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Felipe Koller

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Capelã de time de basquete, freira de 98 anos rouba a cena e conquista corações nos EUA

A irmã Jean oferece aos atletas direção espiritual, palavras de incentivo, uma presença espirituosa na torcida e até mesmo e-mails comentando cada partida e o desempenho de cada jogador.

Foto: Divulgação/Loyola University Chicago
Foto: Divulgação/Loyola University Chicago

A grande sensação do esporte nos Estados Unidos nas últimas semanas tem sido ninguém mais ninguém menos do que uma freira de 98 anos de idade: Jean Dolores Schmidt, capelã do Loyola University Chicago Ramblers, um time universitário de basquete que está competindo pelo NCAA Tournament. A irmã Jean oferece aos atletas direção espiritual, palavras de incentivo, uma presença espirituosa na torcida e até mesmo e-mails comentando cada partida e o desempenho de cada jogador.

O campeonato é uma grande sensação nos Estados Unidos, com estádios lotados, transmissão ao vivo e primeiras páginas nos jornais. O time de irmã Jean, que não participava do torneio desde 1985, tem se destacado nas partidas e a religiosa acabou se tornando uma celebridade no país, sendo retratada em entrevistas, reportagens e também, é claro, em memes e gifs.

O amor pelo esporte vem de longe. Em colégios de Chicago e Los Angeles, a irmã Jean já tinha sido treinadora de times de basquete, vôlei e até ioiô. No ensino médio – entre 1933 e 1937! –, foi jogadora de basquete. Depois de se formar, Jean, nascida em San Francisco em 1919, ingressou na congregação das Filhas da Caridade da Bem-Aventurada Virgem Maria, em Iowa.

“Eu simplesmente sabia que queria ser uma irmã e continuei nesse caminho. Nunca me arrependi”, diz a religiosa. A sua congregação foi fundada nos Estados Unidos em 1833. Entre seus membros ilustres, esteve a irmã Mary Kenneth Keller (1913-1985), a primeira pessoa a se tornar Ph.D. em Ciências da Computação.

Adorar, trabalhar, vencer

Mas antes de se tornar uma celebridade na mídia norte-americana, a irmã Jean já era uma celebridade na Loyola University Chicago. Ali, se desdobrava em mil como capelã do time de basquete, de um dos dormitórios dos calouros e de todo o campus do centro da cidade. Além disso, trabalhava a tempo parcial como assistente administrativa em um consultório médico e era a diretora espiritual de incontáveis alunos.

Tudo isso sem perder o sorriso no rosto, que permanece na memória de centenas de alunos que a conheceram. Em uma entrevista recente, perguntaram à irmã Jean como ela se sente sendo uma celebridade nacional. “Se me permite corrigi-lo, internacional”, disparou a religiosa. “Me disseram que estou aparecendo na mídia no México e na Inglaterra”.

No longínquo ano de 1963, última ocasião em que os Ramblers ganharam a competição, Jean já era freira e dava aula havia dois anos no Mundelein College, uma instituição vizinha à Loyola University Chicago, dirigida pelos jesuítas. Nos anos 1990, as duas instituições se fundiram e a religiosa, que já tinha sido jogadora e treinadora de basquete, se tornou capelã do time.

“No meio da oração, ela transmite informações sobre os rivais”, comentou à BBC o jogador Clayton Custer. “Diz para a gente quem são seus melhores jogadores, em que devemos ficar de olho. Às vezes, ela reza para que o árbitro tome as decisões certas”. Na academia do ginásio da universidade, as paredes trazem um dos lemas da irmã: adorar, trabalhar, vencer. E ela confessa: “Eu rezo pelo outro time também, talvez não com tanta intensidade”.

“Não deixem que a equipe do Tennessee assuste vocês com a altura deles. A altura não significa tanto assim. Vocês pulam bem, fazem bons rebotes, são bons em tudo” – é um exemplo dos conselhos da irmã no momento de oração com os jogadores antes da partida.

Foto: Loyola University Chicago
Foto: Divulgação/Loyola University Chicago

“Ela é como qualquer técnico”, diz Donte Ingram, um dos jogadores, ao Chicago Tribune. “No meu primeiro jogo no time, ela me pegou de surpresa. Achei que ela só iria rezar. Ela rezou, mas depois começou a dizer: ‘Vocês têm que marcar e prestar atenção no camisa 23’. Ela sabe o que faz”.

Desde 1994, a religiosa perdeu apenas dez partidas do time – oito delas quando, em novembro passado, quebrou o quadril em uma queda. Ainda assim, acompanhou os jogos pelo seu iPad e não deixou de enviar seu tradicional e-mail de análise das partidas.

Pureza e bondade

Para o The Guardian, a popularidade da irmã tem explicação. “Ela sabe, como todos nós, que eventos esportivos não são jogos de moralidade. Ainda assim, uma parte de nós quer acreditar: até um ateu convicto acaba frequentemente falando de fé quando o assunto é o seu time. Essa é a grande razão pela qual a irmã Jean fez um sucesso tão estrondoso com os fãs. Ela representa a pureza e a bondade em um jogo que tantas vezes é corrompido”, escreveu o jornalista Hunter Felt.

“Ela traz alegria a cada lugar em que entra”, diz o técnico do time, Porter Moser. “Ela está sempre sorrindo. Tem energia”. Moser tem uma relação muito próxima com a irmã desde que, ao ser contratado, em 2011, encontrou em sua escrivaninha um envelope deixado pela religiosa em que havia páginas e páginas de anotações sobre as forças e as fraquezas de cada jogador.

“Acho que todo mundo é uma celebridade do seu próprio jeito”, disse a religiosa ao Access. “Não importa o que façamos, se estamos fazendo o que devemos, então cada um de nós é uma celebridade, cada um brilha aos olhos de Deus”.

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