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Mateus Leme

Biblioteca Básica

Boa literatura, sem firula

Tempo para ler

Na vida corrida do dia a dia, será que o tempo para ler é um luxo para poucos?

Paul Joseph, em CC BY 2.0
Paul Joseph, em CC BY 2.0

“Gostaria muito de ler mais, mas não tenho tempo”… “Nossa, não sei como você arranja tempo para ler!”… “Agora só tenho tempo de ler os livros da faculdade”… Atire a primeira pedra quem nunca disse ou pelo menos nunca ouviu estas ou outras frases parecidas.

Não temos tempo para ler. Nenhum de nós. Nem as pessoas que usam estas desculpas, nem vocês, que arranjaram o tempo para ler este post, nem eu, que perco o meu escrevendo um blog sobre leitura ao invés de usar esse tempo para ler… Ninguém tem tempo para ler, e, espantosamente, alguns de nós… lemos! E mais: em geral, as pessoas que têm tempo de sobra — cada vez mais raras — não leem! É o velho paradoxo temporal: quem não tem tempo, arranja; quem tem, perde-o.

Há um livro muito interessante de Daniel Pennac, intitulado Como um Romance, que com certeza comentarei aqui outras vezes. Trata-se das reflexões de um professor de literatura na França sobre o gosto pela leitura. E, em determinado momento, o autor debruça-se sobre a questão do tempo para ler, e faz algumas considerações que vale a pena repetir:

“O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.)”

E Pennac vai além, afirmando que ler, como amar, é uma atitude que está, por assim dizer, além do tempo:

“O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver. Se tivéssemos que olhar o amor do ponto de vista de nosso tempo disponível, quem se arriscaria? (…) E no entanto, alguém já viu um enamorado que não tenha tempo para amar?
Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse.”

— Mas no meu caso é diferente… Eu realmente não tenho tempo! — dirá você.

Será mesmo?…

… No último jogo a que assistiu pela televisão, o que você fez durante os quinze minutos do intervalo?…

… Entediante aquela fila no banco ou no caixa do supermercado, não?…

… De fato, no sábado passado não havia como não ficar bravo, pois você se aprontou para sair e sua esposa ficou meia hora a mais se arrumando, enquanto você esperava na sala…

… Aliás, ninguém teria energia para ler após gastar mais de uma hora de transporte público todos os dias para ir à faculdade ou ao trabalho…

… Sem falar do seu micro velho, que leva quase cinco minutos para iniciar…

Vou parar por aqui, sem entrar no mérito do tempo gasto no banheiro, ou daquela espécie de trégua universal que é o fim do dia, quando você acaba de se enfiar na cama, com um convidativo abajur ao lado…

A verdade é que a questão não está no tempo. Voltando a Daniel Pennac, “a partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá”. Este é o verdadeiro problema. Quem quer, consegue. Se você tem cinco minutos por dia para perder em redes sociais, tem tempo para ler. É uma questão de prioridade.

Quando estou sozinho, costumo ler durante as refeições. Tenho um amigo louco por leitura, que lia enquanto andava pela rua… E você, tem alguma história de leituras em situações incomuns?

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