentemente da Igreja Católica, em que o bispo de Roma – o papa – tem autoridade sobre todos os católicos, as Igrejas Ortodoxas são autocéfalas, ou seja, independentes. O patriarca ecumênico tem um posto de honra, mas é considerado o “primeiro entre os iguais”.

Porém, o patriarcado ecumênico tem sua sede em Istambul, na Turquia, país de maioria muçulmana, e está frequentemente envolto em impasses com a Igreja Russa, que retomou muito do seu poder após a queda do comunismo e representa mais de cem milhões de fiéis.

Kirill protagonizou um encontro histórico com o papa Francisco em fevereiro, mas as relações da Igreja Russa com a Igreja Católica ainda são difíceis e o diálogo caminha a passos lentos. “Seu recente encontro em Havana com o papa Francisco atraiu muita atenção em nível global, mas o próprio fato de que conversou com um ‘herege’ bispo de Roma desatou a reação de alguns nacionalistas religiosos na Rússia (incluindo alguns muito influentes), assim como de parte do seu rebanho fora do país: na Bielorrússia e na Moldávia, alguns mosteiros e clérigos conservadores reagiram à reunião em Cuba cessando de rezar publicamente por Kirill”, analisou a revista The Economist.

Bartolomeu, por sua vez, mantinha um ótimo relacionamento com Bento XVI e estreitou ainda mais as relações com a Igreja Católica nos últimos anos, com o papa Francisco. Há líderes ortodoxos que o recriminam por manter relações cordiais com os católicos.

Bartolomeu, na semana passada, expressou através de um porta-voz o seu desapontamento com a decisão de Moscou. “A decisão da Igreja Russa aconteceu 48 horas antes da chegada prevista dos primazes aqui em Creta. Nada mais tinha acontecido entre janeiro [quando o sínodo foi anunciado] e a sua decisão, no começo de junho”, disse John Chryssavgis, o porta-voz do patriarcado ecumênico.

O presidente da Grécia, Prokopis Pavlopoulos, viajou a Creta para saudar os líderes eclesiásticos.

O patriarcado de Antioquia, com sede em Damasco, na Síria, se ausentou devido a uma disputa com o patriarcado de Jerusalém sobre a jurisdição sobre os doze mil ortodoxos que vivem no Catar. No entanto, representantes de várias outras partes do mundo se fizeram presentes, como Teodoro II, patriarca de Alexandria e de toda a África, Rastislav, arcebispo da República Checa e da Eslováquia, e Anastásio, arcebispo da Albânia.

 

Com informações de Crux

Colaborou: Felipe Koller

1 Comentário
  1. Se estão há 1200 anos esperando um sínodo para se unirem, 300 anos antes de romperem com Roma, então sugiro que façam o sínodo sem os demais que desistiram, pois o princípio da ruptura do leste com Roma foi justamente por questões nacionalistas, que veio a se repetir no século 16 com os protestantes. Por tanto, temos que aceitar que unir todos é impossível, para eles se unir com cristãos de outros países é errado. Infelizmente os muçulmanos não pensam assim e por isso vão dominar tudo, assim como os judeus já dominam o ocidente nos últimos séculos, também por serem unidos.

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