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Religião

Theresa May, a filha de pastor que se tornou primeira-ministra do Reino Unido

Embora suas ações políticas nem sempre coincidam com suas convicções religiosas, a nova líder britânica vai à igreja todo domingo e diz ter uma visão de mundo moldada pela fé

A igreja de Santo André, em Sonning, na Inglaterra, data do século X. Embora fique perto da mansão que George Clooney recentemente adquiriu por dez milhões de libras, a igrejinha é composta por paroquianos normais que são profundamente leais ao membro mais famoso de sua comunidade. Theresa May, a nova primeira-ministra do Reino Unido, frequenta a igreja todos os domingos, quando pode, desde antes de se tornar membro do Parlamento, em 1997.

Ela não costuma ficar para o chá após o culto, mas não há dúvidas sobre o seu comprometimento entre os fiéis. “A Sra. May vem todo o domingo, quando pode, ou seja, quando não está fora do país, por exemplo – todos entendemos isso. Tanto ela quanto o marido são bons frequentadores. Ela participa de eventos sociais sempre que pode. Apoiou muito a construção do novo salão paroquial e participa de todo tipo de evento na vila, como a mostra local de setembro”, diz ao Christian Today Shirley Chard, ex-secretária do conselho paroquial.

Nascida em 1956, May é a única filha de Hubert e Zaidee Brasier. Ela cresceu na zona rural de Oxfordshire, em meio ao pesado trabalho pastoral de seu pai, um padre anglicano. Por volta dos 12 anos, May já admirava o Partido Conservador. Frequentou uma escola de gramática local e conseguiu uma vaga para estudar geografia em Oxford. Lá, conheceu Philip, seu marido. Perdeu o pai em um acidente de carro em 1981 e, no ano seguinte, sua mãe morreu. Depois disso, descobriu que não podia ter filhos com Philip.

Polêmicas 

Como membro do Parlamento, em 1998, May votou contra a redução da idade de consentimento. Em 2002, votou contra a adoção gay, mas em 2004 apoiou a introdução da união civil. Em junho de 2010, escreveu que deve haver uma “mudança cultural” na Inglaterra para superar a homofobia. Em 2008, May votou pela redução do limite da idade do feto para o aborto de 24 para 20 semanas.

A não tão clara tomada de posição não convence alguns líderes conservadores. Peter Hitchens, colunista dominical do Daily Mail, diz que May é “blairista”, em referência ao ex-primeiro-ministro Tony Blair. “Não vejo nenhum sinal de que May apoie políticas socialmente conservadoras. Esse é o único aspecto no qual ela lembra Margaret Thatcher, cuja visão moral e religiosa provada parecia ser conservadora, mas que não fez nada para restringir a agenda liberal de seus colegas”, diz ele.

Em 2014, em entrevista à BBC, May disse que a sua fé impacta no modo como vê diversas questões, mas acrescentou que: “É certo que aqui, na política britânica, não alardeamos esse tipo de coisa”. Na mesma ocasião, falou sobre a sua infância e adolescência, em que “tudo girava ao redor da Igreja”. “Lembro-me por exemplo de estar na cozinha e olhar para a porta dos fundos, onde um grupo todo, uma família, veio reclamar sobre um problema na igreja. Era assim, só bater à porta e esperar para ver o vigário”, contou ela.

Judeus e muçulmanos

Sua ascensão ao governo britânico impressionou diversos grupos religiosos. O jornal israelense Haaretz classificou sua nomeação como “boas notícias para a comunidade judaica”. “May é talvez mais bem colocada que qualquer outro político para compreender as preocupações dos judeus britânicos em relação ao extremismo e ao crescente antissemitismo”, reportou o jornal The Jewish Chronicle.

Já o cardeal Vincent Nichols, que trabalhou junto a May no combate ao tráfico humano, escreveu a ela, dizendo: “Estou pessoalmente muito satisfeito com a sua nomeação. Pelo trabalho que realizamos juntos, sei que a senhora tem muitas qualidades para contribuir com o serviço ao nosso país neste momento. Aprecio a maturidade de julgamento, a determinação de aço, o senso de justiça e a integridade e o carinho pessoal que a senhora sempre demonstrou”.

Enquanto judeus e católicos parecem satisfeitos, a reação islâmica foi mais heterogênea. Por ter apoiado políticas de antiterrorismo controversas, May foi escolhida ano passado pela Comissão Islâmica de Direitos Humanos a “islamofóbica do ano”. No começo de 2016, porém, agradou aos muçulmanos ao anunciar uma revisão sobre o uso da Sharia.

Também foi controversa a decisão de May, em 2015, de recusar a cota de refugiados estipulada pela União Europeia para responder à crise dos migrantes no Mediterrâneo. Além disso, até agora, May tem se recusado a dizer que será permitida a permanência de migrantes vindos da União Europeia na Inglaterra pós-Brexit.

Com os desafios que May enfrentará nos próximos anos, o pároco da igrejinha de Santo André, Jamie Taylor, amigo da nova primeira-ministra, garante: “Rezamos toda semana por Sua Majestade e por aqueles que detêm alguma autoridade abaixo dela, e essa oração será um tanto mais significativa aqui na paróquia nos próximos anos”.

 

Com informações de Christian Today.

Colaborou: Felipe Koller

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