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Reflexões para mulheres reais

Como a pornografia estimula a violência contra a mulher

Estudos revelam que espectadores de conteúdo pornográfico são mais propensos a praticar crimes como estupro e assédio sexual

Homem computador

Você que lê este artigo provavelmente já viu um filme de terror. Mesmo que você não seja do tipo que se assusta facilmente, provavelmente sentiu medo, aflição ou susto enquanto assistia. Após o final do filme, deve ter pensado naquela boneca assassina ou serial killer quando foi dormir ou num momento futuro em que acabou a luz em casa. Mas por que algo que vemos na TV por apenas duas horas mexe tanto com o nosso imaginário?

O ser humano é capaz de uma percepção significativa, ou seja, tudo aquilo que ele vê o afeta de certo modo, seja para o bem, seja para o mal. Os nossos olhos mandam a todo segundo informações para o nosso cérebro, cuja função é interpretar as imagens captadas e fornecer uma resposta sobre o que fazer com aquele conteúdo que está à frente do espectador. Para resumir, o homem sempre irá atribuir um sentido, uma razão e um significado para aquilo que enxerga. Mas e na pornografia, o que é possível enxergar?

É simples: a desvalorização humana, principalmente a da mulher. As relações sexuais são completamente banalizadas e vistas como algo que existe apenas para a satisfação do prazer pessoal, desprovidas de amor ou carinho, aspectos que validam a constituição das relações sexuais. Um ato que deveria envolver respeito e igualdade é mostrado como um instrumento de degradação moral.

Na maioria dos vídeos pornográficos, a figura feminina está à total disposição da masculina, pondo-se em situação de submissão e objeto de prazer pessoal do homem. Um estudo recente da New York University analisou os 50 filmes adultos mais vendidos e concluiu que, das 304 cenas analisadas, quase metade apresentava agressão verbal e mais de 88% continham agressão física. O homem que assiste com frequência esse tipo de conteúdo  começa a naturalizar tais cenários degradantes em seu subconsciente: se todos os dias ele vê na tela do seu computador uma mulher que deve se submeter à figura masculina, por que isso deveria ser diferente para ele na vida real?

Infelizmente, devido ao caráter vicioso inerente à pornografia, o homem que consome esse tipo de conteúdo não consegue mais “desver” a mulher sem ser numa condição chula e degradante. A pornografia se torna, então, um catalisador dos problemas de violência feminina, principalmente quando esse material é de fácil acesso e explícito, o que aumentou com o avanço da internet.

Encaramos um aumento na violência sexual por causa do aumento de conteúdo pornográfico disponível. Agora, a pornografia não está mais apenas em revistas especializadas. Está em todo o lugar: em sites, filmes, séries e redes sociais, ou seja, mídias digitais de fácil compartilhamento. Quando um conteúdo é apresentado em grande quantidade, ele gradualmente deixa de chocar a audiência, já que perde o fator de “novo”, gerando uma naturalidade a um problema tão danoso.    

Por disponibilizar relações sexuais sem afeto e muitas vezes sem consentimento, veículos pornográficos contribuem diretamente para a violência verbal e física contra a mulher – o homem deixa de procurar a companhia feminina pelo afeto, mas sim pelo prazer. Se ela não está de acordo, isso vai contra ao que ele está acostumado a enxergar na pornografia, fazendo-o recorrer a violência (meio que se utiliza para dominar a mulher).

Foi exatamente isso que a pesquisadora norte-americana Margaret Intons-Peterson concluiu num estudo em 1989: após expor homens adultos a conteúdos pornográficos violentos e em seguida questioná-los e observar suas reações, ela relatou que a maioria deles se considerava propenso a praticar estupro, auxiliar no crime ou não o denunciar. O relatório, mesmo que antigo, reflete a desumanização da mulher vista na pornografia e sua direta influência na violência contra as mulheres. Se o estudo fosse realizado atualmente, os resultados certamente seriam os mesmos ou piores.

Para o homem tratar a mulher como igual, ele deve de uma vez por todas entender a autonomia e liberdade que cada uma tem de seu próprio corpo e de sua própria vida. Como ele poderá enxergar isso se vê constantemente o oposto na pornografia?

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