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Jônatas Dias Lima

Blog da Vida

Bioética e o movimento pró-vida pelo mundo

Entrevista: a ação policial contra o aborto, segundo um delegado

Debates sobre aborto são tão frequentes, e a situação da prática varia tanto de país para país, que corremos o risco de nos esquecer a gravidade desse ato no Brasil. Aqui, matar um bebê no ventre materno é um crime previsto no Código Penal, punido com prisão. No entanto, como se trata de um tema […]

O delegado Rafael Vitola Brodbeck em entrevista à imprensa sobre a Operação Rei Herodes, em 2009.
O delegado Rafael Vitola Brodbeck em entrevista à imprensa sobre a Operação Rei Herodes, em 2009.
Debates sobre aborto são tão frequentes, e a situação da prática varia tanto de país para país, que corremos o risco de nos esquecer a gravidade desse ato no Brasil. Aqui, matar um bebê no ventre materno é um crime previsto no Código Penal, punido com prisão.

No entanto, como se trata de um tema cheio de segredos, não é fácil identificar os criminosos. Para entender o trabalho da polícia ao lidar com essa situação o blog entrevista o delegado Rafael Vitola Brodbeck, titular do Distrito Policial de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul. Em 2009, vários veículos de comunicação repercutiram uma operação dirigida pelo delegado, que levou o sugestivo nome de Operação Rei Herodes. A ação policial fechou uma clínica de aborto no município de Itaqui, na divisa com a Argentina.

1) Como ocorre, na prática, a ação da polícia contra o crime do aborto ?

A Polícia Civil pode tomar conhecimento da prática, ou suspeita de prática, de qualquer delito a partir de inúmeras fontes. Por comunicação da Polícia Militar, requisições do Ministério Público ou do Poder Judiciário, por notícia de crime que venha de qualquer cidadão, etc.

O aborto, entretanto, pela sua natureza peculiar, envolto em segredos e clandestinidade, e pelo próprio conluio entre o médico que faz o aborto e a gestante que consente, chega ao conhecimento da autoridade policial, por outras formas. Nenhuma gestante, a não ser que o aborto não tenha sido consentido, vai até uma delegacia registrar ocorrência, até porque, no caso do consentimento, ela também cometeu crime. Na maioria das vezes, surge uma suspeita, pelo rumor do povo, e o delegado ordena uma investigação. E aí está a importância do delegado inserir-se na sociedade, transitar em todos os meios, possuir uma boa rede de informantes, às vezes informais.

A morte de algum bebê em um hospital também pode levantar suspeitas, e como toda morte dessa natureza é registrada na delegacia, ainda que sem um crime, a princípio, cabe ao delegado e seus agentes terem sensibilidade e perspicácia, uma espécie de “desconfiômetro”.

Arquivo pessoal
Medicamentos apreendidos no local onde funcionava uma clínica de aborto clandestina.

2) Fale sobre a operação que liderou em 2009.

O caso mais clamoroso desse tipo de delito que já investiguei foi descoberta durante uma interceptação telefônica em um inquérito que investigava crimes de tráfico de drogas e formação de quadrilha, quando chefiava a Delegacia de Polícia de Itaqui, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Rapidamente, a seção de investigação da delegacia conseguiu levantar mais dados depois da descoberta fortuita a partir do “grampo”, e organizei na noite do mesmo dia uma ação policial batizada de “Operação Rei Herodes”, que estourou uma clínica clandestina de aborto, que atendia pessoas até do centro do estado.

No local, achamos vários medicamentos, seringas e material de uso restrito a hospitais. A partir do auxílio de uma perita farmacêutica, conseguimos demonstrar, ainda durante a madrugada, que a ação daqueles remédios faria justamente a expulsão forçada do feto e ajudaria no estancamento da hemorragia subsequente. Encontramos também várias bulas de misoprostol argentino. Com base nisso, pedi, na mesma madrugada, a prisão preventiva da dona da clínica, a qual consegui rapidamente do Poder Judiciário, poucas horas depois. No amanhecer, então, voltamos à clínica e efetuamos a prisão. Não havia nenhum médico envolvido. Era uma leiga mesmo. E também não flagramos ninguém cometendo o aborto ou consentindo que nela se cometesse.

O aborto era provocada por essa leiga, sem formação alguma em medicina ou enfermagem, mas com o consentimento das gestantes. A pessoa que fazia os abortos com consentimento cometeu o crime descrito no art. 126 do Código Penal, com pena de até quatro anos.

Mais tarde, durante o inquérito, indiciei também aquelas pessoas que descobrimos terem se submetido ao aborto. Elas cometeram o crime do art. 124 do Código Penal, com pena de até três anos.

4) O que você acha da tentativa de legalização do aborto no país via reforma do Código Penal ?

Isso vai contra todas as mais caras tradições jurídicas de nossa pátria, que sempre assegurou a observância do direito à vida como o mais fundamental. Nossa cultura jurídica é plasmada pelo princípio da dignidade da pessoa humana. Como se vai promover dignidade de um ser humano inocente, matando-o?

Nunca é demais lembrar que o Brasil também subscreve tratados internacionais que consideram a violação da vida de um inocente, desde a concepção, um crime.

Além disso, é uma tentativa de se fazer, mediante uma comissão ou um grupo de parlamentares, uma mudança legislativa em descompasso com a vontade do povo, que já se manifestou, inúmeras vezes, contrário ao aborto.

Isso no aspecto meramente jurídico, sem entrarmos em temas morais, religiosos ou mesmo científicos – este último, ademais, é um terreno no qual se prova que o feto é vida humana.

5) O que você acha da afirmação dos defensores da legalidade do aborto, de que a criminalização dessa prática pune injustamente as mulheres que o cometem, por serem pobres e consideram não ter condições de criar seus filhos ?

A lei não pune só as pobres. Pune a todos que matam os filhos no seu ventre. Mulheres ricas também morrem em clínicas clandestinas.

E não é porque a morte da gestante é um fato que se deve legalizar a morte do filho que traz em seu seio. Pelo mesmo raciocínio, se deveria legalizar os assaltos, em que tantos criminosos acabam morrendo em confronto com a polícia?

Além do mais, a lei já traz diversas hipóteses em que um crime – qualquer crime – pode ter sua pena atenuada por circunstâncias particulares, e o delegado leva isso em conta no indiciamento, bem como o promotor na acusação e o juiz durante o processo, sem falar no advogado que defende o réu.

6) O código penal prevê exceções para o aborto, como caso de estupro ou risco de vida para a mãe. Nesse caso é correto dizer que o aborto é legal, ou ainda se trata de um crime, mas sem punição ?

A doutrina se divide. Majoritariamente, se considera que os casos apresentados são de exclusão da ilicitude. Todavia, pela redação clara da lei, defendo que se trata de exclusão da punibilidade tão somente. A ilicitude é um componente do conceito de crime, que é fato típico, ilícito e culpável. Afastando-se a ilicitude, não se teria crime. Ora, mas para que não fosse crime nesses casos, o Código teria de trazer um comando como “Não é crime” ou “Não é ilícito” ou “Exclui-se a ilicitude”. Não foi o que o legislador fez, optando por um mero “Não se pune”. De tal sorte, continua sendo crime, a meu ver, ainda que não passível de pena, exatamente como em outras situações ( o furto de descendente contra ascendente, por exemplo).

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66 Comentários

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  1. Simone, é isso mesmo. Noto que os defensores do aborto não gostam que a gente ponha o dedo na ferida, mostrando por exemplo a ligação do machismo (quando o homem vê a mulher como simples objeto sexual) com a ideologia abortista.

  2. Simone, pra mim só não faz sentido acreditar que os homens se importariam mais com esse impacto do que as mulheres, especialmente porque pra nós o impacto parece bem maior. Gostem ou não, o poder decisório do homem é secundário nesse caso; aliás, a rigor ele sequer precisa saber que engravidou alguém, caso a mulher não queira contar.

  3. Luísa, é justamente pensando nesse impacto que muitos homens são a favor da mulher abortar. Pois assim esse impacto de ter que sustentar um filho e assumir responsabilidades seria anulado. Todo homem que não quer assumir tamanha responsabilidade é simpático a causa abortista. Homens machistas só vêem as mulheres como pedaços de carnes e quando estas engravidam fazem um grande favor a esse tipo de homem ao abortarem. Eles agradecem.

  4. Luísa, desculpe mas você está querendo negar o óbvio isto é a ligação do machismo com o aborto. Naõ disse que “o homem” mas é claro, o homem libertino e “emancipado de Deus” que empurra a mulher para o aborto. Pode crer que muitas mulheres o fizeram por falta de apoio dos seus engravidadores machistas. E de resto existe o aborto seletivo contra meninas, amplamente praticado no mundo, o machismo ainda impera.

  5. Cara, eu diria que já é um pensamento machista achar que os homens gostariam de “se livrar de sua responsabilidade” mais do que as mulheres. Essa é uma causa obviamente ligada a mulher porque em última instância, é só a vida dela que necessariamente vai mudar, é ela que sofre as conseqüências de manter ou não a gravidez. Te dizer que se estivesse numa situação dessas, a última coisa que ia pensar é no camarada que me engravidou; ia era pesar o impacto da gravidez na minha vida.

  6. “pró-embrião” é muito mais adequado para designar essa turma do que “pró-vida”, eu concordo. E “pró-dignidade humana” é muito mais adequado para designar quem é a favor da legalização do aborto do que “abortista”. Vocês do pró-embrião são todos uns irresponsáveis que preferem fechar os olhos para as centenas de mulheres que perdem a vida ou o útero em clínicas clandestinas do que entender o que se passa com uma pessoa que opta por abortar. Continuem atravancando o mundo por seus dogmas.

  7. Luisa, pelo amor de Deus, tudo quanto é machista quer o aborto. Assim é fácil engravidar as garotas e eximir-se de responsabilidade paterna! É nesse aspecto que o feminismo e o machismo podem dar o braço e passear na avenida, pois querem a mesma coisa. Além disso a maior parte dos bebês de ventre assassinados são meninas, por causa do aborto seletivo que se faz contra o sexo feminino. Aborto é bandeira machista.

  8. Seguindo o pensamento mais lógico sobre os nomes que os movimentos assumem, não teriam que te chamar de “gay” se você defende os direitos dos homossexuais, mais sim de pró-direito dos homossexuais… ou algo assim. Somos pró-vida porque defendemos o direito à vida (de TODO ser humano) desde a sua concepção até sua morte natural, e não incluímos na nossa defesa os direitos do brócolis, ou do porco, porque entendemos que a vida humana é superior.

  9. Pra mim é a mesma coisa que me chamarem de gay por defender o direito dos homossexuais. Vocês confundem alhos com bugalhos. Mas sinceramente? Isso me irrita menos que se autoproclamarem “pró-vida”. É de uma presunção! Pró-vida de embrião, não do porco. Pró-vida de embrião, não da mulher. Pró-vida de embrião, não do brócolis. Isso não é ser pró-vida; é ser pró-embrião.

  10. Ah, muito bacana o camarada recusar ser chamado de “abortista” porque apenas defende a “escolha se a mulher quer abortar ou não”. Vamos supor que eu defendesse o direito de as pessoas escolherem se discriminam outros com base em raça. Veja bem, eu pessoalmente não faria isso, não acho legal fazer isso, mas, se a pessoa quer fazer, é uma escolha dela, não podemos interferir. Eu seria chamado de “racista”, ou não? Aí eu digo “não quero que me chamem de racista, eu sou pró-escolha”… hipocrisia!

    • Prezado Miguel, o “direito” ao aborto, na verdade é uma das principais “bandeiras de luta” de uma ideologia que pretende-se inimiga do tal machismo: o feminismo. Lembrando ainda que o machismo é uma mentalidade, não uma ideologia com uma militância bem organizada e ideias bem definidas. Ou seja, não passa de um espantalho que nos impede de ver a verdadeira causa dos problemas…!

  11. Excelente postura do Sr. Delegado. Espero que ele siga sempre defendendo a Justiça, sem recuar diante dos gritos histéricos dos inimigos da vida que, apesar de muito pouco numerosos, fazem muito barulho para tentar calar a Verdade.
    Parabéns Dr. Rafael Vitola Brodbeck.

  12. Luísa, novamente você está errada. Dizer que um assunto é polêmico significa apenas que ele é polêmico, ora! Dizer que o embrião é um ser humano desde a sua fecundação é ciência e dizer que o embrião é parte do corpo da mulher, é ideia sua e de todos os abortistas.

  13. E também não é teu corpo o corpo do ser já concebido. É outro, individual. A verdade é que vc vai por um caminho até mesmo já abandonado por abortistas de longa data.Para gente com muito mais tempo de estrada que vc, eles já admitem que o concepto é sim humano, só que nem estão aí para isto, pois preferem seguir pelo perigosíssimo caminho de dizer que o ser humano A é mais valorado que o ser humano B, coisa que já foi tentada por muitas vezes na história da humanidade e com efeitos catastróficos

  14. Luísa: quer dizer que um recém-nascido, que tampouco pode “sair andando por aí”, para vc também não é um ser humano? Percebe a besteira de proporções dantescas que vc escreveu? A mesma coisa em relação ao teu óvulo. Ele está fecundado por acaso? É como eu disse antes: vc devia raciocinar FOR REAL, pois a única coisa que vc fez até agora é trazer clichês abortistas já mais do que batidos.

  15. William, não, não. Embrião humano é ser humano em potencial. Se fosse ser humano e ponto, saía andando por aí, sobreviveria antes de cair no esgoto. É tão ser humano em potencial quanto o meu óvulo é – ele tem a condição de ser fecundado, ainda, enquanto o outro tem a condição de viver simbioticamente com a mãe pra aí sim, se desenvolver e se tornar uma criança. Por isso dizer que é parte do corpo da mulher, e portanto decisão dela; sem ela, ele não é nada, literalmente.

  16. Eu prefiro interlocutores humanos, mas prescindo deles. Já de alimento, não. O humano se acha tão superior, mas fique uma semana isolado da civilização; você sobrevive. Agora fique uma semana sem vegetais ou animais pra comer… A verdade é que nós não somos melhores que o resto dos habitantes desse planeta; eles, inclusive, passam muito bem sem nós. E se nós não valemos mais, eu só pergunto: porque tanto preciosismo cá e tão pouco lá? Coerência, meus caros. É só o que peço.

  17. Quanto à absurda e grosseira saída pela tangente do «opinar e não ajudar a criar é fácil» (que não é sequer um argumento, uma vez que é a recusa mesma, a priori, do debate…), eu vou desconsiderar a leviandade da afirmação (a senhora por acaso sabe quantas crianças a Aline adoptou ou deixou de adoptar?) e aceitar a bravata: traga-me a mãe que está disposta a não abortar bastando pra isso que haja quem cuide da criança, que eu providencio esta pessoa.

  18. Luísa, eu tô falando sério. Se você faz questão de interlocutores humanos, isto já demonstra que a vida humana está num patamar superior à dos alfaces. A própria impossibilidade de se problematizar tão exótica visão de mundo frente à horta já demonstra, por si só e inelutavelmente, o nonsense dessas tuas intervenções :)

  19. Pô, Jorge, faz isso não… o pé-de-couve me é muito mais útil que um interlocutor :o)
    Aline, vamos fazer assim: eu não tenho direito de opinar pq nunca fui abortada (!) ou abortei, e você não tem o direito de opinar pq nunca adotou uma criança que foi abandonada porque uma mãe não quis tê-la. Fechou? Aliás, o mundo seria bem melhor se os que querem impedir TODA e qualquer mulher de fazer um aborto adotassem só UMA criança rejeitada. Pq opinar e não ajudar a criar é fácil, né, molecada…

  20. (cont.) vai parar no sistema de esgotos ou no lixo hospitalar, é isto? É disto que o aborto trata, Jairo, e querer evitar esta realidade é que é uma grande covardia. E vc está cego apenas, pois insiste em querer ver uma única vida onde já existem duas, no mínimo. E é a própria ciência que diz isto.

  21. Jairo:

    O que vc chama de opinião é tão distorcido que fica até difícil imaginar que em pleno século XXI alguém defenda tais barbaridades. Assassinatos, sequestros, etc. também continuam a ser feitos mesmo que haja legislação punitiva. E aí? Vamos liberá-los também? Isto é um idiotice de grandes proporções, meu caro, e é só isto.

    Vc diz que defende a legalização pq não cabe a vc decidir se alguém deve ter ou não um filho. Ok. Então vc apenas lava as mãos e olha para o lado enquanto uma criança

  22. Não está errado, minha cara… Vc é que está batendo o pezinho à tôa, só isto. Sim, é pró-vida mesmo, dentro do contexto que estamos discutindo. Se vc quer discutir a dignidade das couves, talvez devesse buscar um blog vegan ou coisa do tipo. Embrião humano é ser humano, certo? Vc defende a descriminalização exatamente pq vc é uma abortista. Entre vc e o açougueiro que gosta de ser chamado de médico enquanto enche os bolsos de dinheiro com o sangue alheio, a diferença é só a mão suja de sangue.

  23. Quer falar cientificamente, quer saber de dados? Papel aceita tudo, dados podem facilmente ser manipulados… Mas de qualquer forma ainda somos humanos e sentimos. Que bom seria se mais gente como a Elba Ramalho (que sempre achei uma pessoa estranha) tivesse a coragem de se expor como ela se expõe para evitar que maior número de mulheres numa situação de fragilidade emocional se deixem levar pelo argumento: é só um amontoado de células.

  24. da vida humana tem tentado só defender seu ponto de vista, que deixa de ser um simples ponto de vista quando se trata de uma vida humana. Não sei se vcs já tem filhos, a emoção que é tê-los apesar de problemas financeiros ou emocionais. Não sei se algum de vcs já abortou ou teve uma namorada que abortou a seu pedido… Não é bonito, não é gostoso, é um fardo para uma vida. Assim como quem gera um acidente que mata alguém. Sua consciência já não te deixa mais tranquilo. (continua)

  25. Então, já que os assassinatos vão continuar acontecendo queiramos ou não, vamos legalizar, já que as pessoas vão se drogar queiramos ou não, vamos liberar. Afinal, moral é algo que o homem criou e não dependemos dela para conviver (viver). Todos nós já experimentamos abortar ou fomos abortados, então temos muito direito de opinar que a “coisa” sem cérebro deve ir liquidificada ralo abaixo. Queridos, vcs que são a favor da liberação do aborto, tenho visto que os defensores (continua)

  26. Quanto ao delegado Brodbeck, ele sem dúvidas está de parabéns! E ver alguns comentários aqui chega a ser cômico: há um servidor público no estrito cumprimento do seu DEVER LEGAL e os baderneiros aparecem aqui para insinuar que ele devesse PREVARICAR! Ê Brasil!

  27. Eu sugeriria à Luísa que fosse discutir com um pé-de-couve o porquê do antropocentrismo. Quando a singela tentativa dela de problematizar o dissenso junto ao Reino Vegetal falhasse por absoluto desinteresse das brassicáceas, talvez ela percebesse, afinal, o que justifica o antropocentrismo.

  28. William, na minha opinião, quem quer proibir o aborto é contra a vida, pois coloca em risco a vida das mulheres que decidem pela prática. Quem defende a legalização do aborto não é a favor do aborto. Ninguém acha bacana abortar. Eu defendo a legalização por entender que não cabe a mim decidir se uma outra pessoa deve ou não ter um filho. Não aceito ser chamado de abortista pois não defendo aborto nenhum. Defendo a dignidade e respeito a escolha dos outros em abortar ou não.

  29. Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que a vida humana só é mais importante do que a vida de qualquer outro animal porque quem decidiu isso foi um homem, ok? Outra coisa: não faz diferença alguma saber o estágio do embrião, se tem alma ou não tem, se tem cérebro ou não tem, porque isso não muda nada na questão: os abortos continuarão acontecendo quer vocês esperneiem ou não. Então quando se defende o direito a fazer o aborto, se defende a vida e a dignidade da pesso que opta pela prática.

  30. Edi, faça um pouco de pesquisa. Mas se dê ao trabalho de buscar fontes científicas… Você vai ver que na melhor das hipóteses essa definição de quando começa a vida é polêmica, repito.
    E Luiz: tô aguardando a justificativa do antropocentrismo. Talvez você se julgue superior a um porco porque é capaz de raciocínios elaborados, quando morrer um monte de gente vai sentir sua falta… Mas te garanto que tu faz menos falta ao mundo que as abelhas, tigres, peixes, pasto.

  31. William, consagrado ou não, tá errado. Volto a falar: do pé de couve à vaquinha suculenta, todos esses também têm vida. Pró-vida uma ova. Pró-embrião humano. E ninguém tá aqui defendendo o aborto porque ninguém acha super divertido abortar. Se vc não sabe disto, é de se perguntar o que vc está fazendo aqui discutindo o assunto. O que muitos defendem, incluindo eu, é a discriminalização do aborto. Como o cara que não é usuário, mas por uma série de motivos é a favor da liberação das drogas.

  32. Não, minha cara, vc é que está querendo criar confusão. No mundo inteiro o termo “pró-vida” é consagrado. Se vc não sabe disto, é de se perguntar o que vc está fazendo aqui discutindo o assunto.

    E quem defende a legalização do aborto na prática é um abortista. E é também um covarde, pois acha que pode ficar em seu lugar confortável defendendo uma prática cruel e hedionda sem sujar suas mãozinhas de sangue.

  33. Não se engane, Luisa. TODO embrião é um ser humano desde a sua fecundação e abortá-lo É assassinato, e isso É uma verdade absoluta. Não há como querer distorcer o que é fato e chamar de “problematização”. Problematização sugere outras possibilidades a respeito de um mesmo assunto,o que não é o caso do aborto. Aborto é sempre assassinato.

  34. Oi, William. Que o tema tratado aqui é esse eu tô sabendo. Eu só queria justamente problematizar o tema, questionar o que o fundamenta, refletir sobre. Não simplesmente tomar o que está sendo defendido como verdade absoluta. E aqui vai uma correção: os partidários do blogueiro se intitulam pró-vida, não pró-vida humana. Vamos chamar as coisas pelo que são: assim como os que defendem a legalização do aborto não são abortistas, esses caras não são pró-vida não, desculpaê.

  35. Ué… Mas se toda a problemática é exatamente por se tratar de uma vida humana… Não é disto que estamos falando aqui? Afinal, o delegado invadiu um abortório onde eram assassinados seres humanos e não um matadouro onde eram abatidos animais para consumo. Percebe a diferença? Talvez vc devesse raciocinar FOR REAL de vez em quando… Faz bem.

  36. Fulvio, a moral é invenção do animal homem. Se a gente for se espelhar na natureza, tem mãe que come seus filhotes se vê que eles nascem com algum problema. Eu só questiono porque os que bradam a favor da vida não se importam em “assassinar” outros animais inocentes, que por azar não sejam feitos “à imagem e semelhança de Deus”. Se querem ser “pró-vida”, então sejam FOR REAL. Mas ah, quando o sacrifício envolve a gente, não uma mulher qualquer ou a mãe-lula (!!), é menos divertido, não?

  37. Samuel, releia meu comentário porque aparentemente tu não tá bem de interpretação de texto, amigo. Não tô querendo mandar na pauta do jornal, até porque isso não é um jornal, é um blog abrigado pelo site de um jornal. Parti da infeliz suposição que nessa circunstância deveria buscar o dissenso, não ser meramente um panfleto e ficar na cômoda posição de só mostrar um lado. Fosse um jornal ou blog a sustentar uma ideologia “de esquerda”, imagino o grau de chilique que um senhor como você teria.

  38. Ah, e Luiza, mamães elefante, tartarugas e etc…não matam os próprios filhotes por motivo de saúde, pelo contrário, você sabia que a Lula (mãe) fica com os ovos até que todos tenham nascido, e que por ficar muito fraca com este esforço ela acaba muitas vezes morrendo? Que sirva de exemplo para nós humanos.

  39. É muito interessante a forma como os abortistas abaixo distorcem e retorcem o direito fundamental a vida. A receita é muito simples, não quer matar uma criança, não faça uma. Casos de estupro e violencia sim são problemas da sociedade, mas não são culpa da criança que vai nascer. Condene-se o culpado, não o inocente. Não é muuuito difícil de entender. Buscar resolver um problema criando outro não é uma solução inteligente, pelo contrário, é reincidir ou agravar o erro.

  40. Excelente iniciativa do delegado. São poucos os que assumem corajosamente esta obrigação em defesa da vida humana desde a sua concepção (aliás, concepção que inicia-se com a fusão dos gametas, como é ponto pacífico entre os embriologistas, em que pese os gritos histéricos dos ideólogos pró-aborto – como se o o início da vida fizesse alguma diferença para eles…).

    Bom saber que temos um delegado que dá proteção à vida em todas as suas fases.

  41. Como não poderia deixar de ser, as velhas falácias abortistas pseudo-científicas que definem vida a partir de presença de órgãos. E a velha mania de tachar a quem se opõe ao aborto como “conservador que não aceita mudanças”, “medieval”, etc., como se fossem ofensas ou insultos, além de ainda quererem mandar no editorial de um jornal, como todo esquerdista gosta, só porque é um jornal.

    Parabéns, Delegado e saiba que conta com muitos apoiadores admiradores!

  42. Thiago, você e todos nós já fomos ‘um conjunto de células que não tem cérebro, coração ou qualquer outro órgão’, no entanto nossas mães tiveram a bondade de não nos abortar e hoje estamos aqui.
    Ser contra o aborto nada tem a ver com descuidar das crianças e jovens, é justamente o contrário.
    É muito mais fácil matar uma criança ainda no útero, do que cuidar para que indepentemente das condições em que foi concebida, seja recebida num país que lhe assegure dignidade. Lamentável.
    Ótima entrevista.

  43. O bla-bla-bla do Triago é mera opinião, pois não reflete nada sobre o caso em questão. O aborto foi legalizado em alguns países a base de interesses políticos e não tendo como base a ciência. Onde é que a biologia diz que começa a vida humana? em Thiago. Só falta dizer que o Delegado é religioso e por tanto deve ser censurado.

  44. A mais recente reivindicação das extremistas do aborto é que, também na esfera legal, os homens sejam alijados da decisão e tenham cassado até o direito à opinião. A reprodução da espécie passaria a ser um tema exclusivo das mulheres. Parece-me uma forma de loucura.

  45. Parabéns ao delegado por sua coragem!

    O aborto sempre foi e continua sendo um crime contra a vida, é só ver o que vai no Código Penal. É curioso como gente que defende o aborto sempre quer apelar e ficar falando de que devemos ver as crianças abandonadas. Não há abandono maior que negar a uma criança sua possibilidade de vir à luz. Isto sim é cruel e hediondo, e quem dá apoio a isto está apenas apoiando um crime bárbaro e cruel.

    E parabéns a este jornal e ao blogueiro!

  46. A mais recente reivindicação das extremistas do aborto é que, também na esfera legal, os homens sejam alijados da decisão e tenham cassado até o direito à opinião. A reprodução da espécie passaria a ser um tema exclusivo das mulheres. Parece-me uma forma de loucura.

  47. Trata-se da apropriação de um dom da natureza (a reprodução não coube às mulheres em razão de alguma injustiça primitiva, imposta pela força) para a imposição de uma vontade contra a natureza desse dom.
    Essa que é uma luta “de gênero” entende que a mulher é apenas o ser político com o direito de “decidir sobre o seu corpo”. Essa autonomia corresponderia à superação do que, então, deixa de ser um dom para ser uma danação: a reprodução.

  48. Não é preciso ser religioso para reconhecer a diferença entre uma coisa e outra.
    Por que o fanatismo das abortistas? Parecem querer dizer algo assim: “Se é o nosso corpo a garantir a vida de outro ser — e um feto é “o outro”, ou estaríamos falando de uma amputação, certo? —, então podemos negar-lhe essa licença”.

  49. Chega-se mesmo a perguntar qual a diferença entre alguém com morte cerebral diagnosticada — o que permite a extração de órgãos para transplante — e o feto das primeiras semanas, com o cérebro não formado. Ora, a diferença é aquela que separa a vida da morte, nada menos. O feto traz consigo todas as potencialidades do que vive; a morte cerebral é o prenúncio da fatalidade. No feto, irreversível é a vida; na morte cerebral, irreversível é a morte do corpo.

  50. Não por acaso, os grupos abortistas precisam coisificar o feto para que a sua postulação ganhe a estatura de uma reivindicação justa e humanista.
    Não podendo negar que o feto seja vida — e, sendo vida, há de ser alguma forma de vida: eu me arriscaria a dizer que é “humana”, não? —, então sacam da algibeira retórica o argumento que consideram definitivo: “É vida, mas, até o terceiro mês, ainda não tem cérebro, logo…”.

  51. Fosse eu psicanalista, dedicar-me-ia, com a paixão do entomologista dissecador, a entender a alma das militantes do aborto. Não conheço grupo mais fanático. O sectário religioso mais ensandecido, que está certo de suas prefigurações místicas como dois e dois são quatro, não tem a mesma paixão pela causa e, em larga medida, o mesmo ódio. A defesa do aborto é uma causa peculiar porque, à diferença da luta por, sei lá, comida, moradia, terra, igualdade de direitos etc., pressupõe a morte.

  52. (…) Quantos médicos, engenheiros e cientistas não morrem todo dia em decorrência do aborto? Como podemos defender o aborto se já nascemos? É muito fácil defender algo que você não está condenado a vivenciar… Na verdade, defender o aborto depois de já ter nascido, pra mim, é hipocrisia!
    Obrigado delegado Rafael Vitola Brodbec pelo belo trabalho!

  53. Tem gente usando palavras bonitas para engrandecer discursos discriminatórios e sem lógica.
    Biologicamente falando, um dna completo é suficiente para se gerar uma vida, pois a sequência genética possui todo o “algoritmo” para dizer o que a(s) célula(s) devem fazer e como ela(s) deve(m) se subdividir e se portar. Levando isso em consideração, como não vamos dizer, a partir da concepção, que o zigoto já é uma pessoa, com possibilidades na vida?(…)

  54. (…) não é nem de longe ponto pacífico (cientificamente falando).
    Por isso introduzi o assunto nos comentários dos posts anteriores, bem como questiono o ímpeto em proteger os inocentes da mesma espécie, somente. Me parece que o conceito de vida “pró-vida” é muito amplo por um lado e muito estreito por outro. Isso não é desviar o assunto, é problematizá-lo, é o mínimo que um blog que tem exclusivamente um tema deveria fazer. Até porque a política não existe pra defender dogmas.

  55. Eu resolvi começar a comentar aqui porque entendo que um blog seja um site pessoal, mas a partir do momento que está hospedado num jornal, o mínimo que se poderia esperar é que tivesse algum compromisso com ouvir os 2 lados de um assunto que pretende discutir – e com isso não quero dizer apenas os que são a favor da legalização do aborto, mas também a própria concepção do que seria considerado aborto, que apesar do discurso assumido aqui, (…)

  56. Esse delegado não comenta nenhum ponto biológico em momento algum. Está por fora! É mais um conservador que não aceita mudanças, que não aceita evoluções. Sempre estará preso às “caras tradições jurídicas do nosso país” como ele mesmo confessou. Sinto pena que a justiça está nas mãos de pessoas conservadoras como o delegado em questão… Talvez seria uma boa mandá-lo para alguns países desenvolvidos que têm o aborto descriminalizado para que ele conheça os benefícios sociais que isso pode trazer

  57. O dia em que pararmos de nos preocupar com um conjunto de células que não tem cérebro, coração ou qualquer outro órgão e nos preocuparmos mais com as crianças abandonadas, jovens que não conseguem adoção, meninos e meninas com livre acesso à drogas (oque resulta em prostituição, assaltados, assassinatos)talvez alguma coisa melhore no Brasil.
    Esse conservadorismo besta das pessoas é ultrapassado e faz o país estagnar em inúmeros sentidos.
    Regularização e descriminalização do aborto já!

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