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Crédito: Reprodução/YouTube
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Casamento e Compromisso

Entrevista: “sou gay e contra a adoção de crianças por homossexuais”

O escritor e documentarista francês Jean Pierre Delaume-Myard explica por que defende que toda criança tem de ser criada por um pai e uma mãe

Jean Pierre Delaume-Myard, roteirista, escritor e documentarista francês, homossexual convicto e sereno, está há alguns anos na mira dos lobbies gay europeus. Está manchado por uma culpa imperdoável: não somente aceitou o papel de porta-voz da organização La Manif pour tous na França (que defende o casamento exclusivamente heterossexual), como escreveu um livro explicando por que ele, homossexual, considera injusta a opção do casamento e, sobretudo, da adoção gay. “As crianças devem ter uma mãe mulher e um pai homem. Qualquer outra opção é uma discriminação. E digo isso como homossexual.”, disse o roteirista ao jornal italiano Avenire.

Confira abaixo uma tradução dos melhores momentos da entrevista de Delaume-Myard ao periódico italiano.

 

Ao seu ver, existe uma diferença entre ter pais homossexuais ou heterossexuais?

Esse já é o cerne da questão, temos que dar um passo atrás primeiro.

Ok, de onde partimos?

Gostaria de dizer antes de tudo que os lobbies gay não representam todos os homossexuais. No debate sobre a inserção da homogenitorialidade no sistema jurídico italiano, os homossexuais foram passados para trás. Não foram considerados na sua diversidade intelectual, espiritual e política, mas reduzidos a uma prática sexual que implica necessariamente certas exigências, como a união civil e a necessidade de ter filhos.

O senhor não concorda muito com o lobby gay. Pelo que escreveu no livro “Não no meu nome. Um homossexual contra o casamento para todos”, foi acusado de homofobia. Essa é outra demonstração da “generocracia” na nossa sociedade?

Homossexual e homofóbico. É o cúmulo. E ainda assim é disso que me acusa a comunidade gay. São os mesmos que dizem que La Manif pour tous na França é um movimento homofóbico. Mas gostaria de dizer que nem na Itália nem na França sofri a mínima hostilidade por causa de minha orientação sexual.

Talvez o erro seja pensar que da orientação sexual devem necessariamente derivar escolhas políticas e certo tipo de empenho social.

Exato, eu aceitei ser porta-voz de La Manif pour tous não como homossexual, porque isso é secundário, mas como cidadão. Isso porque não é a nossa sexualidade que orienta o nosso pensamento. Aqueles que pensam assim – é preciso dizer com clareza – são autênticos homofóbicos. É por isso que, ao meu ver, não é ilógico ser homossexual e defender a família.

Voltemos à nossa questão. As pressões científicas e jurídicas já permitem criar uma ilusão de que a heterossexualidade e a homossexualidade sejam variantes equivalentes da orientação sexual. É assim mesmo?

Toda criança precisa prioritariamente de um pai e de uma mãe para crescer. Há uma autêntica diferença entre ter dois “pais” ou duas “mães” e ter pais heterossexuais. A verdadeira paridade encontra a sua única fonte no casal que gera. Somente ali ela é incontestável. Pretender eliminá-la é negar a realidade. Todos devemos a vida à paridade homem-mulher.

Aqueles que sustentam a teoria de que não há “nenhuma diferença” explicam que não é tão importante a “natureza” dos pais, mas a sua “função”. O que acha disso?

É verdade que um casal homossexual pode trazer a uma criança tanta felicidade quanto um casal heterossexual. Mas não é só isso que conta. Uma criança deve ser capaz de se identificar com os componentes masculinos e femininos de seus pais. Do ponto de vista psicológico, uma menina pode entender que dois homens, que não querem ter uma mulher, possam ao mesmo tempo querer uma menina como filha? O mesmo para um menino diante de duas mulheres que pretendem se passar por suas mães.

Por que o senhor é tão firme em considerar inoportuna a adoção por parte dos homossexuais?

Os filhos adotivos se interrogam incessantemente sobre os motivos do seu abandono por parte dos pais biológicos. Acrescente a isso a dificuldade de entender uma filiação homossexual e tornaremos a sua vida ainda mais árdua – é como condená-los a uma pena dupla.

O senhor falou sobre uma verdadeira discriminação nos confrontos das crianças adotadas por casais homossexuais. Não é um pouco exagerado?

Esse é o problema que levantei no meu livro. Lembro, antes de tudo, que a adoção não pode ter por objeto um casal que não pode ter um filho, mas sim um filho que perdeu os seus pais. E não podemos colocar no centro o interesse egoísta gay, que viola a convenção internacional da ONU dos direitos da infância que exige que se atenda o interesse superior da criança. Sim, essa situação criará uma profunda desigualdade entre as crianças.

Por que você está convicto disso?

A criança adotada por dois homens ou duas mulheres poderá dispor de educadores, adultos de referência, mas continua privada de pais. E isso porque os pais do mesmo sexo não podem indicar uma origem nem sequer simbólica. Ela será, de fato, privada de pais duas vezes: primeiro com a vida, e ainda uma vez com a possibilidade de um casal gay adotá-la.

 

Colaborou: Felipe Koller

Com informações de Avvenire.

16 Comentários
  1. Filhos são um “direito” dos pais? Ou de qualquer outra pessoa?
    Gerar e parir um bebê é um “direito” das pessoas?
    Considerar as pessoas assim, como meros objetos, que DEVEM existir para a própria satisfação pessoal, e para suprir as próprias carências e desejos, certamente leva a abusos diversos contra as crianças, que já estamos vendo:
    – crianças com “pai” anônimo
    – crianças com 2 pais ou 2 mães, o que é um desrespeito à natureza e às crianças
    – crianças com “pai” anônimo geradas por “mães” de aluguel
    – crianças gestadas dentro de um “homem”, e amamentadas por um “homem”, pela dificuldade destes em não se encontrarem em seu corpo de mulher, e que por isso, precisam de ajuda
    – e quantas mais situações que desrespeitam a natureza do ser humano.

  2. Eu concordo com a posição deste sr. As crianças à espera de adoção, ou geradas por um@ doado@ amig@ desenvolverão questões psicológicas muito complexas. O referencial de cuidados durante seu desenvolvimento não são simples. Tenho amigos que foram adotados por casais heteros e amigos heteros que adotaram irmãos, já “grandes”( 8 e 4anos) e por isso digo, pela nossa proximidade. Tenho um amigo que vive com seu parceiro há uns 15 anos. Certa vez, eu dizendo que tenho vontade de adotar uma criança, ele entrou na roda e colocou que ele e seu parceiro decidiram por apadrinhar uma criança da família de um deles, mas ñ adotar. O que ele colocou de forma muito aberta foi, que ele e seu parceiro já enfrentam muitas situaçoes de dificuldade e agressões devido a homosexualidade, e que, a adoçao seria expor a criança a mais preconceitos e agressão psicológica da sociedade. Não poderiam usar o desenvolvimento da criança como instrumento para aumentar a tolerância em relação a homosexualidade. Eu sinceramente não pensei que ele fosse entrar neste assunto de forma tão aberta, clara, convicta.

  3. isso nao tem nada haver com a homossexualidade mas sim como dar uma opcao de escolha para crianca,criar de uma forma correta presenca masculina e feminina ensinar todos fundamentos de uma familia por acaso alguem nasceu de uma relacao homossexual acredito que nao mas foram criados por um pai e uma mae mas ao decorrer do tempo as pessoas crescem tem suas escolhas ai temos que respeitar apos esse decorrer do tempo a opcao sexual de cada um isso nao ser homofobico mas sim agir pela razao ,a questao que tem muita crianca doente para adotar,existem muitos casais heteros que desempenham bem esse papel mas muitas vezes para em nossas leis atrapalhadas criadas para complicar e nao para ajudar
    otimo e feliz 2017 para todos nos

  4. Resposta a Pierre Delaume-Myard que diz “sou gay e contra a adoção das crianças por homossexuais”

    O escritor e documentarista francês Pierre Delaume-Myard reflete tudo aquilo que combatemos: a mesquinhez e o pensamento que não cogita o respeito às diferenças.

    Ele alega que uma criança tem que ser criada por um pai e uma mãe, que homossexuais não deveriam ter direito a adotar crianças.

    Sr. Delaume, respeitamos sua opinião, porém a consideramos distante do que acreditamos como sensato num mundo plural e com inúmeros desafios a serem vencidos, entre os quais o abandono de crianças por casais heterossexuais, a falta de oportunidades e a violência que vitima pessoas simplesmente pela orientação sexual ou a identidade de gênero.

    Certamente o senhor, que não vive a realidade da violência como a que presenciamos (e da qual infelizmente somos também vítimas) em países como o Brasil, desconhece os números. No Brasil, um LGBT é assassinado a cada 27 horas, geralmente depois de ser torturado sem dó nem piedade. No Brasil, assim como em inúmeros países com desigualdades sociais gritantes, há milhares de crianças de todas as raças e idades, muitas doentes ou vítimas de abusos e de violência, largadas nos lares de adoção à espera de uma família. As famílias heterossexuais que adotam, o senhor não deve conhecer essa realidade distante de sua vida confortável na França, buscam geralmente crianças brancas, preferencialmente bebês saudáveis, o modelo quase ariano.

    Respeitamos sua opinião, Sr. Delaume, sabendo que o senhor se equivoca completamente defendendo que só um modelo de família é concebível. Certamente respeitamos os LGBTs e mesmo os não LGBTs que optam por não constituírem famílias. O que não aceitamos de modo algum são pessoas como o senhor, que usam esse tipo de argumento para agredirem e pregarem a “violência institucional”, defendendo leis restritivas, e consequentemente promovendo a violência física e psicológica, praticada por seguidores sem senso social ou de humanidade. No seu caso específico, Sr. Delaume, temos convicção de que a mesquinhez e a falta de amor ao próximo não são requisitos desejáveis para se formar uma família e dar continuidade à raça humana. Agradecemos por não desejar se casar ou ter filhos ou, o que seria pior, adotar uma criança!

    Há sim pessoas que prezam o contato humano, que respeitam as liberdades e direitos individuais, que acreditam no amor, no afeto e no poder do sentimento que unem as pessoas independentemente de qualquer outro critério (verdadeira definição de família). E, mais importante do que tudo, há pessoas que entendem que não se deve julgar muito menos condenar pessoas pelo que acreditam e na maneira como vivem, sobretudo se essas pessoas são honestas e não agridem física ou psicologicamente terceiros. Não parece ser o seu caso e nem o caso de correntes totalitárias e nazistas que pretendem eliminar diferentes da face da terra e que pegam microfones para ir contra pessoas que só estão vivendo suas vidas e construindo modelos sociais onde a tolerância e o respeito ao próximo imperam. Diversidade é humanidade. Pregar a segregação, buscar restringir direitos e agredir terceiros, isso sim deveria ser julgado e punido de maneira severa.

    Marília Serra, membro fundadora da Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas – ABRAFH

    Français

    Lettre à Pierre Delaume-Myard qui dit «Je suis gay et contre l’adoption d’enfants par les homosexuels”

    L’écrivain et réalisateur de documentaires français Pierre Delaume-Myard reflète tout ce que nous combattons: la mesquinerie et de la pensée qui ne considère pas le respect des différences.

    Il prétend que l’enfant doit être élevé par un père et une mère, que les homosexuels ne devraient pas avoir le droit d’adopter des enfants.

    M. Delaume, nous respectons votre opinion, pourtant elle est bien loin de ce que nous croyons raisonnable dans un monde pluriel et qui fait face à de nombreux défis, parmi lesquels l’abandon des enfants par des couples hétérosexuels, le manque d’opportunités et la violence dont les gens sont des victimes simplement par leur orientation sexuelle ou leur identité de genre.

    Vous, qui ne vivez pas la réalité de la violence dont nous sommes des témoins (et hélas aussi des victimes) dans des pays comme le Brésil, vous ignorez certainement les chiffres. Au Brésil, un LGBT est tué toutes les 27 heures, le plus souvent après avoir été torturé sans pitié. Au Brésil, ainsi comme dans de nombreux pays où il y a des inégalités sociales criantes, il y a des milliers d’enfants de toutes races et âges, souvent malades ou victimes de mauvais traitements et de la violence, abandonées à leur sort aux maisons d’accueil en attente d’une famille. Les familles hétérosexuelles qui cherchent à adopter, vous ne devez pas connaître cette réalité lointaine de votre confortable vie en France, cherchent généralement des enfants blancs, plutôt des bébés en bonne santé, on dirait même quelque chose proche du modèle arien.

    Nous respectons votre opinion, M. Delaume, sachant que vous avez complètement tort en faisant valoir un unique modèle de famille concevable. Certes, nous respectons les LGBT et même les non LGBT qui choisissent de ne pas constituer des familles. Ce que nous n’acceptons pas de tout c’est des gens comme vous, qui utilisent ce genre d’argument pour agresser et promouvoir de la « violence institutionnelle », en préconisant des lois restrictives, et par conséquent qui finissent par promouvoir de la violence physique et psychologique, pratiquée par ceux qui vous suivent de manière aveugle et sans aucun sens social ou de l’humanité. Dans votre cas particulier, M. Delaume, nous sommes convaincus que la mesquinerie et le manque d’amour au proche ne sont pas des caracteristiques souhaitables pour former une famille et donner continuaison à la race humaine. Merci, M. Delaume, de ne pas vouloir vous marier ni avoir des enfants ou, ce qui serait pire, pour ne pas vouloir adopter un enfant !

    Oui, il y a des gens qui apprécient le contact humain, qui respectent les libertés et les droits individuels, qui croient à l’amour, l’affection et au pouvoir des sentiments qui unissent les gens indépendamment de tout autre critère (vraie définition de famille). Et le plus important, il y a des gens qui comprennent qu’il ne faut pas juger ni condamner les gens pour ce qu’ils croient ou comment ils vivent, surtout si ces gens sont des citoyens honnêtes et qui ne prennent pas leur temps à agresser physique ou psychologiquement des tiers. Il ne semble pas être votre cas et non plus le cas des groupes totalitaires et nazis qui ont clairement l’intention d’éliminer les différents de la terre et prennent le microphone pour se déclarer contre des gens qui tout simplement sont en train de vivre leur vie et qui contribuent à la construction de modèles sociaux où priment la tolérance et le respect des autres. La diversité n’est que de l’humanité. Ceux qui prêchent pour la ségrégation, en cherchant à restreindre les droits et à nuire à autrui, ceux là est qui doivent être jugés et punis sévèrement.

    Marília Serra, membre fondateur de l’Association brésilienne de familles homoparentales – ABRAFH.

  5. Os gays são apenas pessoas comuns, e a homossexualidade é epigenética (como ser destro ou canhoto). Ou seja, não há qualquer “opção” nisso, o corpo da pessoa funciona desta forma “errada”, mas não há o que fazer. Por isso não há nada que desabone os homossexuais. São apenas pessoas comuns em uma situação de marginalização social. Por outro lado, há milhares de crianças na fila de adoção, e os gays adotam justamente aquelas que ninguém quer. Crianças com doenças mentais, câncer, hiv, deficiências etc. Deixem eles ajudarem a sociedade. Não são monstros, não são “pedófilos”, são apenas pessoas comuns.

    • A cada cinco famílias na fila de adoção, há uma criança para ser adotada. Não existe essa de “criança que ninguém quer”. A questão não tem nada a ver com os gays, e sim como a criança em si vai crescer, a ausência de uma mãe ou de um pai no crescimento dela, afeta muito o seu psicológico.

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