Sempre Família - Porque cuidar é fundamental

Conecte-se ao Sempre Família

Siga-nos:
PUBLICIDADE
Beautiful Snow Queen Reading a Book
13010153_1316171381746165_1556056633_o
Ana Clara, Bárbara, Bia, Letícia B, Letícia Q, Nat e Teresa

Reginas

Reflexões para mulheres reais

Crises de jovem adulto

Sair ou não de casa? Será que a profissão escolhida aos 18 anos realmente me realiza? Quero mesmo me casar com a pessoa que namoro? Não entre em pânico: tudo pode ser uma tensão normal da vida.

Priscilla du Preez - Unplash
Priscilla du Preez - Unplash

Sair ou não de casa? Será que a profissão escolhida aos 18 anos realmente me realiza? Quero mesmo me casar com a pessoa que namoro?

Estas perguntas são algumas que martirizam jovens adultos na faixa dos 25-30 anos. Antigamente, nossos pais se casavam cedo e saíam de casa para construir uma família muitas vezes por fuga. Viver com os pais poderia ser muito doloroso. As ideias já não se encaixavam, as personalidades não mais batiam. Casar era a única opção para alguém que desejava ter o próprio lar. Hoje as pessoas podem sair de casa para um apartamento próprio não necessariamente estando casadas. Não me refiro a morar com namorado. Me refiro a morar sozinho, ter o próprio canto, mesmo não tendo nenhuma perspectiva de se casar.

Quando crianças, admiramos nossos pais e os tomamos como modelos. Na adolescência, passamos a encontrar neles todos os tipos de defeitos possíveis. A oscilação hormonal faz o adolescente distorcer a visão sobre o mundo, o que o leva a enxergar os genitores como causadores de diversos problemas que ele vivencia. Já na fase adulta tendemos a sermos mais equilibrados em nossos julgamentos: nossos pais não são perfeitos, mas também todos os nossos problemas não são culpa deles. Nessa fase tendemos a perceber que muitos momentos de nossa vida e do relacionamento com nossos pais afetaram muito nossa personalidade e valores. Muitas pessoas buscam ajuda psicológica nesta etapa, tentando entender as próprias atitudes e a relação destas com os valores que recebeu da família. No fundo, como já cantou Elis Regina, toda geração tem medo de ser como nossos pais.

As tensões crescem, as coisas mal resolvidas da infância e da adolescência também, e daí vem o momento de alçar voo, sair de casa, buscar uma nova vida, crescer por conta própria. Para os pais deixar os filhos cuidarem da própria vida é um grande sofrimento. Para os filhos há um conflito entre se auto sustentar e entre viver na casa dos pais com estabilidade financeira. O excesso de convivência com a família pode pesar na decisão de sair, apesar da condição financeira. É sofrido para os dois lados, mas sofrimento também é sinônimo de amadurecimento. Uma hora todos deverão passar por isso e faz parte do curso natural da vida.

Junto com a decisão de sair de casa, soma-se a crise de identidade pessoal e profissional. Os nossos amigos talvez não estejam no mesmo momento que nós. Pode ser que nosso namoro já não seja mais tão legal como antes. Trabalhar na profissão escolhida pode ser verdadeiramente pesaroso. É preciso ter em conta que se nos guiarmos totalmente pelos nossos instintos do momento, como propõe a cultura do sentimentalismo liquido de hoje, nunca estaremos profissionalmente e pessoalmente satisfeitos. Sentimentos oscilam como nossos hormônios: um dia estamos bem, o outro, não. Pode ser que a profissão que você escolheu tenha dias ruins, mas pode ser que tenha dias bons. Pode ser que a pessoa que você namora e pretende se casar te deixe chateada às vezes, mas pode ser que o amor que você sente por ela e os valores que essa pessoa tem supere isso. Ninguém é feliz todo dia! A verdade é que se não equilibramos sentimentos com a razão, acabamos nos tornando escravos do momento e sujeitos inconstantes. Somos pessoas livres e podemos mudar os rumos da nossa vida a qualquer momento. Todavia, para não tomarmos decisões que nos arrependeremos depois, é preciso ter equilíbrio e prudência. Analisar os fatos, pedir conselhos às pessoas sabias ou que já passaram por essas questões e recorrer a ajuda profissional, se necessário, podem ser caminhos para fazer escolhas mais acertadas.

A família, mais uma vez, integra todo este processo. É comum pais se meterem nas decisões pessoais e profissionais dos filhos – mais ainda quando estes resolvem se casar e ter filhos. Pode ser que os pais não percebam as próprias atitudes diretivas que têm (muitas delas são inconscientes). Nós, como filhos adultos, devemos ter consciência destes comportamentos e criarmos estratégias para lidar com isso sem desprezarmos nossos pais – como se fôssemos adolescentes rebeldes – e sem anular nosso poder de decisão sobre nossa própria vida. Nem sempre nossos pais nos darão bons conselhos e nem sempre o que eles dizem deve ser seguido. É por isso que muitos jovens adultos encontram na religião e direção espiritual um apoio mais sólido que o oferecido pela família para lidar com determinadas situações.

Não existem respostas prontas para as famosas crises do jovem adulto. Cada um lida com as situações que passa de maneira singular. Fato é que as transições, como em qualquer fase da vida, podem ser dolorosas, mas também muito enriquecedoras. O medo de cometer os mesmos erros dos nossos pais é superado pela gratidão que vamos criando por termos a vida que temos. Sim, sem tudo o que vivemos e sofremos, sem nossa família, sem cada segundo de nossas vidas, não seríamos quem somos hoje. Agradecer, perdoar, amar. E aos poucos vamos aprendendo a lidar com as tensões naturais de todos os dias!

 

(Letícia B.)

Por

Comentários

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

Leia também