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Protestos contra a legalização do aborto nos EUA em 1973. Divulgação
Protestos contra a legalização do aborto nos EUA em 1973. Divulgação
Defesa da Vida

Movimento pró-vida nasceu como uma causa progressista, defende historiador

Até o início dos anos 1970 o movimento pró-vida se identificava como um movimento progressista ligado à defesa dos direitos humanos.

Muito antes do julgamento Roe vs. Wade, que em 1973 tornou o aborto legal nos Estados Unidos, havia no país um vibrante movimento pró-vida que teve origem na esquerda. É o que defende Daniel K. Williams, professor de história na University of West Georgia, em seu livro Defenders of the Unborn (“Defensores dos nascituros”), que traça as origens do movimento pró-vida nos Estados Unidos.

“A maioria dos acadêmicos que abordavam as políticas de aborto costumava dizer que o movimento pró-vida se desenvolveu apenas como uma reação ao caso Roe vs. Wade e o retratava como um produto do conservadorismo cultural”, explica Williams ao site Crux. “Meu livro desafia esse consenso acadêmico através de um estudo detalhado sobre as pessoas e organizações que se mobilizaram em defesa dos direitos dos nascituros nos anos 1960 e no começo dos anos 1970.”

“Como eu demonstro por meio de numerosas referências a fontes documentais, a maioria dessas pessoas eram progressistas do Partido Democrata que admiravam o presidente Franklin Roosevelt e apoiavam iniciativas contra a pobreza e programas federais de proteção aos direitos das minorias”, diz o autor.

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Williams conta que algumas das manifestações nacionais contra o aborto que ocorreram no começo dos anos 1970 eram claramente tidas como progressistas. O encontro anual de 1973 do Comitê Nacional pelo Direito à Vida foi marcado pelo discurso do senador progressista pacifista Mark Hatfield, que é mais conhecido por sua oposição à Guerra do Vietnã.

Alguns meses antes, em setembro de 1972, estudantes universitários pró-vida de todo o país se reuniram em Washington para um protesto contra o aborto diretamente modelado a partir de protestos contra a guerra.

Houve apresentação de uma banda pró-vida de folk rock e um discurso do ministro progressista antibelicista Richard John Neuhaus. Em um protesto simbólico a favor da ideia de que a vida começa na concepção, os estudantes queimaram cópias de suas certidões de nascimento, emulando a prática dos protestos antibelicistas em que se queimavam as cartas convocatórias para a guerra.

Afroamericanos

“Mildred Jefferson foi uma estrela que ascendeu rapidamente no movimento pró-vida no começo dos anos 1970. Ela foi presidente do Comitê Nacional pelo Direito à Vida. Era afroamericana e protestante”, conta Williams.

“Ela cresceu como filha de um pastor metodista no Sul segregado e se tornou a primeira mulher afroamericana a se formar pela Escola de Medicina de Harvard. Depois de uma carreira de vinte anos como cirurgiã em Boston, ela começou a discursar contra o aborto em 1970, denunciando que se tratava tanto de um ataque contra a vida humana quanto um ato de ‘genocídio contra os negros'”, relata.

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“Às vezes Jefferson enquadrava a sua oposição ao aborto na linguagem da justiça social para as minorias, mas mais frequentemente ela preferia recorrer a suas credenciais como médica e usar argumentos médicos e científicos detalhados para persuadir os ouvintes de que a vida humana começa na concepção”, diz o historiador.

“Naquela época, os afroamericanos eram mais propensos do que outros grupos demográficos a se opor ao aborto. Muitos líderes do movimento pelos direitos civis, incluindo Jesse Jackson [pastor batista, ativista ao lado de Martin Luther King Jr.], discursaram em favor dos direitos dos nascituros”, contextualiza Williams.

Atualidade

Para o autor, o apelo contínuo da causa pró-vida, especialmente entre as gerações mais novas, se deve em grande parte ao fato de que, em sua origem, trata-se é um movimento baseado em justiça social e direitos humanos. “Em outras palavras, as origens progressistas do movimento contribuem para o seu contínuo sucesso, mesmo em um momento em que o movimento se tornou estreitamente ligado ao conservadorismo político”, avalia.

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“Diante disso, acho que os ativistas pró-vida de hoje deveriam permanecer conscientes da herança progressista do seu movimento e deveriam ser cautelosos em identificar a sua causa tão de perto com a direita política”, orienta Williams.

“Alianças com conservadores podem ser pragmáticas – especialmente em um momento em que poucos políticos progressistas estão dispostos a apoiar restrições ao aborto –, mas os ativistas pró-vida deveriam se dar conta de que o seu movimento experimentou sua maior vitalidade e seu apelo mais amplo quando os defensores dos nascituros caracterizaram a sua mensagem em torno dos históricos valores norte-americanos progressistas dos direitos humanos e da obrigação social de cuidar dos desfavorecidos e honrar a dignidade de todos os seres humanos”, diz.

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