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Virtudes e Valores

Dia da Independência: há motivos para ser patriota no Brasil?

Diante da crise moral, econômica e política que o país enfrenta, muita gente tem se questionado se vale a pena cultivar o patriotismo.

Entre 2014 e 2016 foram entregues à Receita Federal 55.402 Declarações de Saída Definitivas do Brasil, um número 82% maior do que em 2011 e 2013, quando 30.506 brasileiros deixaram o país. Livrar-se da crise generalizada na qual o Brasil está mergulhado é a explicação mais comum para a debandada. Por outro lado, desde as grandes manifestações de 2013, aumentaram as bandeiras verde e amarelas estendidas nas janelas das casas e tremulando nos vidros dos carros, uma consequência direta da Operação Lava-Jato. É como se a mesma crise que faz tantos desistirem de uma vez do Brasil, turbinasse o patriotismo de outros. Aqueles que ainda não decidiram entre uma coisa e outra se perguntam: vale a pena ser patriota num país como Brasil?

Para Daniel Medeiros doutor em Educação Histórica e professor do Curso Positivo, não é a crise que une um povo, mas, sim, a vontade de superar toda essa situação. É o sentimento de esperança que muda as expectativas do cidadão. Como exemplo, Medeiros cita a Crise de 1929, conhecida também como a Grande Depressão, nos Estados Unidos. “Na depressão americana, os exemplos de superação, os grandes atos de solidariedade e as histórias com final feliz eram repetidas à exaustão, criando uma espécie de imagem coletiva do povo americano naquele momento. Ou seja, eles não queriam ser como os exemplos de violência e pobreza que viam no dia a dia, mas queriam ser como aqueles que ajudavam uns aos outros, que resistiam e mantinham a dignidade. Quando, ao contrário, você repete somente o ‘não tem jeito’, ‘o problema do Brasil são os brasileiros’ e ‘eita, povinho’, em que lugar você acredita que poderemos chegar?”, questiona.

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Já para o analista político e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Masimo Della Justina, o patriotismo no Brasil nunca foi muito forte. Ele conta que na Guerra dos Farrapos ou em revoluções que aconteceram aqui, e que seriam momentos de construir o país, as pessoas envolvidas tinham interesses diferentes. Quando o sentimento de pertença estava crescendo, a população viu que os que triunfaram se mantiveram como donos do país, assim como aconteceu na época de colonização. “Se pegar a república de Floriano Peixoto, você vê que ela não foi federalista, mas quase unitária”, diz.

Outro fator determinante para essa falta de senso patriótico estaria na educação. “O brasileiro médio não tem educação política no Ensino Fundamental e Médio. E o pouco que teve um dia foi misturado com o regime militar, como as disciplinas de Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira (OSPB)”. A experiência do regime militar acabou criando uma rejeição coletiva não apenas ao que foi o regime, mas também a todos os elementos que o lembrassem, como o nacionalismo e o incentivo em se ter amor à pátria.

Della Justina ainda lembra aos pais que estão formando os futuros brasileiros, de que a escola é um complemento da educação e não substituta, e de que é pelos exemplos que eles dão hoje que será possível ver uma transformação amanhã. “Costumo dizer que a geração da década de 60 jogou alguns valores que não toleravam fora, mas não fez um processo seletivo para manter questões como a grandeza e o respeito pelo outro e pelo que é público”, diz.

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Somado a isso, o professor diz que a percepção generalizada do brasileiro hoje é a de que vive numa terra de oportunistas, o que dificulta muito o cultivo de um sentimento de pertença. “Ele está cercado de oportunistas em todas as esferas. Na superior, por exemplo, onde estão aqueles que deveriam ser os líderes políticos e empresarias falta o senso de grandeza, ética e respeito”.

Decepção

A desilusão com o “jeitinho brasileiro”, tão aceito no país, foi um dos elementos a fazer com que Luiz Felipe Arantes, de 27 anos, repensasse seu amor ao país. “A junção de várias coisas negativas, unidas à atual crise, fez com que eu perdesse o meu senso patriota”, conta. A decepção com o país, inevitavelmente, afetou também sua disposição em incentivar o filho a nutrir algum espírito patriótico. “Eu acredito que o senso de pertencimento, que nem sempre se resume a patriotismo, é algo importante na formação de uma criança. Devo ensiná-lo a se ver como parte e como possível agente transformador de uma sociedade. Mas apesar disso, todas as vezes que paro e olho o meu futuro no país e, em consequência o do meu filho, uma espécie de desespero toma conta de mim. Aí, o primeiro pensamento é de abandonar o barco e fazer a vida em um país em que minha família possa ter uma vida mais confortável, segura e estável”, completa.

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Já Cecília Brandão, de 32 anos, acredita que o patriotismo não é e nem será a decisão mais importante da vida do filho, que tem quatro anos. Para ela, que atua como jornalista e é cientista política, incentivar que ele pratique valores cristãos, acima de qualquer ideologia é o que fará dele um agente de transformação aqui, no país em que nasceu, ou em qualquer lugar para o qual ele vá quando crescer. “A situação do país desanima até o mais entusiasta. Eu e meu marido educamos nosso filho com esses valores cristão e vamos oferecer subsídios para que escolha onde e de que forma irá praticar sua cidadania. Ser ou não patriota não é a decisão mais essencial da vida dele, porque vejo que existem coisas mais importantes que moldarão seu caráter e definirão quem ele é”, explica.

Esperança

Na percepção de Adriana Martins, de 32 anos, a geração que está vindo agora já é bastante consciente dos hábitos que devem ter para que o país seja melhor. “Antes eu lembro que era tido como uma coisa bonita fazer carteirinhas falsas de colégio para comprar ingresso de cinema mais barato. Hoje eu vejo que os jovens combatem isso, que veem que não é algo correto e que é uma forma de corrupção”, diz. Ela, que é jornalista e tem um filho de dois anos, vê nas crianças que estão crescendo a esperança de mudança. Para isso, segundo Adriana, é preciso que os pais sejam o exemplo e nisso deverá haver um maior esforço, já que pais e avós estão vindo de uma geração desacreditada. “Eu não desanimaria do meu país e por isso já quero passar para o meu filho que aqui há muito para ele amar, que estamos em um lugar cheio de belezas naturais e um povo muito forte!”, completa.

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Patrícia Alves Ferhmann, de 44 anos, compartilha do mesmo sentimento. Ainda que esteja preocupada com os rumos do país, ela procura preservar na filha de 11 anos a esperança de que as coisas vão melhorar no Brasil. “Minha filha vê com descrédito qualquer mudança imediata. Mas, mesmo sabendo que serão necessárias várias gerações para que alguma mudança efetiva aconteça, ela acredita que é preciso continuar tentando”, diz. Voluntária em um movimento apartidário contra a corrupção, o MUDE, Patrícia explica que apesar dos pesares, ainda é possível manter o sentimento de patriotismo. “Com certeza não admiramos mais o Brasil do modo seria o ideal, mas essa é a nossa terra, se a mudança não partir de nós, não será feita por mais ninguém. Se você escolhe ter o Brasil como pátria, não vai sair do país, então é melhor arregaçar as mangas, redobrar o nível de resiliência e dar o seu melhor. Reclamar, murmurar e dizer que não tem jeito com certeza não vai ajudar em nada. Eu opto por continuar lutando”, diz.

Nesse esforço de criar na filha a consciência de que é importante defender o país em que vive, ela a envolve nas ações do movimento. Um exemplo disso, é que a menina representou as crianças do Paraná na entrega das assinaturas em favor das 10 Medidas contra a corrupção, em 2016. Segundo Patrícia, apesar da decepção que ela teve com a forma com que a Câmara dos Deputados lidou com o assunto, ela compreendeu outros conceitos que envolvem a política no país e como melhorar essa questão. “Num primeiro momento sentiu revolta, depois descrédito com os que estão no Congresso hoje, mas também entendeu bem o poder que damos aos congressistas com o nosso voto e viu a importância de eleger pessoas que realmente tenham interesse em representar a população”, diz.

 

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