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10 escritores católicos do século XX

Mesmo com o avançado secularismo e a perseguição à Igreja em vários países, o século XX viu surgir grandes escritores católicos.

Adélia Prado, poetisa mineira. Foto: Divulgação/Bienal do Livro de Brasília
Adélia Prado, poetisa mineira. Foto: Divulgação/Bienal do Livro de Brasília

Mesmo com o avançado secularismo e a perseguição à Igreja em vários países, o século XX viu surgir grandes escritores católicos, de maneira especial em regiões em que os católicos são minoria. Na poesia ou na prosa, fazendo a sua fé ressoar de maneira explícita ou implícita em suas obras, muitos deles alcançaram posições de destaque na literatura de seus países e na mundial, sendo capazes de tocar a sensibilidade mesmo de quem não compartilhava de sua fé. Confira dez escritores católicos de sucesso no último século:

Georges Bernanos (1888-1948)

georgesbernanosO escritor francês é autor de Diário de um Pároco de Aldeia, Nova História de Mouchette e Sob o Sol de Satã, todos adaptados para o cinema em produções muito bem avaliadas pela crítica – os dois primeiros pelo cineasta Robert Bresson. Era casado com uma descendente direta de um irmão de Santa Joana d’Arc. Decepcionado com a tibieza dos políticos franceses frente a Hitler, Bernanos se autoexilou no Brasil de 1938 a 1945, morando a maior parte desse período na cidade mineira de Barbacena.

Pablo Antonio Cuadra (1912-2002)

000394De família enraizada na política e na poesia nicaraguenses, Cuadra começou a publicar seus poemas na década de 1930. Entre suas obras, conta-se uma via-sacra em poesia, Vía Crucis, além de outros poemas de temática explicitamente religiosa, sem perder de vista seu pano de fundo centro-americano. Vía Crucis foi lido por São João Paulo II – também poeta – na Sexta-Feira Santa de 1986, no Coliseu.

Flannery O’Connor (1925-1964)

DenHoed-Flannery-OConnor-Induction-1200Autora de dois romances e 32 contos, O’Connor deixava transparecer em sua obra a sua fé católica, frequentemente abordando questões éticas, tendo como pano de fundo a sua região, o sul dos Estados Unidos – predominantemente protestante. Um caderno de orações que manteve enquanto esteve na Universidade de Iowa foi publicado em 2013, revelando a sua luta para crer. “O que a maioria das pessoas não percebe é quanto a religião é custosa. Elas pensam que a fé é um grande cobertor elétrico, quando na verdade é a cruz. É muito mais difícil acreditar que não acreditar”, escreveu em uma carta. Sofreu longamente com o lúpus e morreu ainda jovem, aos 39 anos.

Shusaku Endo (1923-1996)

Nascido em Tóquio, Endo fez parte de um grupo minoritário em seu país: no Japão, os cristãos não chegam a 1% da população. Sua obra de maior relevo, Silêncio, de 1966, tem como personagens jesuítas portugueses que foram missionários no Japão e acaba de ganhar uma adaptação para o cinema dirigida por Martin Scorsese.

J. R. R. Tolkien (1892-1973)

jrrt5John Ronald Reuel Tolkien tornou-se mundialmente conhecido por ter criado um universo inteiro em obras como O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Nascido na atual África do Sul, viveu desde os três anos na Inglaterra. Lecionou em Oxford e é considerado o pai da moderna literatura fantástica. Órfão de pai aos quatro anos e de mãe aos doze, foi educado daí em diante por um padre jesuíta. Sobre a sua obra mais conhecida, Tolkien afirmou: “O Senhor dos Anéis é obviamente uma obra fundamentalmente religiosa e católica; inconscientemente no início, mas conscientemente na revisão”.

Adélia Prado (1934-)

Adelia Prado11Ela era mãe, dona de casa e professora em Minas Gerais quando, em 1973, resolveu enviar alguns poemas para a avaliação do escritor e crítico literário Affonso Romano de Sant’Anna. O crítico se admirou tanto que mostrou os poemas a Drummond, que incentivou uma editora a publicá-los, o que foi feito em 1975. No lançamento de Bagagem, no Rio, estavam presentes Drummond, Juscelino Kubitschek e Clarice Lispector. No ano passado, a editora Record publicou uma bela edição de seus poemas, Poesia Reunida.

Paul Claudel (1868-1955)

250px-Paul_Claudel_01Ateu durante a adolescência, Claudel se converteu aos 18 anos, ao entrar na Catedral de Notre Dame durante a oração das Vésperas, no Natal de 1886: “Em um instante, meu coração foi tocado, e eu acreditei”, contou. Diplomata por profissão, foi embaixador da França nos Estados Unidos de 1928 a 1933 – foi capa da Time em 1927 –, depois de ter passado pela China, pela República Checa, pela Alemanha, pelo Brasil, pela Dinamarca e pelo Japão. Ainda assim, teve tempo para se dedicar extensivamente à poesia, embebida de sua fé católica. Recebeu nove indicações ao Nobel de Literatura.

Davide Maria Turoldo (1916-1992)

david_maria_turoldo_01Frade da Ordem dos Servos de Maria, o padre Turoldo se destacou como poeta e homem de diálogo. A convite do beato Ildefonso Schuster, arcebispo de Milão, foi o pregador das missas de domingo na catedral dessa cidade durante dez anos – precisamente durante a II Guerra Mundial, durante a qual teve intensa participação na resistência antifascista. Publicou duas coletâneas de poemas que o fizeram famoso em 1948 e 1952, Io non ho mani e Gli occhi miei lo vedranno.

Sigrid Undset (1882-1949)

sigrid-undset-3Nobel de Literatura em 1928, a escritora norueguesa tinha se convertido ao catolicismo quatro anos antes, aos 42 anos. Seus pais eram ateus, mas a família participava da Igreja Luterana apenas por dever social. O drama da guerra levou Sigrid, então agnóstica, a refletir sobre as grandes questões da vida humana, o que a conduziu à fé católica. Como a Noruega era maciçamente luterana e anticatólica, sua conversão gerou escândalo e ela participou de vários debates públicos defendendo a sua fé. Escreveu ainda uma biografia de Santa Catarina de Sena, que era, como ela, leiga dominicana.

Ariano Suassuna (1927-2014)

Ariano-SuassunaO autor de Auto da Compadecida e O Romance d’A Pedra do Reino foi um dos maiores expoentes da literatura e do teatro nordestino. Exerceu primeiro a advocacia, deixando-a depois para se dedicar à docência na Universidade Federal de Pernambuco. Iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais.

 

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