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Felipe Koller

Acreditamos no Amor

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Por que os padres não podem se casar?

Há celibatários que não são padres e há padres que não são celibatários. Qual o sentido da norma que vincula essas duas condições?

Jeffrey Steenson, ex-bispo anglicano, decidiu ingressar na Igreja Católica em 2007 e foi ordenado padre. Ele é casado, tem três filhos e um neto. De 2012 a 2015, ele foi responsável pelos anglicanos dos EUA que entraram em plena comunhão com a Igreja Católica - e por isso usa vestes de bispo.
Jeffrey Steenson, ex-bispo anglicano, decidiu ingressar na Igreja Católica em 2007 e foi ordenado padre. Ele é casado, tem três filhos e um neto. De 2012 a 2015, ele foi responsável pelos anglicanos dos EUA que entraram em plena comunhão com a Igreja Católica - e por isso usa vestes de bispo.

A pergunta gera polêmica. O casamento dos pastores das comunidades cristãs é uma das diferenças mais visíveis entre católicos e protestantes e é apontado até mesmo como solução para problemas como a pedofilia no clero. Afinal, qual é o sentido da norma que impede os padres de serem casados?

Primeiro, vamos diferenciar duas coisas: o presbiterado e o celibato. Uma coisa é ser padre, isto é, receber a ordenação presbiteral, podendo então celebrar missas, ouvir confissões e realizar a unção dos enfermos, por exemplo. Outra coisa é o chamado a renunciar à possibilidade de se casar, para testemunhar ao mundo que o amor de Deus basta e, eventualmente, dedicar-se de maneira mais plena a alguma missão específica.

Embora estejam relacionadas, as duas coisas também existem uma sem a outra na Igreja Católica: há celibatários que não são padres e há padres que não são celibatários.

O carisma do celibato

Paralelamente aos ministérios ordenados – o diaconado, o presbiterado e o episcopado, os três graus do sacramento da ordem –, existe na Igreja Católica o carisma do celibato, isto é, a opção por não se casar. É uma decisão vocacional que se faz presente entre homens e mulheres, entre leigos e religiosos e entre fiéis ordenados ou não.

“Para um mundo no qual Deus não tem lugar, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade.” (Bento XVI)

O caso mais clássico é o da vida religiosa: monges e monjas, freiras e frades. Contudo, é cada vez mais comum, no âmbito das novas comunidades, que leigos e leigas optem pelo celibato, seja mantendo sua profissão, seja dedicando-se integralmente a atividades de evangelização ou de serviço caritativo. O celibato não é uma negação do amor, mas precisamente uma forma de vivê-lo, com a liberdade, a fidelidade, a totalidade e a fecundidade que o amor matrimonial também exige. Nesse sentido, o Papa Francisco disse que uma consagrada “deve ser mãe e não uma solteirona!”.

Com essa opção, o celibatário testemunha ao mundo de maneira eloquente que o amor de Deus revelado em Cristo é real: tão real que vale a pena fazer a opção de viver apenas desse amor e basear toda a existência nele. Como disse Bento XVI, “para um mundo no qual Deus não tem lugar, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade.”

Monjas do mosteiro de Nossa Senhora da Paz, em Itapecerica da Serra (SP).
Monjas do mosteiro de Nossa Senhora da Paz, em Itapecerica da Serra (SP).

O celibato também não é uma frustração, como sugerem aqueles que veem no fim da sua obrigatoriedade para os padres uma solução para o problema da pedofilia no clero. Imaginar que o casamento “curaria” um problema tão grave como a inclinação à pedofilia é uma grande bobagem. Tanto o matrimônio quanto o celibato exigem maturidade afetiva, condição para que casados e celibatários sejam capazes de amar e, assim, testemunhar Deus. “A castidade pelo Reino dos Céus mostra como a afetividade tem o seu lugar na liberdade madura e se torna um sinal do mundo futuro, para fazer resplandecer sempre a primazia de Deus”, disse o Papa Francisco.

O celibato e o presbiterado

A obrigatoriedade do celibato para os presbíteros não é algo imutável: é uma disciplina eclesiástica, uma norma surgida em um momento da história da Igreja em que se considerou oportuno que apenas celibatários se tornassem presbíteros. Já no século IV, popularizou-se a orientação de que, mesmo casado, o presbítero deveria se abster de relações sexuais com sua esposa. Finalmente, no Concílio de Latrão I, em 1123, o celibato presbiteral se tornou regra para toda a Igreja latina – a essa altura, a Igreja já estava dividida entre o Oriente e o Ocidente. No Oriente, as Igrejas ortodoxas deram prosseguimento à prática de ordenar presbíteros tanto homens casados quanto celibatários.

Para frades e monges, o celibato é parte constituinte da sua própria identidade na Igreja. Na foto, os trapistas de Campo do Tenente (PR).
Para frades e monges, o celibato é parte constituinte da sua própria identidade na Igreja. Na foto, os trapistas de Campo do Tenente (PR).

A Igreja Católica, na encíclica Sacerdotalis Caelibatus, escrita pelo papa Paulo VI em 1967, reconhece várias razões para a associação entre o celibato e o presbiterado. O Beato Paulo VI elenca: o significado cristológico, ou seja, a configuração ao estilo de vida do próprio Jesus Cristo e a resposta generosa ao seu amor; o significado eclesiológico, entendido como maior disponibilidade para a vida de oração e para o serviço pastoral; e o significado escatológico, enquanto testemunha a vida futura na pátria definitiva, onde não há casamento, como diz Jesus (cf. Mt 22, 30).

É importante lembrar o seguinte: sempre que se fala da possibilidade de ordenar ao presbiterado homens casados, se está falando do padre diocesano, isto é, aquele que está ligado diretamente ao bispo e que não pertence a uma congregação religiosa. Sequer faz sentido discutir a opção do casamento quando se trata dos religiosos – franciscanos, jesuítas, dominicanos, salesianos, carmelitas, etc. Eles já assumem como parte fundamental da própria vocação – antes do presbiterado e de forma independente dele – o voto de castidade, ao lado do voto de pobreza e do voto de obediência.

As exceções: os padres católicos casados

É na Igreja Católica latina, ocidental, que vigora atualmente a obrigatoriedade do compromisso celibatário para o fiel que deseja ser padre. Como vimos acima, os ortodoxos ordenam tanto casados quanto celibatários. O mesmo acontece entre os católicos de tradição oriental – que totalizam cerca de 16 milhões de fiéis, presentes principalmente no Leste Europeu, no Oriente Médio, no Cáucaso e na Índia –, que mantiveram essa prática depois de voltarem a ter comunhão com Roma.

Na ordenação presbiteral de três ex-bispos anglicanos, em Londres, em 2011, as suas esposas lhe trazem as vestes sacerdotais.
Na ordenação presbiteral de três ex-bispos anglicanos, em Londres, em 2011, as suas esposas lhes trazem as vestes sacerdotais.

Outro caso é o das comunidades anglicanas que, durante o pontificado de Bento XVI, decidiram entrar em comunhão com a Igreja Católica. Como se tratavam de comunidades inteiras, o papa decidiu que seria melhor mantê-las sob a guia daqueles que já eram seus pastores, que, mesmo casados, foram admitidos ao presbiterado. Há também casos isolados de ex-ministros anglicanos ou luteranos que, entrando em comunhão com a Igreja Católica, recebem uma permissão para serem ordenados.

Tanto no caso dos protestantes que entraram em comunhão com Roma quanto no caso dos católicos orientais, o que acontece é que um homem casado pode ser ordenado padre, mas um padre já ordenado não pode se casar. É o mesmo que acontece na Igreja latina com os diáconos. Um fiel católico casado pode ser ordenado diácono, mas não pode se casar novamente caso fique viúvo. No entanto, a juízo do seu bispo, pode ser ordenado padre. Outra norma que todas essas tradições que convivem dentro da Igreja Católica têm em comum é que o episcopado está reservado aos padres que optam pelo celibato.

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